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sexta-feira, 18 de maio de 2012

A ESQUIZOFRENIA E SEUS ASPECTOS DE INCLUSÃO SOCIAL

 
 
A esquizofrenia causa muito sofrimento ao paciente e as pessoas ao seu redor, onde acabam todos se tornando vitimas da doença e causa de preconceito. A reinserção social, inclusão da família e da comunidade no tratamento são recursos utilizados para a promoção da saúde mental, para que os portadores de transtornos mentais tenham uma melhor qualidade de vida, uma vez que este transtorno psicótico possa ocasionar dificuldades à sua vida social. Ao abordarmos os aspectos que levam a vida social de pacientes com diagnóstico de esquizofrenia, enfatizamos a participação e o comportamento em atividades comunitárias e de lazer e a interação interpessoal com familiares e amigos.  

 
O presente artigo tem como objetivo apresentar a situação dos esquizofrênicos em meio à sociedade, tomando como base aspectos culturais e familiares, classificando a psicopatologia esquizofrenia segundo o CID - 10, onde "os transtornos esquizofrênicos são caracterizados em geral por distorções fundamentais e características de pensamentos e percepções e por afeto inadequado ou embotado, a perturbação envolve as funções mais básicas que dão a pessoa normal um senso de individualismo único e direção de si mesmo". É classificada em:
  1. Esquizofrenia Paranóide
  2. Esquizofrenia Hebefrênica
  3. Esquizofrenia Simples
Considerando que a esquizofrenia não tem cura e afeta tanto homens quanto mulheres, costuma dar seus primeiros sinais a partir dos 18 anos. É justamente nessa fase que a pessoa está entrando no mercado de trabalho ou começando uma faculdade, onde, no caso dos esquizofrênicos, passam a sofrer dificuldades. Para o entendimento deste assunto é necessária a definição de fatores históricos, sociais e culturais.

No Brasil, entre as décadas de 1970-80, ao lado das lutas sindicais surgiram novos movimentos que lutavam pelos direitos dos negros, das mulheres, dos homossexuais e de outros grupos vulneráveis, entre estes grupos, surgiu o Movimento Nacional da Luta Antimanicomial, iniciado na década de 1970. Objetivado pela discussão acerca das características da assistência psiquiátrica oferecida nos manicômios às pessoas com transtornos mentais no Brasil.

O Manicômio como uma instituição total, revelou-se desde a criação como um espaço de violência e arbitrariedade sobre as pessoas que acolhia. Sua estrutura se apresenta como desumana e ineficiente por seus resultados desastrosos, constituindo-se um lugar de sofrimento e dor, onde os pacientes, sem direito à defesa, são submetidos a maus tratos, privação de sua liberdade, de seu direito à cidadania e à participação social. Esta luta foi aderida não somente pelos profissionais da área, como também pelos usuários do serviço, tendo como principal conquista a circulação do sujeito no campo social. Foi um movimento que procurou estabelecer a socialização.

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Fonte: Psicologado

segunda-feira, 14 de maio de 2012

A RELAÇÃO ENTRE CAPITALISMO E EXCLUSÃO



Hoje um dos principais temas de discussão mundial é a exclusão social, essa representada pela desigualdade entre indivíduos de uma mesma sociedade. O objetivo desse artigo e mostrar como o capitalismo esta ligado a tal manifestação.

Para que possamos entender essa relação devemos, partir do elo entre esses elementos. Somos seres sócio-históricos, nossa formação se dá através de um processo cultural que advém ao nosso tempo; aprendemos e nos desenvolvemos através dos dizeres e saberes ancestrais. O que somos hoje está relacionado com o passado de nossa sociedade: seus costumes, crenças e cultura; esses são os responsáveis pela nossa constituição como indivíduos. Além das relações que temos com o nosso passado, há ainda a relação social que temos com os indivíduos. Segundo Araújo (2003, p 156),

O sujeito psicológico é constituído por diferentes dimensões: cognitiva, afetiva, biológica e sociocultural e seu funcionamento se dá a partir das interrelações destas entre si e com o mundo externo físico, interpessoal e sociocultural com o qual o sujeito interage.

O grupo em que nos encaixamos também é responsável por nos moldar; o que nossos pais foram irá influenciar no que nós seremos. Nossa cultura, sociedade, nosso trabalho encontram-se em um conflito de relações. Segundo Sawaia (1999, p 142),

Entendemos as sociedades e os grupos humanos a partir do conceito de “relação”. Relação, como a definimos, é a intrínseca de um ser em direção a outro. Assumimos também o ser humano como “relação”, isto é, como um ser que se constrói e se constitui a partir dos milhões de relações que ele estabelece com todos os seres existentes.

Entender o papel relacional dos homens é fundamental para compreendermos o processo de exclusão, pois a “Relação” é a principal responsável pela formação dos grupos, e assim sendo, pelo processo de exclusão social. A partir desse conceito de relação, podemos entender o quanto ela é importante para a constituição de um grupo.

Outro ponto que devemos compreender para melhor nos situarmos nos processos de exclusão é o capitalismo. Este teve seu início no final da Idade Média e perdura até os dias atuais.

