Um lindo
dia de sol. Você aproveita o tempo para passear no parque da esquina. Em suas
andanças, tudo particularmente novo. Um homem vende pipocas para as crianças,
as famílias brincam e fazem piqueniques. Lá no canto, um casal divide um
sorvete... Para tudo! Você já viu esta cena antes, pode afirmar com toda a
certeza. O jeito como eles estão sentados no banco, a cor do sorvete que
dividem, até mesmo a roupa que estão usando. Uma
experiência indescritível que atende pelo nome de Déjà Vu, do francês:
Já Visto.
Depois de alguns segundos de conexão com um passado indefinido,
a sensação desaparece. Mas saiba que você não é o único a passar por este
mistério. Pelo menos um terço da população mundial já teve um Déjà Vu (Que
se pronuncia 'Deja Vi').
Sua definição
foi proposta em 1983 pelo neuropsiquiatra americano Vernon Neppe. Para o
estudioso, Déjà Vu era definido como uma impressão inapropriada de
familiaridade com uma experiência presente, onde o ser humano não consegue
explicar o que parece ser impossível. "A sensação acontece quando a
memória envia uma falsa mensagem do que acabou de ver para o cérebro. Um erro
na integração e no processamento da informação", define o psiquiatra
Amaury Cantilino.
A
estudante de psicologia Melissa Dantas, 20 anos, teve o primeiro Déjà Vu ainda
criança. "Estava na cantina do colégio, comprando um picolé, quando tive a
sensação de já ter vivido aquilo antes". A experiência é marcante para a
jovem desde então. "É como se fosse tudo visto em câmera lenta, eu vendo
tudo acontecendo novamente. Dá uma angústia na hora, mas logo passa",
descreve.
Para
Melissa, um Déjà Vu foi marcante em sua vida. "No dia em que meu tio
morreu, eu já tinha visto tudo antes. Era como se eu tivesse vivendo
intensamente todo aquele momento por duas vezes".
A jovem
estudante de fotografia Ana Paes Leme, 17 anos, acredita que a sensação tem um
lado ruim e outro bom. "É ótimo e curioso quando posso sentir algo pela
segunda vez. Mas, quando o momento é desagradável, você quer evitar a sensação,
o que é impossível".
Sensação
experimentada por quase todos as pessoas em algum dia na vida, acende o sinal
de alerta quando ocorre cronicamente e de forma idêntica. "O erro de
processamento de informação pode ter causas em uma lesão no lobo temporal
causada por uma epilepsia", atesta Amaury Cantilino.
Apesar de não ter idade nem hora de aparecer pelas nossas vidas,
o Déjà Vu acontece com mais frequência na adolescência e começo da vida adulta.
"Esta é uma fase com muitas migrações neuronais e desenvolvimento
cerebral. O cérebro só alcança a maturidade entre 21 e 22 anos", ressalta
Dr. Amaury.
Períodos de estresse também são momentos oportunos
para desencadear crises dissociativas (quando a percepção e a memória
do cérebro não estão integradas). "O cérebro gasta tanta energia com
apenas um foco, que as funções ficam perturbadas", completa o
psiquiatra.
RELIGIÃO
- A presidente da Federação Espírita Pernambucana (FEP), Ednar Santos,
acredita que as causas do Déjà Vu são as vivências do espírito, e não do corpo.
"Quando estamos em estado de descanso, a alma emancipa-se e experimenta
várias sensações. Pode viajar por vários países e até mesmo por outros
planetas".
Quando
estamos no estado de vigília - consciente de tudo que acontece ao nosso redor -
podemos nos lembrar daquilo que o espírito presenciou no nosso estado de
descanso (na hora do sono). "Por isso que algumas pessoas têm aquela
sensação de familiaridade com algo. O espírito já passou por esta situação em
seu estado de emancipação", explica Ednar.
No vídeo
abaixo, Ednar comenta as principais características do Déjà Vu para a religião
espírita:
O Déjà Vu no espiritismo também é visto como recordações de vidas passadas.
"Algumas experiências de vidas passadas são tão marcantes para os
espíritos que eles não conseguem esquecer e nós vemos na forma de Déjà
Vu."
A sensação referente ao nosso espírito é chamada de anímica. Há
também um outro tipo de Déjà Vu no espiritismo, o mediúnico. "O Déjà Vu
mediúnico acontece quando uma entidade espiritual faz com que uma pessoa veja
algo que a entidade gostaria de repassar", completa Ednar Santos.
Fonte: Ne
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