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segunda-feira, 14 de maio de 2012

QUANDO PENSAR DEMAIS ATRAPALHA




Do raiar do dia ao anoitecer, a vida é feita de decisões. Basta haver alternativas. Algumas decisões são simples, pois envolvem poucos fatores a considerar, e são resolvidas facilmente com um pouco de atenção e memória de trabalho, essa capacidade do cérebro de manter girando, para acesso imediato, umas três ou quatro informações, como bolas de malabarismo no ar. Por exemplo, ao decidir o que vestir para sair de casa, você leva em conta algumas questões: está calor? Há algum encontro importante previsto? Vai andar muito ou passará o dia na frente de um computador? Ao considerar essas informações, uma consulta rápida dos itens disponíveis no armário leva a uma decisão racional e, geralmente, acertada.

Quando há mais fatores envolvidos, contudo, tomar uma decisão ponderando conscientemente todas as alternativas pode ser um problema. Se você vai comprar um carro, por exemplo: você quer um novo ou usado? De qual marca? Qual cor? Por qual preço? Movido a álcool, gasolina, ou os dois? Motor 1.0, 1.2, 1.4, 1.6, 1.8 ou 2.0? Com ar-condicionado e direção hidráulica? Freios ABS? Com dezenas de informações a considerar atentamente, a memória de trabalho pede socorro: malabarista-mor das habilidades mentais, ela somente consegue lidar atentamente com até umas sete ou oito informações de cada vez. As demais escapam à atenção. Se você tentar decidir conscientemente nessa hora, julgando todas as combinações de todos os itens de todos os carros disponíveis e sua conta bancária, a chance de a melhor delas escapar à sua atenção e você se tornar mais um consumidor insatisfeito é muito grande.

O que fazer, então? Segundo psicólogos da Universidade de Amsterdã, na Holanda, tudo muda se, antes de tomar uma decisão complexa (mas depois de se informar a respeito!), você for passear, se ocupar com outra coisa; talvez dormir, como recomendam os americanos (“Sleep on it!”). Até para resolver problemas de matemática funciona: fazer antes qualquer coisa que desvie sua atenção da escolha a ser feita. Após a distração, as chances de uma boa opção, e de ficar contente com ela, são muito maiores do que se você tivesse ficado repassando conscientemente todas as alternativas.

Se isso soa irresponsável, lembre que deixar seu cérebro se virar sozinho, sem tentar prestar atenção em seus processos, é bem diferente de tomar decisões impulsivas. Deliberar sem prestar atenção consiste em deixar o cérebro rodar todas as informações adquiridas previamente sobre as alternativas, mas sem a limitação da supervisão atenta. O resultado da deliberação-sem-atenção, assim, é uma resposta não apenas de um raciocínio sobre quatro ou cinco informações, mas de todo um cérebro com acesso a todas as informações disponíveis, novas e antigas, suas preferências inatas e aprendidas, e até mesmo aquela lista enorme de itens sobre carros e contas bancárias. Se tem mais areia do que o caminhãozinho cerebral da atenção dá conta, melhor deixar o cérebro resolver o assunto escondido da supervisão atencional.

Para tomar decisões complexas, que envolvem muitos fatores, fica a dica da neurociência: informe-se bem para alimentar seus processos deliberativos e, depois... vá ao cinema, durma, passeie com os amigos: dedique sua atenção limitada a outras coisas menos complexas enquanto seu cérebro delibera, livre de supervisão. Quando ele chegar a um veredicto, você saberá – porque a resposta à pergunta “E aí, qual carro você vai comprar?” sairá naturalmente, como que por mágica...



O PODER DA MAQUIAGEM





São poucas as mulheres que se arriscam a sair de casa sem pelo menos uma cor nos lábios – ou levar um batom na bolsa, para casos de “emergência”. Não por acaso, mesmo em tempos de crise, a indústria dos cosméticos continua próspera. Bases e corretivos para as olheiras, blush e gloss são usados todos os dias por milhões de consumidoras no mundo todo. E não há novidade nisso, trata-se de uma prática milenar. No fundo, prevalece a crença de que um rosto mais colorido é sinal de beleza e aparência saudável – e, em última instância, nos tornará aceitas e bem tratadas. O curioso é que essa percepção encontra respaldo científico. Já há alguns anos, pesquisadores têm se dedicado a entender como a ação dos cosméticos influi na percepção e no comportamento da maioria das pessoas, provocando a impressão de que mulheres maquiadas com discrição e sem exageros são mais competentes, seguras e emocionalmente estáveis.

E isso se deve, pelo menos em parte, aos cosméticos. Cremes e bases corretivas, por exemplo, deixam a pele mais lisa, aumentam sua firmeza e brilho e eliminam impurezas. Resultado: as pessoas parecem mais jovens e, principalmente, mais saudáveis. Durante uma experiência na Universidade de Aberdeen, na Escócia, vários rostos femininos foram fotografados e, posteriormente, algumas imagens, com diferentes tipos de pele, foram mostradas a um grupo de homens. Foi solicitado que indicassem as fotos que, em sua opinião, correspondiam a mulheres com pele mais sadia. Depois disso, veriam os rostos inteiros e poderiam avaliar se de fato eram bonitos.