No início da nossa história, o homem sobrevivia através de suas próprias forças: os seres humanos caçavam e se apropriavam dos frutos da terra e, assim, sobreviviam. Com o avanço da sociedade e com a descoberta que se podia plantar e colher, começou-se a dar valor à terra. Assim, surgiram os primeiros senhores de terra, que a utilizavam como forma de poder. O período feudal foi o que mais se destacou com relação ao poder do homem sobre a terra, pois seu mecanismo de funcionamento se baseava na servidão, na vassalagem: o senhor feudal era responsável por ceder o terreno para que a população plantasse e colhesse os frutos advindos dessa terra. 

Em troca, os servos teriam que pagar impostos aos seus senhores. Os senhores eram a lei daquela terra, tendo eles o poder sobre a vida e a morte de seus servos. Os senhores não eram proprietários só da terra, mas também de todas as pessoas que ali moravam. Esse panorama só vem a mudar a partir da baixa Idade Média, pois, com o avanço da peste negra e com a diminuição do poder da Igreja Católica, o comércio começou a migrar do campo para as grandes cidades. A economia passa a basear-se nas expansões territoriais adquiridas através das guerras as quais, por muito tempo, ganharam cunho religioso.

Dá-se início às Cruzadas. O absolutismo emerge nesse momento: a Igreja concede poder divino aos grandes reis. Esse período foi marcado por grandes transformações econômicas e políticas. Ocorre o surgimento do mercantilismo, no qual se principia a procura por outras formas de enriquecimento. Esse processo nos traz a expansão marítima, com intuito de procurar por metais como o ouro e a prata, com o intuito de se enriquecer a metrópole, surgindo assim, as colônias. Esse momento é crucial para o surgimento do capitalismo, pois, com essa expansão, a burguesia começou a ganhar força e a contestar o poder absolutista. Afinal, nesse momento, era a classe social que fazia a ponte a qual ligava as riquezas aos monarcas da época. Essa classe funcionava como investimentopara os interesses monarcas.


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Fonte: Psicologado

A DESMISTIFICAÇÃO DA LOUCURA: UM PROCESSO DE HUMANIZAÇÃO PELO CENTRO DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL



A loucura fascina porque é um saber. É um saber, de início, porque todas essas figuras absurdas são, na realidade, elementos de um saber difícil, fechado, esotérico. (...) Este saber, tão inacessível e temível, o Louco o detém em sua parvície inocente. Enquanto o homem racional e sábio só percebe desse saber algumas figuras fragmentárias - e por isso mesmo mais inquietantes -, o Louco o carrega inteiro em uma esfera intacta: essa bola de cristal, que para todos está vazia, a seus olhos está cheia de um saber invisível (FOUCAULT, 1961/1989).

Estudar os processos psíquicos e suas formas de subjetivação envolve motivação, visto que a loucura é um conhecimento que tem algo a revelar, algo a ser interpretado e que necessita de uma visão incondicional no que tange à interação desses indivíduos na sociedade. O ser louco, nada mais é, do que uma forma de ser no mundo, é um desligamento da realidade em que ocorre a perda da consciência da sua realidade exterior.

Processos de estigmatização são referidos e concebidos como estando entre os maiores empecilhos no avanço da atribuição de um lugar social à loucura e do exercício de cidadania dos loucos, projetos centrais da Reforma Psiquiátrica. O lugar social da loucura, a despeito de um certo deslocamento produzido, permanece ainda, de modo geral, aquele de situar-se à margem da sociedade (NUNES, 2009).

Foucault destaca que a história da loucura não se restringe à sua relação com o domínio exclusivo do conhecimento médico, paramédico ou psicológico. A delimitação da loucura como doença mental, no contexto da medicina, se relaciona à experiência jurídica da alienação, na constituição do estatuto do que seja um indivíduo incapaz, perturbador do grupo, de acordo com os preceitos morais, éticos e políticos dos séculos XVII e XVIII (SILVEIRA,2009).

Esse artigo visa correlacionar à loucura como um processo desmistificado, para assim, explanar os aspectos mais relevantes do tratamento atual buscando identificar sua forma de cuidado através do Centro de Atenção Psicossocial que é um serviço que proporciona atendimento àqueles indivíduos que outrora eram atendidos nos hospitais psiquiátricos de modo desumanizado, excluído, visto que, a doença mental não era entendida em sua complexidade e manifestação.

No campo da saúde mental, um grande avanço nas políticas públicas procedeu da aprovação e sanção pelo Presidente da República, no dia 6 de abril de 2001, da Lei de número 3.657/89, que proíbe a construção ou contratação de novos leitos psiquiátricos pelo poder público e prevê o redirecionamento dos recursos públicos para a criação de recursos alternativos (KYRLLOS NETO,2003).

 A partir do final da década de 70, tomou forma, no Brasil, um movimento da Reforma Psiquiátrica com um questionamento incisivo das políticas públicas de saúde mental e do modelo assistencial centrado nos hospitais psiquiátricos e em estratégias de exclusão. Esse movimento ganhou força com a Reforma Sanitária e, posteriormente, com a implantação do SUS (Sistema Único de Saúde). A Reforma Psiquiátrica se organizou, em linhas gerais, a partir de dois vetores: o de crítica e reforma do modelo hospitalocêncrico; e o de desconstrução dos espaços asilares e efetivação de modelos assistenciais alternativos (GOULART,2010).

Um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) é um serviço de saúde aberto e comunitário do Sistema Único de Saúde (SUS). Constitui-se num lugar de referência e tratamento para pessoas que sofrem com transtornos mentais cuja severidade e/ou persistência justifiquem sua permanência num dispositivo de cuidado intensivo, comunitário, personalizado e promotor de vida (Ministério da Saúde, 2004).

