O Orkut atualmente é caracterizado como uma das comunidades virtuais mais populares, principalmente no Brasil, já que segundo pesquisas é o país que possui o maior número de usuários no mundo inteiro, desde quando foi criado em 2004. Ele simboliza as grandes transformações ocasionadas pela informática por que têm proporcionado significativas mudanças nos hábitos comportamentais dos brasileiros, principalmente no que se refere às relações interpessoais, pois o Orkut tem se configurado como mais uma nova forma de sociabilidade no momento atual. Favorecendo que o conceito de comunidade seja reformulado, pois hoje comunidade não se refere apenas a realidades “reais”, mas também virtuais, pois é perceptível que o sentimento de pertença, a necessidade de ser reconhecido pelo outro, ultrapassam a delimitação de fronteiras.
Partindo disso, este artigo traz como problematização, pensar se é possível visualizar as manifestações da persona e sombra, através deste contexto virtual. Até por que, os perfis construídos no Orkut, trazem possibilidades de enxergar personas, como também, a sombra e suas respectivas projeções, uma vez que, dentro da Psicologia analítica, a persona é entendida como uma maneira do sujeito criar máscaras para lidar com o mundo externo, enquanto a sombra, como uma personalidade reprimida por conta de valores sócio – culturais impostos pela sociedade.
Para trabalhar esta temática, foi necessário compreender a composição histórica do Orkut e o seu funcionamento, na tentativa de tornar possível, analisar os perfis dos usuários e relacionar os conteúdos elaborados pelos mesmos, com os conceitos de persona e sombra.
Permitindo dessa maneira, discutir as possíveis repercussões positivas ou não que o Orkut pode trazer no processo de individuação dos integrantes, pois este site de relacionamento permite aos usuários reinventarem seus perfis, favorecendo a constante necessidade do sujeito em modificarem suas identidades neste ambiente. A grande questão que envolve este fato é até que ponto criar estas representações, sentir a necessidade de estar inserido nesta comunidade, buscando corresponder aos padrões que a mesma propõe, pode ou não trazer interferências no processo de individuação do sujeito, pois a constante busca de ter um padrão adequado ao que a sociedade exige, pode ocasionar que o usuário não reconheça sua individualidade, que por sua vez, nem sempre poderá ser a mais adequada para o seu contexto virtual.
Sendo assim, escolheu-se falar sobre o Orkut, por que é um site que visa formação de redes sociais virtuais na Internet, e sua popularização tem se tornado cada vez mais crescente, chegando a ter um número de usuários recordes no Brasil.O que se propõem a necessidade de pensar o tamanho fascínio e o sentimento de pertença que esta comunidade virtual tem promovido na vida dos brasileiros, permitindo assumir uma posição crítico - reflexiva a respeito do tema proposto, pois não deixa de fazer parte do cotidiano.
No aspecto social se faz necessário entender como o surgimento do Orkut e a sua popularização tem se constituído um dos mais significativos fenômenos culturais da atualidade, pois tem afetado todas as esferas de forma direta e indireta da vida social, tornando – se no decorrer dos anos, um espaço particularmente importante para as relações humanas, configurando novas formas de sociabilidade.
A partir disso, considero de fundamental relevância para a Psicologia acompanhar as mudanças culturais geradas pelo avanço tecnológico, concentrando-se tanto nos aspectos subjetivos quanto nos sociais, os quais, aliás, longe de se excluírem, estão intimamente ligados. No que se refere aos relacionamentos virtuais, não importa apenas constatar as influências sofridas, nem perceber como se manifestam a persona e sombra, mas descrever e refletir acerca das mesmas, discutindo as experiências dos usuários do Orkut, investigando os processos subjetivos a eles relacionados.
Desta forma, a pesquisa possibilitará apontar as possíveis nuances que estas novas formas de relações sociais ocasionam no processo de individuação do sujeito.
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Fonte: Psicologado

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