A experiência revelou que peles consideradas mais saudáveis eram justamente das pessoas classificadas como mais atraentes. Também foi observado que, quando uma mulher usa base, é vista como mais bonita e em melhores condições de saúde. O pesquisador Robert Mulhern e seus colegas da Universidade de Buckinghamshire, na Grã-Bretanha, pediram a alguns homens que avaliassem a beleza do rosto de algumas mulheres, com idade entre 31 e 38 anos. Antes da sessão de fotos, todas foram submetidas a uma limpeza profunda da cútis. Para evitar distorções, as imagens mostravam apenas o rosto de cada voluntária, e o penteado era idêntico. De acordo com o caso, a maquiagem foi feita nos olhos, nos lábios, na pele, em todo o rosto ou optou-se por não aplicar absolutamente nada. Os homens e as mulheres que viam as fotos deveriam dizer o quanto a pessoa fotografada parecia atraente, usando para isso escalas de avaliação da beleza. Também lhes foi pedido que indicassem a foto que consideravam mais fascinante dentre as cinco de cada modelo. Como era de prever, as avaliações positivas foram feitas principalmente quando a pintura tinha sido aplicada simultaneamente nos lábios, olhos e pele. A maquiagem dos olhos tinha poder de atração mais forte, seguida da pele e dos lábios. Mas a impressão de beleza era maior se apenas uma área do rosto estivesse enfatizada.

Obviamente, o uso dos produtos cosméticos surgiu em uma época em que o ser humano já tinha parcialmente se distanciado do rastro evolucionista para agir segundo critérios culturais ou de livre escolha. Mas este rompimento na escala evolutiva da nossa espécie é ainda suficientemente próximo para nos deixar sempre sensíveis a esses indícios que outrora eram essenciais na busca de um parceiro: saúde, juventude, simetria no rosto e capacidade de inspirar confiança. Parece que os cosméticos, e particularmente a maquiagem, ainda são capazes de suscitar as sensações que no passado eram indispensáveis.


segunda-feira, 7 de maio de 2012

DÉJÀ VU: MEMÓRIAS DE UM PASSADO DESCONHECIDO





Um lindo dia de sol. Você aproveita o tempo para passear no parque da esquina. Em suas andanças, tudo particularmente novo. Um homem vende pipocas para as crianças, as famílias brincam e fazem piqueniques. Lá no canto, um casal divide um sorvete... Para tudo! Você já viu esta cena antes, pode afirmar com toda a certeza. O jeito como eles estão sentados no banco, a cor do sorvete que dividem, até mesmo a roupa que estão usando. Uma experiência indescritível que atende pelo nome de Déjà Vu, do francês: Já Visto. 

Depois de alguns segundos de conexão com um passado indefinido, a sensação desaparece. Mas saiba que você não é o único a passar por este mistério. Pelo menos um terço da população mundial já teve um Déjà Vu (Que se pronuncia 'Deja Vi'). 

Sua definição foi proposta em 1983 pelo neuropsiquiatra americano Vernon Neppe. Para o estudioso, Déjà Vu era definido como uma impressão inapropriada de familiaridade com uma experiência presente, onde o ser humano não consegue explicar o que parece ser impossível. "A sensação acontece quando a memória envia uma falsa mensagem do que acabou de ver para o cérebro. Um erro na integração e no processamento da informação", define o psiquiatra Amaury Cantilino. 

A estudante de psicologia Melissa Dantas, 20 anos, teve o primeiro Déjà Vu ainda criança. "Estava na cantina do colégio, comprando um picolé, quando tive a sensação de já ter vivido aquilo antes". A experiência é marcante para a jovem desde então. "É como se fosse tudo visto em câmera lenta, eu vendo tudo acontecendo novamente. Dá uma angústia na hora, mas logo passa", descreve. 

Para Melissa, um Déjà Vu foi marcante em sua vida. "No dia em que meu tio morreu, eu já tinha visto tudo antes. Era como se eu tivesse vivendo intensamente todo aquele momento por duas vezes".

A jovem estudante de fotografia Ana Paes Leme, 17 anos, acredita que a sensação tem um lado ruim e outro bom. "É ótimo e curioso quando posso sentir algo pela segunda vez. Mas, quando o momento é desagradável, você quer evitar a sensação, o que é impossível".

Sensação experimentada por quase todos as pessoas em algum dia na vida, acende o sinal de alerta quando ocorre cronicamente e de forma idêntica. "O erro de processamento de informação pode ter causas em uma lesão no lobo temporal causada por uma epilepsia", atesta Amaury Cantilino.

Apesar de não ter idade nem hora de aparecer pelas nossas vidas, o Déjà Vu acontece com mais frequência na adolescência e começo da vida adulta. "Esta é uma fase com muitas migrações neuronais e desenvolvimento cerebral. O cérebro só alcança a maturidade entre 21 e 22 anos", ressalta Dr. Amaury. 

Períodos de estresse também são momentos oportunos para desencadear crises dissociativas (quando a percepção e a memória do cérebro não estão integradas). "O cérebro gasta tanta energia com apenas um foco, que as funções ficam perturbadas", completa o psiquiatra. 

RELIGIÃO - A presidente da Federação Espírita Pernambucana (FEP), Ednar Santos, acredita que as causas do Déjà Vu são as vivências do espírito, e não do corpo. "Quando estamos em estado de descanso, a alma emancipa-se e experimenta várias sensações. Pode viajar por vários países e até mesmo por outros planetas". 