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Fonte: Psicologado

ORKUT: CONSIDERAÇÃO SOBRE PERSONA E SOMBRA NAS COMUNIDADES VIRTUAIS




O Orkut atualmente é caracterizado como uma das comunidades virtuais mais populares, principalmente no Brasil, já que segundo pesquisas é o país que possui o maior número de usuários no mundo inteiro, desde quando foi criado em 2004. Ele simboliza as grandes transformações ocasionadas pela informática por que têm proporcionado significativas mudanças nos hábitos comportamentais dos brasileiros, principalmente no que se refere às relações interpessoais, pois o Orkut tem se configurado como mais uma nova forma de sociabilidade no momento atual. Favorecendo que o conceito de comunidade seja reformulado, pois hoje comunidade não se refere apenas a realidades “reais”, mas também virtuais, pois é perceptível que o sentimento de pertença, a necessidade de ser reconhecido pelo outro, ultrapassam a delimitação de fronteiras.

Partindo disso, este artigo traz como problematização, pensar se é possível visualizar as manifestações da persona e sombra, através deste contexto virtual. Até por que, os perfis construídos no Orkut, trazem possibilidades de enxergar personas, como também, a sombra e suas respectivas projeções, uma vez que, dentro da Psicologia analítica, a persona é entendida como uma maneira do sujeito criar máscaras para lidar com o mundo externo, enquanto a sombra, como uma personalidade reprimida por conta de valores sócio – culturais impostos pela sociedade.

Para trabalhar esta temática, foi necessário compreender a composição histórica do Orkut e o seu funcionamento, na tentativa de tornar possível, analisar os perfis dos usuários e relacionar os conteúdos elaborados pelos mesmos, com os conceitos de persona e sombra.

Permitindo dessa maneira, discutir as possíveis repercussões positivas ou não que o Orkut pode trazer no processo de individuação dos integrantes, pois este site de relacionamento permite aos usuários reinventarem seus perfis, favorecendo a constante necessidade do sujeito em modificarem suas identidades neste ambiente. A grande questão que envolve este fato é até que ponto criar estas representações, sentir a necessidade de estar inserido nesta comunidade, buscando corresponder aos padrões que a mesma propõe, pode ou não trazer interferências no processo de individuação do sujeito, pois a constante busca de ter um padrão adequado ao que a sociedade exige, pode ocasionar que o usuário não reconheça sua individualidade, que por sua vez, nem sempre poderá ser a mais adequada para o seu contexto virtual.

Sendo assim, escolheu-se falar sobre o Orkut, por que é um site que visa formação de redes sociais virtuais na Internet, e sua popularização tem se tornado cada vez mais crescente, chegando a ter um número de usuários recordes no Brasil.O que se propõem a necessidade de pensar o tamanho fascínio e o sentimento de pertença que esta comunidade virtual tem promovido na vida dos brasileiros, permitindo assumir uma posição crítico - reflexiva a respeito do tema proposto, pois não deixa de fazer parte do cotidiano.

No aspecto social se faz necessário entender como o surgimento do Orkut e a sua popularização tem se constituído um dos mais significativos fenômenos culturais da atualidade, pois tem afetado todas as esferas de forma direta e indireta da vida social, tornando – se no decorrer dos anos, um espaço particularmente importante para as relações humanas, configurando novas formas de sociabilidade.

A partir disso, considero de fundamental relevância para a Psicologia acompanhar as mudanças culturais geradas pelo avanço tecnológico, concentrando-se tanto nos aspectos subjetivos quanto nos sociais, os quais, aliás, longe de se excluírem, estão intimamente ligados. No que se refere aos relacionamentos virtuais, não importa apenas constatar as influências sofridas, nem perceber como se manifestam a persona e sombra, mas descrever e refletir acerca das mesmas, discutindo as experiências dos usuários do Orkut, investigando os processos subjetivos a eles relacionados.

Desta forma, a pesquisa possibilitará apontar as possíveis nuances que estas novas formas de relações sociais ocasionam no processo de individuação do sujeito.

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Fonte: Psicologado

quinta-feira, 26 de abril de 2012

MÓDULOS DE AMOR ESPECIALIZADOS




Os neurocientistas Andreas Bartels e Semir Zeki, da University College de Londres, pediram a milhares de estudantes ingleses que se manifestassem caso se sentissem “verdadeira, enlouquecida e profundamente” apaixonados. Resultado: receberam cerca de 70 respostas, sendo três quartos delas de mulheres. Pediram então aos colaboradores que apresentassem uma breve descrição do relacionamento que viviam, fizeram em seguida entrevistas e, finalmente, selecionaram 11 voluntárias e 6 voluntários de várias culturas e etnias, de 11 nacionalidades diferentes.

Surpreendentemente, nenhum dos participantes acabara de se apaixonar, todos estavam em uma relação mais longa, de dois anos em média – e extremamente satisfatória. Mas a seleção tinha funcionado: ao responderem a um questionário psicológico do amor já aplicado a centenas de apaixonados, os voluntários atingiram “valores de amor” bastante altos. Para maior garantia, foi aplicado um teste psicológico suplementar que, à semelhança de um detector de mentiras, se fundamentava na medição da resistência da pele. Quase todos os voluntários suaram diante da foto do parceiro.