Quando estamos no estado de vigília - consciente de tudo que acontece ao nosso redor - podemos nos lembrar daquilo que o espírito presenciou no nosso estado de descanso (na hora do sono). "Por isso que algumas pessoas têm aquela sensação de familiaridade com algo. O espírito já passou por esta situação em seu estado de emancipação", explica Ednar.

No vídeo abaixo, Ednar comenta as principais características do Déjà Vu para a religião espírita:
 

 O Déjà Vu no espiritismo também é visto como recordações de vidas passadas. "Algumas experiências de vidas passadas são tão marcantes para os espíritos que eles não conseguem esquecer e nós vemos na forma de Déjà Vu."

A sensação referente ao nosso espírito é chamada de anímica. Há também um outro tipo de Déjà Vu no espiritismo, o mediúnico. "O Déjà Vu mediúnico acontece quando uma entidade espiritual faz com que uma pessoa veja algo que a entidade gostaria de repassar", completa Ednar Santos.


Fonte: Ne 10

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

INTERNET: A MEMÓRIA EXTERNA DO NOSSO CÉREBRO

Estamos evoluindo juntamente com as nossas tecnologias.

Estudos realizados por pesquisadores da Harvard, University of Wisconsin-Madison e Columbia University nos Estados Unidos afirmam que a internet, mais especificamente a ferramenta de busca, virou a memória externa do nosso cérebro.

Os motores de busca, como o Google, são especialistas em fornecer o que precisamos em apenas um clique. Conhecimento acessível nos levou a memorizar o local onde podemos encontrá-lo ao em vez de processar os dados em si. Os participantes da pesquisa afirmaram que não se esforçavam para lembrar uma informação se sabiam que poderiam acessá-la mais tarde.

A mudança causada no nosso cérebro pela facilidade de acesso a dados tem seu lado positivo e negativo: levou nosso cérebro a ter preguiça de memorizar as informações que temos a um clique de distância, mas aumentou a nossa habilidade de busca e também criou a memória externa (que é do tamanho da web).

Somos tão bombardeados com informações e novidades a todo o momento que a opção escolhida pelo nosso cérebro foi fazer da rede um banco de dados pessoal.

Essa relação entre a memória e os motores de busca já era desenvolvida em menor escala entre as próprias pessoas. Leve como exemplo um casal. O marido confia que a esposa lembre datas importantes, como consultas médicas e aniversários, enquanto ela confia que ele lembre o pagamento da prestação do carro e nome de parentes distantes. Assim, ambos usam um ao outro como uma memória externa, evitando que a mesma informação se duplique e ocupe a memória.

A figura abaixo demonstra as mudanças ocorridas no cérebro pelo excesso de utilização dos motores de busca.


PERDA DE MEMÓRIA É DESCULPA DE BÊBADO?



Não lembro nada da noite passada”, mais conhecida como desculpa de bêbado, é uma frase comum de se escutar daqueles que exageram na bebida alcoólica. O pior é que não é uma mentira para encobrir os vexames cometidos naquela noite.

Amnésia alcoólica existe sim e quanto mais álcool é ingerido, menos memória é retida. A frequente ingestão de álcool de maneira abusiva pode até levar o esquecimento temporário a evoluir para a Síndrome de Korsakoff, perda da memória de curto-prazo.

“Apesar de existir uma barreira no cérebro que serve como proteção, o álcool penetra sem problemas. Quanto maior o teor alcoólico, mais o sistema nervoso é atingido”, explica Renato Sabbatini, neurocientista da Unicamp/SP.

No início, a bebida é um estimulante que faz você ficar “alegre”. Depois, o excesso de ingestão torna o álcool uma espécie de anestesia no sistema nervoso central, levando ao esquecimento.
Consumir álcool em jejum aumenta a chance do esquecimento temporário. Mulheres, jovens e idosos também são os mais afetados devido às condições físicas e hormonais. Quem faz uso de medicamentos controlados também são mais suscetíveis.

Portanto, se você não quer ser mais um a repetir as desculpas de bêbados, a solução é seguir o que os comerciais de bebidas já vêm falando há muito tempo: beba com moderação e responsabilidade.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

O QUE A PAIXÃO FAZ COM O NOSSO CORPO



Que o emocional age no nosso físico a gente já sabe.
Pela ciência, já podemos afirmar que:
  • A mágoa reduz o calibre dos vasos sanguíneos e eleva a pressão arterial.
  • A raiva aumenta a produção de interleucina 6 e proteína C reativa, substâncias inflamatórias relacionadas à arteriosclerose.
  • A ansiedade e a depressão aumentam em 40% os riscos de um evento cardíaco como um infarto.
Mas não são apenas coisas ruins que as emoções trazem! Na verdade, uma indicação médica muito interessante para viver muito e viver bem é a seguinte: sonhar, rir, cultivar amigos e ter bons sentimentos.

Outro sinal dessa ligação entre o físico e o emocional ocorre quando estamos apaixonados. O coração acelera, as mãos ficam suadas, vem o frio na barriga, bate a euforia e uma sensação de bem-estar.

De acordo com especialistas, a química cerebral provocada pela paixão é semelhante ao vício da cocaína. Forte, não é? O que ocorre é uma inundação de hormônios e substâncias, como a adrenalina, a oxitocina (chamada de hormônio do amor), a dopamina (gera prazer) e também as endorfinas (gera bem-estar).

Abaixo, um vídeo disponibilizado pelo programa “Mulheres”, da TV Gazeta,  tem a explicação da fisiologista Cibele Fabichak para todos os sintomas que a paixão causa no nosso corpo.

    O EFEITO DO QUE FALAMOS



    Gostamos de receber elogios. Sentimos-nos valorizados, aumenta a autoestima, talvez até mude o seu humor pelo resto do dia. Mas por que uma simples palavra faz tanta diferença?

    “O conteúdo de uma linguagem, aliado ao seu ritmo e entonação, ativa áreas do cérebro como o córtex pré-frontal, responsável pela cognição e pela memória, e o sistema límbico no hipotálamo, onde se processam os sentimentos’’ diz o psiquiatra Vladimir Bernik, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

    Colocando em palavras simples, o psiquiatra quis dizer que o que falamos e o jeito como falamos mexe com o cérebro e desencadeia certos sentimentos no ouvinte. Ou seja, as palavras têm o poder de estimular os sentimentos. O que você fala pode deixar alguém feliz, depressivo, esperançoso, desmotivado e por aí vai.

    “De acordo como é empregada, a palavra pode promover tanto uma ação terapêutica como desencadear sentimentos de angústia e a depressão”, complementa o especialista em medicina comportamental Ricardo Monezi, da Universidade Federal de São Paulo.

    Um exemplo de como as palavras são usadas em terapias pode ser visto na campanha ”Doe uma palavra”, já citada pelo Blog da Saúde. Voluntários escreviam palavras positivas, de amor e esperança que eram transmitidas a pacientes com câncer para transformar o modo como eles enfrentavam a doença. Para entender mais da campanha e conferir os resultados, veja o vídeo abaixo, ou leia a matéria clicando aqui.

    Sabemos que as palavras nos afetam ao escutarmos música. Às vezes começa a tocar aquele ritmo conhecido, você presta atenção na letra, lembra-se de um momento, as emoções vêm com tudo, bate a nostalgia… E por quê? “Quando as palavras são associadas a um ritmo, a uma melodia, elas atravessam o córtex cerebral e ativam diretamente o sistema límbico, onde moram as emoções”, justifica Ricardo Monezi.

    Tudo é uma questão de como lidamos com aquilo que escutamos. Por isso, é importante aprender como escutar para não sofrermos os efeitos negativos das palavras. “O ideal é filtrar somente as informações que acrescentem algo positivo, sejam críticas, elogios ou conselhos, e abstrair conteúdos pejorativos, preconceituosos ou maliciosos”, diz Monezi.

    Agora que você já sabe o efeito que as palavras têm e também já aprendeu a se blindar dos efeitos negativos, use o poder da palavra para fazer o dia de alguém melhor.

    PARA AS CRIANÇAS É IMPORTANTE TER A QUEM ODIAR


    O programa "Fale Comigo" desta semana fala sobre o papel do pai na criação de um filho.
    A sociedade vem colocando em declínio a ideia do pai como aquele sujeito violento e amedrontador. A função de provedor não é mais suficiente e o pai detentor de todo o poder familiar já não existe.
    No áudio abaixo, explico que outra função fundamental do pai: colocar limites nos filhos e aceitar seus eventuais sentimentos hostis, pois para o desenvolvimento infantil é importante ter a quem odiar e a quem amar.


    Querem saber mais? Ouçam o podcast na Rádio Folha:




    Por Luciana Saddi 

    quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

    ANVISA APROVA ANTICOAGULANTE DE USO ORAL PARA TRATAR AVC




    O único anticoagulante de uso oral que pode ser tomado com outras medicações, a rivaroxabana, já pode ser usado para prevenção de doenças vasculares como AVC (acidentes vasculares cerebrais), embolia sistêmica em pacientes com arritmia cardíaca, como a fibrilação atrial, e no tratamento de TEV (tromboembolismo venoso), conhecido como trombose.

    A liberação foi feita pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Em estudos feitos com o medicamento, o risco de recorrência de trombose profunda caiu pela metade.

    O Brasil é o país com maior número de mortes por derrame cerebral no continente. São quase 130 mil casos todos os anos, segundo dados da Ispor (Sociedade Internacional de Farmacoeconomia, na sigla em inglês).

    A fibrilação atrial é um tipo de arritmia cardíaca que atinge cerca de 1,5 milhão de brasileiros e é uma das principais causas de derrame cerebral, responsável por 20% de todos os casos registrados no país.

    A trombose que atinge entre uma e duas pessoas por grupo de mil habitantes no Brasil, compreende os casos de trombose venosa profunda e de embolia pulmonar. É caracterizado pela obstrução total ou parcial da veia por um coágulo, que impede o retorno do sangue ao coração da forma correta.

    SHAKESPEARE TEM MUITO A ENSINAR SOBRE MEDICINA




    O autor de peças clássicas como "Hamlet" e "Romeu e Julieta" não foi apenas um dos mais importantes dramaturgos da história. William Shakespeare (1564-1616) também tem muito o que ensinar sobre medicina, segundo o médico britânico Kenneth Heaton, da Universidade de Bristol, no Reino Unido.

    Os sintomas e as sensações de muitos personagens indicam que Shakespeare tinha uma noção particularmente aguçada do relacionamento entre mente e corpo.