Os apaixonados foram submetidos à tomografia de ressonância magnética funcional, procedimento que torna visível a atividade de várias áreas cerebrais em determinado momento, com alta resolução espacial. “É verdade que o desconfortável tubo do escâner não é exatamente propício à produção de sentimentos amorosos; ainda assim, mostramos ao voluntário uma foto da pessoa amada, pedindo que relaxasse pensando nela e todos relataram, apesar das condições desfavoráveis, sentir claramente o próprio afeto”, diz Andreas Bartels.

Como medida de controle, os voluntários observaram fotos de três colegas do mesmo sexo e idade de seus parceiros, e os neurocientistas compararam a atividade cerebral nas duas situações distintas. Quatro áreas diferentes, bem pequenas, se iluminavam apenas quando os participantes pensavam carinhosamente nos parceiros. Todas elas se localizavam espelhadas nas duas metades do cérebro no sistema límbico, que controla as emoções. Não foram encontradas diferenças significativas de atividade no córtex óptico entre a reação às fotos do parceiro e às de colegas. Ao que parece, o “cérebro visual” apenas transmite a informação objetiva ao “cérebro emotivo”.

A imagem da atividade no sistema límbico, porém, diferenciava-se claramente de modelos antes encontrados em estudos de emoções positivas. No caso das quatro áreas ativadas, trata-se, então, efetivamente de algo como “módulos de amor especializados”. Provavelmente, cada um deles tem uma função específica. Assim, drogas estimulantes como a cocaína, por exemplo, ativam áreas bem mais extensas do cérebro, incluindo os quatro módulos do amor. É possível pensar que o amor seja compreendido não apenas do ponto de vista psicológico, mas também pelo enfoque neurológico.

Além disso, essas zonas neuronais distinguem o amor da pura excitação sexual. O desejo estimula regiões do hipotálamo que em outras experiências ficam inativas. Por outro lado, o amor sensual parece ativar o núcleo caudado e o putâmen, áreas onde estão dois dos módulos do amor. É possível considerar que eles tragam o elemento erótico para o amor romântico.

O terceiro módulo do amor está localizado no córtex cingular anterior, estrutura que nos ajuda a reconhecer os próprios sentimentos e os do parceiro – capacidade certamente essencial para manter um relacionamento amoroso. O quarto módulo, por fim, é uma parte da ínsula situada no interior do diencéfalo que tem diversas funções. Talvez a principal seja identificar “pessoas interessantes”, já que sua atividade aumenta quanto mais atraentes forem os rostos apresentados. Aparentemente, essa estrutura integra a percepção visual ao mundo emocional. Além disso, parece receber informações da região estomacal: talvez o “frio” na barriga faça uma “parada” na ínsula antes de encontrar o caminho até a consciência.


HOMOSSEXUALIDADE NA REDE




Historicamente, em geral, homens e mulheres mantiveram seus anseios homoeróticos em segredo, o que lhes dava a sensação de serem únicos e viverem o fardo de um desejo secreto sem ter com quem compartilhar temores e sofrimentos. Alijadas do espaço público, sexualidades marginalizadas foram se restringindo a locais de encontros e espaços reduzidos das grandes cidades, restando pouca ou nenhuma opção para a maioria dos homo-orientados que viviam – e ainda vivem – em cidades médias, pequenas, na zona rural ou mesmo na periferia das metrópoles. A despeito das polêmicas e imprecisões, esses territórios foram chamados, inicialmente, de guetos.

Segundo os antropólogos Júlio Assis Simões e Isadora Lins França, nos anos 90, no Brasil, o gueto – ou “meio” – começou a dar lugar a um circuito comercial complexo e geograficamente amplo. A partir de 1997, a internet comercial iniciou o processo de expansão no Brasil, transferindo, ampliando e até mesmo recriando o espaço para a socialização de sexualidades dissidentes. A rede ampliou códigos do universo lésbico e gay metropolitano (sobretudo de São Paulo e do Rio de Janeiro) para o resto do país e o inseriu no circuito internacional.

Hoje, a internet parece ter tomado o lugar dos antigos guetos urbanos e se tornado passagem quase obrigatória para homossexuais no processo de autodescoberta, em seus

contatos sexuais ou amorosos e na criação de redes de apoio. Afirmações como “sou fora do meio” ou “procuro alguém fora do meio (como eu)” são recorrentes nos anúncios sexuais, na apresentação em bate-papos on-line ou mesmo nos perfis de redes de relacionamento e reafirmam a perspectiva de que os pontos de encontro de culturas sexuais não hegemônicas seriam marginais, perigosos e, sobretudo, denunciariam uma identidade “socialmente perseguida”. Um olhar mais atento sobre essas autoapresentações revela também que a rede é tida como forma de socialização “limpa”, capaz de manter a crença de que a vida social é (ou deveria permanecer) heterossexual.

A necessidade de encontrar alguém para falar de seu desejo – seja para criar uma relação amorosa ou fazer amigos, seja simplesmente para compartilhar dores – converte a internet no mais novo meio de controle da sexualidade.  Ao colocar o sexo em palavras, a rede se distancia das “regras” que marcavam o antigo “meio”, ou seja, o silêncio sobre o que se fazia. Mas que não se imagine tratarse de um avanço, pois a web, ao trazer o sexo ao discurso, faz também com que os internautas ampliem o papel da sexualidade em sua vida e na própria forma como se compreendem.

No primeiro volume de sua História da sexualidade, o filósofo e historiador francês Michel Foucault (1926-1984) explorou em detalhes o fenômeno histórico que trouxe a sexualidade para o discurso desde a técnica cristã da confissão até a psicanálise. Segundo ele, o dispositivo histórico da sexualidade se caracteriza pela inserção do sexo em formas de regulação baseadas em uma rede de discursos. No presente, não seria exagero afirmar que a internet é um dos meios sociais de controle sexual.

Entrar na web para falar do próprio desejo constitui um exercício subjetivo que pode reforçar a impressão de que tudo não passa de “sexualidade”, pensamento reconfortante para homens que são incentivados desde a infância a separar amor de sexo. O reconforto dessa divisão estaria na aceitação de sua vida amorosa se fosse construída como heterossexual (e quiçá reprodutiva) no espaço público da vida familiar e do trabalho e como homo-orientada apenas em segredo, desvinculada da afetividade ou do compromisso duradouro.


BRINCAR É COISA SÉRIA



A medicina, antes focada na tecnologia, começa a voltar sua atenção para o ser humano e suas necessidades. O indivíduo passa a ser visto com uma pessoa em sua totalidade, e não mais como corpo que abriga uma doença. Neste novo cenário encontramos a humanização na área pediátrica, que busca minimizar os efeitos da hospitalização na vida da criança. 

Buscamos estabelecer a relação entre o brincar no hospital e seus benefícios para as crianças que têm acesso a este recurso. Para isso conversamos com cinco profissionais que trabalham em hospitais pediátricos com longa experiência na área e procuramos responder, através de uma entrevista, à questão “Quais os benefícios do brincar para a criança hospitalizada na visão os profissionais de saúde”. 

O resultado dessas entrevistas nos mostrou que o brincar é extremamente benéfico em situações de hospitalização, e não tem contra-indicações. 


Dentre as vantagens citadas estão a melhor aceitação ao tratamento e principalmente a maior rapidez na recuperação, demonstrados através do relato de nossos entrevistados. Dessa forma concluímos que o brincar só traz benefícios tanto clínicos quanto psicológicos e deve ser uma prática incentivada.

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Fonte: Psicologado

ENTREVISTA DE DESLIGAMENTO: UMA PRÁTICA COMPLEMENTAR NO PROCESSO DE DESLIGAMENTO DO TRABALHADOR EM CONTEXTOS ORGANIZACIONAIS




O processo de globalização transforma o cotidiano das nações, das organizações e das pessoas. Esse processo é gerador de mudanças na medida em que provoca o inesperado, o incerto e a ausência de controle e limites, o que o torna uma força geradora de incertezas e riscos. O desemprego, no mundo globalizado, tem assumido proporções alucinantes e está entre os problemas sociais mais graves. (Paula e Silva, 2005 apud Aguiar, 2010). Segundo Paula e Silva (2010) o sistema capitalista, no seu impacto por acumulação de capital, provoca o descarte em massa de trabalhadores do processo produtivo, com consequências negativas diversas para a sociedade, entre elas o desemprego.

Em tempos passados, um tempo longo de trabalho na empresa era sinônimo de dedicação, lealdade e compromisso com o trabalho e com a empresa. Essa lógica não se adequou aos cenários pós-reestruturação, derivados de demissões coletivas, enxugamentos e cortes. Nesse novo quadro as demissões são mais freqüentes, integrando um processo de construção da identidade profissional com maior intensidade do que nas relações de trabalho anteriores. (Machado, 2004 apud Caldas2000).

Na medida em que há uma articulação entre trabalho e identidade, o trabalho se torna um dos elementos importantes na construção de auto-representações por parte dos indivíduos, definindo suas lógicas de ação. “O trabalho é um meio para o indivíduo realizar uma tarefa e estabelecer relacionamentos com outros indivíduos, sendo que a inserção no mundo do trabalho aparece como resultado de uma vida ‘adaptada’ e ‘normal’ ”. (Machado, 2004)
Paula e Silva (2010 apud Minarelli, 1995) diferenciam trabalho de emprego. Para eles, emprego é do empregador, daquele que empreende um negócio. Em contrapartida, o Trabalho corresponderia a qualquer atividade humana desenvolvida com propósitos e finalidades e não implicaria necessariamente qualquer tipo de vínculo empregatício. Partindo desse pressuposto, Paula e Silva (2010 apud Milkovich, 2000) pensam que, para que ocorra a demissão, faz-se necessário o estabelecimento de um vínculo empregatício entre empregado e empregador. “As demissões são o término do emprego de trabalhadores permanentes ou temporários, por iniciativa do empregador ou do próprio empregado”.

Segundo Dejours (2007) o trabalhador não chega a seu local de trabalho como uma máquina nova. Ele possui uma história pessoal que se concretiza por meio de certa qualidade de suas aspirações, de seus desejos, de suas motivações, de suas necessidades psicológicas, os quais integram sua história passada. Isso confere a cada indivíduo características únicas e pessoais.

Para Machado (2004 apud Schirato, 2000), “além de uma relação voltada para a produção do trabalho e para o lucro, dentro das organizações há grupos com relações afetivas, com ligações em torno de interesses comuns, por vezes até contrários aos interesses da organização”. Nesse sentido, como salienta Machado (2004 apud Jacques, 1997), há uma articulação indispensável entre trabalho e identidade, tanto no plano pessoal, quanto social e profissional. Assim, os espaços de trabalho vão se constituir em oportunidades para aquisição de atributos qualificativos da identidade de trabalhador.