    E essa característica parece ser quase única dele. Heaton analisou um número semelhante de peças e poemas contemporâneos de outros autores e notou que esse traço não era tão comum.
    "Shakespeare era excepcional no uso de distúrbios sensoriais para expressar perturbações emocionais", escreveu Heaton na revista "Medical Humanities".

    Ele estudou 42 obras do "Bardo" e 46 de outros autores, como John Marston.

    MÉDICOS MELHORES
    Ele argumenta: "Muitos médicos relutam em atribuir sintomas físicos à perturbação emocional. Isso resulta em atraso no diagnóstico, excesso de investigação e tratamento inadequado. Eles poderiam ser médicos melhores estudando Shakespeare."

    "Na minha carreira de gastroenterologista, vi muitos pacientes com sintomas funcionais, sem nenhuma causa orgânica, especialmente síndrome do cólon irritável. Perguntando a eles sobre suas vidas quando os sintomas começaram, ficou óbvio que era geralmente em momentos de angústia emocional, hoje chamada de estresse", disse Heaton à Folha.

    As mudanças sensoriais examinadas no comportamento e na descrição dos personagens de Shakespeare são induzidas por estresse, mas o texto nem sempre permite um diagnóstico preciso.

    Heaton descobriu cinco ou seis casos de vertigem ou tontura em obras de Shakespeare e só uma em outros autores; 11 ou 12 casos de falta de ar contra dois; três casos de surdez no britânico e nenhum nos seus contemporâneos; entre outros exemplos.

    "Esse estudo demonstrou que Shakespeare frequentemente usa sensações corporais desagradáveis como sinais de estresse mental e faz isso muito mais do que seus contemporâneos."

    Por exemplo, a heroína trágica Julieta sente "um fraco medo frio" passando por suas veias antes de tomar a poção que simularia sua morte.

    "Alguém sentindo frio devido ao medo fica pálido; a frieza e palidez de Julieta vêm da diminuição do fluxo de sangue através da pele."

    "Com demasiada frequência, cuidadores evitam tentar descobrir as emoções por trás de queixas físicas e preferem dar aos seus pacientes rótulos que evitam julgamento, como 'sintomas medicamente inexplicáveis'. Eles reconhecem o papel da ansiedade e da dor em gerar doenças orgânicas e de comportamento, mas negam o papel da emoção na produção dos sintomas", afirma.

    "Shakespeare pintou esses sintomas como reações humanas naturais aos estresses da vida", conclui o médico.  

    Fonte: Folha.com

    segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

    INJEÇÃO QUE PODE TRATAR ESQUIZOFRENIA CHEGA AO BRASIL NESTE MÊS


    Uma injeção que precisa ser tomada apenas uma vez por mês chega ao mercado brasileiro em dezembro e pode ajudar a contornar um dos principais problemas do tratamento da esquizofrenia: o abandono da medicação.


    "Muitas vezes o paciente não se dá conta de que está doente e corta a medicação. Uma alternativa que diminua a frequência de remédios ajuda na aderência e no controle da medicação", diz Helio Elkis, coordenador do Programa de Esquizofrenia do Hospital das Clínicas da USP.

    Aprovado em junho pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), o palmitato de paliperidona é o que se chama de antipsicótico --um remédio que ajuda a prevenir distúrbios característicos da doença.

    Um levantamento feito pelo Instituto de Psiquiatria do HC revelou que cerca de 50% das pessoas com esquizofrenia abandonam a medicação após um ano do início do tratamento.
    Essa interrupção pode agravar os sintomas da doença e favorecer o acontecimento de surtos psicóticos.

    Além dos fatores psicológicos, os muitos efeitos colaterais da medicação também são apontados como razão para que os pacientes abandonem os remédios.

    Os remédios, sobretudo os mais antigos, podem desencadear desde aumento de peso até rigidez muscular e um quadro de tremores parecido com o do mal de Parkinson.

    O excesso de saliva e a dificuldade de controlá-la, que deram o apelido pejorativo de "louco babão" aos afetados, derivam, na verdade, da medicação, e não são sintomas naturais do transtorno.

    Para controlar esses efeitos indesejáveis, muitos pacientes usam conjuntamente outros medicamentos.

    COQUETEL
    Como no Brasil a maioria das pessoas com esquizofrenia toma antipsicóticos em forma de comprimidos diários, é comum que haja um verdadeiro "coquetel" de pílulas, facilitando o esquecimento e até o abandono da medicação pelos pacientes.

    "Diminuir a quantidade de remédios é algo bom, mas eu diria que a maior vantagem do palmitato de paliperidona é a redução dos efeitos colaterais", diz Rodrigo Bressan, coordenador do Proesq (Programa de Esquizofrenia) da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

    Embora menores, as reações adversas também acontecem com os usuários.
    Um estudo com o remédio publicado na revista especializada "Schizophrenia Research" lista, entre outras coisas, ganho de peso, dores de cabeça e insônia.

    Ainda assim, como em boa parte dos remédios recentes, esses efeitos foram menos intensos do que nos da primeira geração de antipsicóticos.

    O TRANSTORNO
    Os mecanismos que causam a esquizofrenia --transtorno que afeta cerca de 1% da população mundial, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde)-- ainda não foram totalmente esclarecidos. Sabe-se, no entanto, que existe um componente hereditário forte.

    Filhos de esquizofrênicos têm mais chances de desenvolver a doença, embora ela também apareça em pessoas sem histórico familiar.