A auto categorização do indivíduo, enquanto integrante do grupo em que trabalha, estabelece-se por meio de sentimentos de vinculação e diferenciação. Desligar-se do trabalho e consequentemente do grupo, representa uma ruptura desse processo, que pode dar lugar a uma incerteza subjetiva, a menos que o desligamento tenha sido antecipadamente planejado. Portanto, a demissão não constitui um fato isolado, senão uma interrupção nessa construção psicológica decorrente da associação trabalho e identidade. (Machado, 2004).

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Fonte: Psicologado

IMPACTO DA PERDA: ASPECTOS PSICOLÓGICOS DA VIVÊNCIA DO FILHO DIANTE DA MORTE MATERNA





A morte faz parte do desenvolvimento humano, a experiência da perda é um dos eventos mais doloroso que se pode vivenciar, tornando-se mais difícil quando se considera a mãe como figura de referência ou apego. O presente estudo aborda a temática acerca da morte na perspectiva do luto em decorrência da perda materna, tendo como objetivo compreender a vivencia do familiar diante da morte materna, analisando os sentimentos do filho no momento que soube da morte, descrevendo o imaginário do filho em relação ao velório e avaliando como este filho enfrentou o luto diante da perda materna. 

A pesquisa utilizou-se de um estudo de campo, exploratória, com o método descritivo e com a abordagem qualitativa, obedecendo aos critérios éticos. Participaram dez pessoas adultas clientes de uma Empresa de Serviços Póstumos em Teresina, na qual foram submetidos a uma entrevista semi-estruturada, posteriormente os dados foram coletados e a análise de conteúdos efetivada. Empregou-se as categorias: a representação da figura materna; sentimentos vivenciados no momento que soube da morte materna e no momento do velório; os aspectos psicológicos do filho; o enfrentamento do luto. 

Os resultados mostraram que o impacto da perda para o filho é influenciado pelo vínculo estabelecido com a genitora. Conclui-se que compreender os aspectos psicológicos vivenciados pelo filho diante da morte materna pode ajudá-lo a encarar e reconhecer sua perda como única, incomparável e incomensurável, em alguns casos se faz necessário o acompanhamento psicoterápico na elaboração do luto, principalmente quando a vivência torna-se prejudicada na ausência da mãe.


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EMOÇÕES E AFETOS NO TRABALHO



As teorias organizacionais, durante muito tempo, subjugaram o papel das emoções e dos afetos, considerando-os disfuncionais para o bom desempenho no trabalho. Avanços nos estudos sobre comportamento organizacional, no entanto, revelaram o importante papel das emoções e dos afetos na vida do indivíduo, ao facilitar ou dificultar o desenvolvimento do clima de bem-estar no trabalho e, conseqüentemente, atuar na saúde do trabalhador e de sua organização.
Considerando que grande parte das experiências de um adulto são vivenciadas em ambientes de trabalho, há a necessidade de abordar as características psicossociais dos indivíduos que estão inseridos nas organizações e, especialmente, como elas os afetam.
O equilíbrio entre cognição e emoção também se tornam vitais num ambiente organizacional. O processamento da informação, as expectativas, a tomada de decisão, o pensamento, a resolução de problemas, irão contribuir para que o ambiente organizacional torne-se prazeroso ou estressante, produtivo ou infértil.
As manifestações de afeto discretas no trabalho, a possibilidade de integrar a emoção e a razão para melhor compreender a complexidade do comportamento organizacional e o impacto das condições ambientais de trabalho nas emoções e humor do trabalhador podem fazer parte do cotidiano de um psicólogo organizacional. Ele terá uma grande responsabilidade em zelar por esse equilíbrio emocional das pessoas, sem as quais a organização não poderia ser concebida, como um processo psicossocial em permanente construção.


As emoções e os afetos: delimitações conceituais e perspectivas teóricas

As emoções e os afetos exercem importantes papéis na existência humana. Na pré-história, seus principais papéis eram de sobrevivência, ativando o sistema fisiológico, que tornava o homem predisposto a executar ações específicas em prol da manutenção da vida. Adquiriram, então, a função de comunicação e registro de momentos significativos da história do sujeito, podendo, às vezes, ser adequados a gêneros e contextos sociais específicos, devido às normas e costumes específicos da sociedade. A expressão da subjetividade e da individualidade constitui outro importante papel das emoções e afetos.
As emoções distinguem-se dos afetos na medida em que se relacionam com as alterações fisiológicas e comportamentais desencadeadas por estímulos internos, como pensamentos e imagens mentais ou estímulos externos e independem da ação consciente. Já os afetos, subdivididos em sentimentos, humores e temperamentos, apresentam maior constância temporal e estão relacionados a aspectos cognitivos. 
Buscar definições para um fenômeno tão multifacetado como os estados afetivos-emocionais, tem resultado em significativas divergências teóricas, não havendo um consenso quanto a que aspecto exerceria a primazia. Para a perspectiva biológica, a emoção, devido à sua função mantenedora da sobrevivência, selecionaria as manifestações afetivas adequadas. Em contrapartida, a perspectiva do construtivismo social aponta a determinação cultural sobre a expressão da emoção e dos afetos, implicando em deliberações cognitivas anteriores a expressão da emoção.


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Fonte: Psicologado

quarta-feira, 14 de março de 2012

APAZIGUANDO FANTASMAS



É do rabino Menachem Schneerson (1902-1994) a constatação de que, se não fosse o sono, não haveria amanhã e a vida se resumiria a um hoje contínuo. Se a pausa periódica na vivência da realidade externa dá unidade ao passar do tempo, também opera transformações notáveis na realidade interna. A cada noite o sono mastiga e deglute as memórias novas, esquecendo algumas e transformando outras em memórias maduras, distribuídas pelo cérebro e articuladas a outras memórias mais antigas ainda, rebanhos de pensamentos em constante evolução. 

O embate entre esquecimento e incorporação de uma nova memória depende da relação entre sua utilidade e o custo de carregá-la. Memórias derivadas de vivências aversivas são inscritas na circuitaria neuronal mais profundamente do que memórias de baixo teor emocional. Quando uma memória se refere a uma situação realmente perigosa ou indesejável, pode ser útil carregá-la mesmo à custa de sustos na vigília e pesadelos ocasionais. Mas quando a memória não se refere a nada relevante, melhor mesmo é esquecer. Quantas coisas à primeira vista desagradáveis não se transformam, com o tempo, em palatáveis e até desejáveis? 

Um experimento realizado por Matthew Walker e colaboradores da Universidade da Califórnia em Berkeley demonstrou há poucos meses que o sono de movimento rápido dos olhos, durante o qual sonhamos, facilita a atenuação da resposta a estímulos aversivos. Esse papel já havia sido previsto em hipótese, pois o sono frequentemente está alterado nos distúrbios psiquiátricos do humor. O novo estudo utilizou a ressonância magnética functional para medir a atividade da amígdala, uma estrutura cerebral envolvida na valoração de experiências aversivas, durante a apresentação de imagens desagradáveis. Duas sessões de imageamento foram realizadas, antes e depois de um período de sono monitorado eletroencefalograficamente. Os resultados apontaram uma diminuição das respostas da amígdala após o sono, com uma queda correspondente na reação comportamental às imagens aversivas. Além disso, o sono promoveu um aumento da conectividade functional entre a amígdala e o cortex pré-frontal ventromedial. Outro achado importante do estudo é a correspondência íntima entre tais efeitos e a queda da atividade de alta frequência (>30Hz) no cortex pré-frontal durante o sono de movimento rápido dos olhos. Essa atividade serve como marcador eletrofisiológico de transmissão adrenérgica. Em tese, isso pode contribuir paradiminuir a hiper-reatividade da amígdala a estímulos aversivos, causando uma habituação da resposta comportamental ao estresse. 

Os resultados podem ter implicações para o tratamento da síndrome do estresse pós-traumático, em que o sono é invadido por pesadelos recorrentes a respeito de perigos que já não existem na realidade. Se uma das várias funções do sono é apaziguar os fantasmas do passado, talvez o sonho seja mesmo a arena mais adequada para sublimar o trauma.


ELETRICIDADE PARA CURAR O CÉREBRO



Ao buscar novos tratamentos para transtornos psiquiátricos é fundamental entender o funcionamento do cérebro. Por isso, estudiosos têm se empenhado em desvendar mecanismos e circuitos cerebrais envolvidos nos transtornos de ansiedade (TA). Dados do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas (HC) da Universidade de São Paulo (USP) mostram que 12% da população sofre desse tipo de patologia – a porcentagem representa quase 24 milhões de brasileiros. Por definição, ansiedade é a resposta adaptativa normal do organismo ao estresse. Há casos, porém, em que se torna incapacitante e patológica, apresentando-se de forma desproporcional – o medo de estímulos rotineiros como andar de ônibus, por exemplo. Entre os TA mais comuns estão o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), de pânico (TP), de estresse pós-traumático (TEPT), de ansiedade generalizada (TAG) e de ansiedade social (TAS). 

Embora existam tratamentos eficazes e seguros com medicamentos e psicoterapia cognitivo comportamental, aproximadamente 25% de pacientes com TA não respondem a eles. Dessa forma, com os avanços alcançados nos últimos anos em relação aos mecanismos neurobiológicos envolvidos nos transtornos de ansiedade, novas formas de intervenção têm sido propostas. É o caso da estimulação magnética transcraniana (EMT), desenvolvida há quase 25 anos pelo pesquisador Anthony Barker e seus colaboradores da Universidade de Sheffield, na Inglaterra. Hoje – quase três décadas depois – a técnica é considerada importante ferramenta para pesquisas no campo da neurociência. O método não invasivo de investigação e modulação da excitabilidade do córtex altera a atividade cortical por meio da produção de um campo elétrico induzido por um campo magnético gerado através de uma bobina colocada na superfície do crânio.

Considerando os circuitos cerebrais envolvidos nos casos de ansiedade patológica, estudos de neuroimagem vêm mostrando que, no TOC, são observadas anormalidades na atividade de estruturas corticais e subcorticais, como gânglios da base, córtex orbitofrontal (COF), área suplementar motora (ASM), córtex pré-frontal dorsolateral (CPFDL) e núcleo caudado. Além disso, pesquisas sobre ressonância magnética funcional (RMf) correlacionam o TOC com o nível de fluxo sanguíneo regional cerebral, sugerindo que os sintomas são causados pela redução da inibição da atividade de circuitos corticossubcorticais e hiperexcitabilidade do córtex pré-frontal (CPF). 