    O transtorno costuma se manifestar entre o fim da adolescência e o início da vida adulta. Em geral, os sintomas aparecem nas mulheres de forma um pouco mais tardia do que nos homens.

    Além das manifestações mais conhecidas, como alucinações auditivas e visuais, pessoas com esquizofrenia podem apresentar diminuição da capacidade de raciocínio, abstração, perda de interesse em atividades que antes eram prazerosas e quadros de depressão.

    domingo, 27 de novembro de 2011

    MEDITAÇÃO AJUDA A PROTEGER O CÉREBRO DE DOENÇAS PSIQUIÁTRICAS, DIZ ESTUDO



    Pessoas que têm experiência em meditação parecem ser capazes de “desligar” áreas do cérebro associadas a devaneios, transtornos psiquiátricos (como esquizofrenia) e autismo, segundo um novo estudo de imagens cerebrais feito por pesquisadores da Universidade Yale, nos EUA. O trabalho foi publicado esta semana na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).
    A capacidade da meditação em ajudar indivíduos a manter o foco no presente tem sido associada a maiores níveis de felicidade, destacou o principal autor da pesquisa e professor assistente de psiquiatria em Yale, Judson A. Brewer.
    Entender como funciona a meditação pode ajudar na investigação de uma série de doenças, afirmou Brewer. "Essa prática tem se mostrado capaz de amenizar vários problemas de saúde, ao contribuir para que pessoas parem de fumar, lidem melhor com o câncer e até mesmo evitem a psoríase", enumerou o cientista.
    A equipe de Yale realizou exames de ressonância magnética funcional em pessoas experientes e novatas na meditação, enquanto elas praticavam três diferentes técnicas de esvaziar a mente dos pensamentos.
    Os pesquisadores descobriram que meditadores experientes tiveram uma redução da atividade em áreas cerebrais da chamada rede neural de modo padrão, que tem sido associada a lapsos de atenção e distúrbios como ansiedade, deficit de atenção e hiperatividade, e até acúmulo de placas senis na doença de Alzheimer.
    A queda da atividade nessa rede, que engloba a parte medial do córtex cingulado pré-frontal e posterior, foi percebida nos participantes mais experientes, independentemente do tipo de meditação que faziam.
    Os exames de imagem também mostraram que, quando a rede neural era ativada, regiões cerebrais associadas ao automonitoramento e ao controle cognitivo foram acionadas nos meditadores de longa data, mas não nos novatos. Isso pode indicar que os primeiros estão constantemente acompanhando e suprimindo o surgimento de divagações e pensamentos sobre si mesmos. Em formas patológicas, esses estados são associados a doenças como autismo e esquizofrenia.
    Os participantes mais experientes fizeram isso durante a meditação e também quando estavam descansando. Isso indica que eles desenvolveram um modo padrão "novo", em que há uma maior consciência no presente e menos foco no "eu", ressaltam os pesquisadores.
    "A capacidade da meditação em ajudar as pessoas a permanecer no presente tem sido parte de práticas filosóficas e contemplativas há milhares de anos", disse Brewer. "Por outro lado, as marcas de muitas doenças mentais são uma preocupação com os próprios pensamentos, condição que a meditação parece atingir. Isso nos dá algumas pistas de como os mecanismos neurais podem atuar clinicamente”, conclui o autor.

    quinta-feira, 3 de novembro de 2011

    QUANDO O SEU TERAPEUTA ESTÁ A APENAS UM CLIQUE DE DISTÂNCIA


    Melissa Weinblatt, 30, uma professora colegial do Oregon, costumava fazer tratamento psicológico da maneira convencional --no consultório, face a face com o psicólogo. Hoje, com seu novo médico, ela disse que pode ter uma sessão na frente do computador tomando o café da manhã ou antes de sair à noite.

    Serviços de videofone como Skype e sites de terceiros como CaliforniaLiveVisit.com tornaram as sessões on-line cada vez mais acessíveis para pacientes psiquiátricos. Um site de terapia on-line, Breakthrough.com, disse que registrou 900 psiquiatras, psicólogos, conselheiros e treinadores em apenas dois anos.

    "Em três anos isto vai decolar como um foguete", disse Eric Harris, advogado e psicólogo que dá consultas pela American Psychological Association Insurance Trust.

    "Todo mundo vai ter disponibilidade audiovisual em tempo real. Haverá um grupo de verdadeiros fiéis que acharão que estar em uma sala com o cliente é especial e que não se pode replicar isso em um envolvimento remoto", disse. "Mas muita gente, especialmente jovens clínicos, sentirão que não há base para se pensar assim. De todo modo, os padrões profissionais adequados terão de ser seguidos."

    Weinblatt disse que prefere as sessões on-line ao antigo modelo. "Existe um conforto em carregar seu médico com você como um cobertor de segurança", disse ela. "E, como ele fica mais acessível, sinto que preciso menos dele."

    O tratamento on-line inverte um elemento básico da relação terapêutica: o contato visual. Paciente e terapeuta geralmente olham para o rosto do outro na tela do computador. Mas em muitos casos a câmera fica em cima do monitor, e então os olhares ficam desviados. Vários estudos concluíram que a satisfação do paciente com a interação face a face e a terapia on-line é estatisticamente semelhante. Psicólogos dizem que certas condições poderiam ser adequadas para o tratamento on-line, incluindo agorafobia, ansiedade, depressão, distúrbio obsessivo-compulsivo e terapia comportamental cognitiva.