Já com relação ao transtorno de estresse pós-traumático, os estudos de RMf têm demonstrado anormalidades de atividade, particularmente no hemisfério direito, envolvendo o CPF, mais especificamente o córtex orbitofrontal (COF), o CPFDL e regiões límbicas, o que sugere a associação do TEPT com a hiperatividade da amígdala e hipoatividade no CPF. 

O mesmo tem sido observado com relação ao transtorno do pânico, já que estudos de Rmf revelam o mesmo comportamento do CPFDL e da amígdala. No caso do transtorno de ansiedade generalizada (TAG) e de ansiedade social (TAS), os estudos com RMf mostram anormalidades na atividade tanto da amígdala quanto do CPF ventrolateral direitos. Além disso, no TAG foram observadas anormalidades bilateralmente no córtex insular, no estriado e em áreas límbicas. 

Quando se fala em tratamento de transtornos de ansiedade, a estimulação magnética transcraniana repetitiva é considerada um método terapêutico relativamente novo, por isso ainda existem poucas evidências de sua eficácia. A maioria dos estudos foi realizada em pessoas com TOC e com TEPT e depois igualmente em menor número com pacientes diagnosticados com TD e pacientes com TAG. No entanto, somente foi observada eficácia da EMTr no tratamento do TOC e do TEPT em parte das investigações. No primeiro caso, a equipe chefiada pela psiquiatra Chiara Ruffini, da Universidade Vita-Salute San Raffaele, na Itália, verificou em 2009 que a aplicação de EMTr de baixa frequência (1 Hz) no COF esquerdo por dez minutos reduziu significativamente os sintomas de transtorno obsessivo-compulsivo por até 10 semanas após o fim do tratamento, com redução gradativa até 12 semanas do término. 

Esses achados mostram resultados satisfatórios mas não conclusivos da eficácia do EMTr como tratamento para os TA. Embora tenham sido observados resultados positivos, os parâmetros de tratamento como localização, frequência, intensidade e duração foram utilizados de forma assistemática, tornando difícil a interpretação dos resultados e fornecendo pouca orientação sobre se tais parâmetros podem ser úteis para o tratamento dos TA. Além disso, o uso da bobina placebo é importante na observação de diferenças entre os grupos. 

Uma possível explicação para o fato de apenas alguns estudos demonstrarem resultados positivos da EMTr no tratamento dos TA é a natureza focal da estimulação, com a probabilidade de só as camadas superficiais corticais serem afetadas diretamente. Atualmente, utilizando a tecnologia EMT, é possível estimular diretamente áreas corticais mais distantes, tais como OFC; discute-se também a possibilidade de estimular indiretamente através de ligações transinápticas áreas subcorticais, tais como o hipocampo, a amígdala e o estriado, que têm mais possibilidade de serem relevantes para a patogênese dos TA. Dessa forma, mais estudos devem ser realizados para investigar o papel da EMT no tratamento e na criação de protocolos de tratamento mais eficazes para os transtornos de ansiedade. Para que isso seja alcançado, os avanços tecnológicos atualmente disponíveis, como a combinação entre as técnicas de neuroimagem e a EMT, serão fundamentais.


JUVENTUDE E POLÍTICAS PÚBLICAS: ALGUMAS REFLEXÕES


É relativamente recente na sociedade brasileira a discussão acerca da importância da implementação de políticas públicas específicas para a juventude. Tal discussão é permeada por uma clara defesa dos jovens como sujeitos de direito (SPOSITO & CARRANO, 2003). Infelizmente, as políticas públicas para os jovens acontecem quando estes se tornam algum tipo de problema ou mesmo ameaça social, conforme exposto pelos autores Sposito e Carrano (2003, p.17): “Assim, somente quando alcançam a condição de problemas de natureza política e ocupam a agenda pública, alguns processos de natureza social abandonam o “estado de coisas”.

Algo que sempre vem à mente daqueles que passam por dificuldades é a falta de oportunidade que os subjugaram por toda a vida. O jovem da atualidade não deve se valer de atributos fáceis e baratos para entrar na vida do crime ou, até mesmo, acomodar-se com o pouco que lhe é conseguido com um emprego que não lhe possa dar um futuro melhor. Muitos são os exemplos da sociedade que provam que quando se quer algo, é possível conseguir de modo honesto e eficaz apesar das desigualdades presentes na relação educação-trabalho que colocam a maioria dos jovens em um patamar de “exclusão social” (NOVAES, 2003).

Dessa forma, de acordo Sposito e Carrano (2003), não podemos nos prender somente às questões de ordem profissional e educacional para determinamos políticas públicas para a juventude. Também deve se levar em conta os aspectos psíquico-biológicos que permeiam esta etapa da vida. Tudo isso porque os jovens são envoltos por um processo de mudança constante e, o que é mais importante, é um período fundamental da vida do indivíduo, em que será moldada a sua personalidade (BOURDIEU, 1983). Logo, para se criar uma política pública para juventude, primeiramente é necessário saber como um jovem elabora sua personalidade e quais os fatores e as pessoas que o influenciam. Também se deve conhecer este jovem, saber o que ele pensa, pois não faria sentido criar algo para ele sem realmente saber de suas verdadeiras necessidades (SPOSITO & CARRANO, 2003).

Tendo tudo isto em vista, o presente artigo abordará de forma sucinta, algumas questões consideradas pertinentes segundo alguns autores sobre a implementação e a prática das políticas públicas no universo juvenil.

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