    Mas há muitas perguntas. Como o seguro deve reembolsar a terapia on-line? As sessões de videoconferência são gravadas? São à prova de hackers? E se os pacientes tiverem colapsos?
    Marlene M. Maheu, fundadora do Instituto de Saúde TeleMental, que treina provedores, disse: "É mais complexo do que as pessoas imaginam. O website de um provedor pode dizer: 'não lido com pacientes que têm tendências suicidas'. Mas é nosso trabalho avaliar os pacientes, e não lhes pedir para se autodiagnosticarem".
    Ela pratica a terapia on-line, mas defende proteções ao consumidor e um treinamento rigoroso para os terapeutas. Johanna Herwitz, uma psicóloga de Nova York, experimentou o Skype para aumentar a terapia face a face. "Ele cria essa versão inferior e perversa da intimidade", disse. "O Skype não desinibe terapeuticamente os pacientes para que baixem a guarda e assumam riscos emocionais. Eu decidi não fazer mais isso."
    Heath Canfield, psiquiatra do Colorado, usa o Skype para continuar a terapia com alguns pacientes de seu antigo consultório na Costa Oeste. "Não é a mesma coisa que estar lá, mas é melhor que nada", disse. "E eu não trataria dessa maneira pessoas gravemente doentes."

    As armadilhas da videoconferência com doentes mentais graves ficaram claras para Michael Terry quando ele fez avaliações para pacientes nas ilhas Aleutas, no Alasca.

    "Certa vez eu estava usando um jaleco branco, e a parede atrás de mim era branca", disse Terry, que é professor na Universidade de San Diego. "Meu rosto ficou escuro por causa do contraste, e o paciente pensou que estivesse falando com o diabo."


    Fonte: Folha.com

    sexta-feira, 21 de outubro de 2011

    BAIXA FIDELIDADE


    Históricos da web, torpedos e e-mails equivocados são fontes de devastação amorosa; a vida digital tornou o conceito de traição mais elástico.

    Escrevi os originais de meu mestrado em uma máquina de escrever. Tive um fax modem e joguei Donkey Kong. Juro que já existiram pessoas pagando fortunas por um celular tipo tijolo depois de esperar a vida toda por um telefone fixo. Sei o que é a internet antes da banda larga. Vi, com estes olhos que a terra há de comer, o primeiro video--clipe, se é que você pode imaginar um tempo no qual não existia a MTV. Assisti à morte do vinil, da indústria fotográfica e fonográfica. Cala fundo em mim a lenta agonia do CD. Sou da época em que computadores tinham sólida e insuperável identidade: 286, 386, 486. Deveria haver algum privilégio em ser da primeira geração, ou pelo menos algum orgulho de ter vivido alguma coisa pela primeira vez.

    O filme Meia-noite em Paris, de Woody Allen (2011), explora justamente esse fascínio retrospectivo causado pelas gerações que inventaram coisas que pareciam fazer a vida valer a pena: a era áurea do jazz e do surrealismo nos anos 20, o filme noir e suas divas dos 40, o existencialismo sartriano do pós-guerra, a turma beatnik da contracultura. Eu me contentaria em ter assistido ao Dark side of the moon ou visto os Beatles. Serve The Who ou Stones. Estaria satisfeito até mesmo com bossa-nova, jovem guarda e tropicália. Se não for possível troco tudo por alguns seminários de Lacan ou Foucault.

    Pressinto que as gerações vindouras olharão para trás a nos respeitar como aquela turma dos antológicos e inesquecíveis Google, Facebook e Wikipedia. Somos os primeiros a viver esta vida digital e os últimos a lembrar como éramos antes disso. Mas será que alguém realmente vai cobiçar a
    experiência inédita de ver aparecer na sua frente, magicamente, um e-mail? Antigamente havia uma propaganda que dizia: o primeiro sutiã a gente nunca esquece. Se não me engano foi vencedora do Leão de Ouro do festival de Cannes nos anos 80. A fórmula funciona, mas não é por causa do sutiã, é por recuperar a força insondável, que habita cada um de nós, em torno da primeira vez.

    Somos absolutamente fiéis à primeira vez, para o bem e para o mal. Acho que não foi por outro motivo que Freud estabeleceu esta regra de ouro clínica de que é preciso prestar muita atenção às comunicações iniciais do paciente. Fixar bem as primeiras sessões. Reter a forma precisa na qual algo é dito pela primeira vez. Perto da primeira vez, as outras são apenas cópias impuras e mal-acabadas. É por isso que o passado se torna nosso baú fetichista. Nele podemos imaginar a primeira vez que presidiu a constelação de desejos que nos concebeu. A forma mais pura e intangível da primeira vez, antes mesmo que ela tenha existido para nós, a arquiprimeira vez, a mãe de todas as primeiras vezes.

    Acontece que é difícil permanecer fiel a uma experiência cuja verdade nos é desconhecida e, principalmente, uma coisa que parece feita para destruir todas as fidelidades constituídas. No fundo, a maior parte desta novidade que é a vida digital segue a máxima mais do mesmo: trabalhar mais, mais rápido, mais interligado, mais fácil, mais solitariamente – mesmo acompanhado. Mas há uma coisa na qual ela realmente inovou: no modo de destruir fidelidades. Históricos da web, torpedos mal apagados, e-mails equivocados são fontes permanentes de devastação amorosa. A vida digital tornou o conceito de traição imensamente mais elástico, flexível e discutível, disponibilizando o resgate nunca antes possível de figuras de nosso histórico desejante mais longínquo. Ou seja, uma enxurrada de primeiras vezes, para todos os gostos e sabores, do pré-primário ao colegial (leia-se ensino médio). Espero que não, mas acho que seremos lembrados como a geração que inventou a baixa fidelidade generalizada.

    EM BUSCA DE PISTAS ORGÂNICAS



    Qualquer pessoa que passa alguns momentos com uma criança autista logo percebe os principais traços de seu comportamento: ausência de contato visual, tendência a mover objetos de forma circular, reações desproporcionais e dificuldade de compreender emoções alheias e de expressar os próprios sentimentos. Essas características, porém, não são perceptíveis até o quarto ou quinto ano de vida, o que torna o diagnóstico precoce muito difícil.

    “Perdemos uma valiosa oportunidade de tratamento no período em que o cérebro ainda apresenta uma tremenda plasticidade”, diz o professor de neurobiologia e psiquiatria David G. Amaral, da Universidade da Califórnia em Davis. Ele é um dos muitos cientistas empenhados em desenvolver técnicas para identificar o problema nos primeiros 6 meses ou, quem sabe, até mesmo logo após o nascimento.

     Os resultados das pesquisas estão ampliando a compreensão do distúrbio e alimentando a esperança de uma futura terapia − específica e precoce − que poderia melhorar as perspectivas do autista na infância, adolescência e idade adulta.

    Em 2005, Amaral apresentou resultados preliminares de
    sua pesquisa no Encontro Internacional para a Pesquisa do Autismo, em Boston. Sua equipe comparou amostras de sangue de 70 autistas entre 4 e 6 anos com as de outras 35 crianças saudáveis. Nas primeiras eles observaram uma proporção mais alta de duas células imunológicas, os linfócitos B e T, além de diferenças significativas em mais de 100 proteínas e pequenas moléculas normalmente encontradas na corrente sanguínea. Depois de uma análise minuciosa, os pesquisadores concluíram que as evidências eram fortes o suficiente para justificar uma investigação em larga escala.

    Amaral dedica-se no Projeto Autismo, chefiado por ele no Instituto de Análise Médica dos Transtornos do Desenvolvimento Neurológico da Universidade da Califórnia. O objetivo é analisar as proteínas plasmáticas, o sistema imunológico, estruturas e funções cerebrais e as condições genéticas e ambientais de 900 crianças autistas, metade delas com atrasos significativos do desenvolvimento, que serão acompanhadas por vários anos. O pesquisador tem esperança de que marcadores biológicos, genéticos ou não, sinalizem o problema talvez já nos primeiros meses de vida. “É possível que algumas crianças nasçam com uma predisposição genética, sendo necessário o contato com algum fator ambiental que desencadeie o transtorno”, diz Amaral.

    A suspeita da influência ambiental existe porque, por algum motivo ainda desconhecido, a prevalência de autismo é particularmente alta nos Estados Unidos, onde se estima que uma em cada 100 crianças sejam afetadas. “Além disso, a enorme variação dos sintomas é algo que nos leva a acreditar que o autismo constitui um grupo de transtornos, isto é, há vários autismos, não apenas um”, afirma Amaral. Segundo ele, a pesquisa de marcadores biológicos talvez possa identificar esses possíveis subtipos. Os especialistas em comportamento concordam; muitos preferem a expressão “transtornos autistas” em vez de simplesmente “autismo”.

    terça-feira, 18 de outubro de 2011

    ESTRESSE PREJUDICA DESENVOLVIMENTO DE BEBÊS PREMATUROS


    O estresse de ficar em uma unidade de terapia intensiva neonatal resulta em cérebros menores e funcionamento neurológico irregular para muitos bebês prematuros, sugere um estudo de pequena escala. Além disso, quanto maior for o estresse sentido, maior será a consequência.

    Cientistas da Universidade de Washington, em St. Louis, estudaram 44 bebês nascidos antes da 30ª semana de gestação. Os pesquisadores registraram o número de fatores causadores de estresse experimentados pelos recém-nascidos usando uma lista de 36 procedimentos com características invasivas variáveis, de troca de fraldas a inserção de acesso intravenoso.

    Ao atingirem idade equivalente ao final de uma gravidez normal, de 36 a 44 semanas, eles foram submetidos a exames de ressonância magnética e testes de comportamento. O estudo foi publicado online na semana retrasada, na revista "The Annals of Neurology".

    Após levar em conta a prematuridade no nascimento e a gravidade da doença, os registros mais altos na escala de estresse estavam associados à redução no tamanho do cérebro e ao desempenho ruim nos exames. Não havia relação entre o número de fatores causadores de estresse e os danos cerebrais.

    "Nós temos que nos concentrar menos em apenas ministrar medicações para dor e realizar intervenções médicas sérias e mais em uma abordagem centrada no desenvolvimento", afirmou Terrie Inder, autor sênior do estudo e professor de pediatria. "Esses bebês precisam de oportunidade para descansar, se recuperar e ser alimentados e poder crescer", disse.

    Fonte: Folha.com