O processo de globalização transforma o cotidiano das nações, das
organizações e das pessoas. Esse processo é gerador de mudanças na medida em
que provoca o inesperado, o incerto e a ausência de controle e limites, o que o
torna uma força geradora de incertezas e riscos. O desemprego, no mundo
globalizado, tem assumido proporções alucinantes e está entre os problemas
sociais mais graves. (Paula e Silva, 2005 apud Aguiar, 2010).
Segundo Paula e Silva (2010) o sistema capitalista, no seu impacto por
acumulação de capital, provoca o descarte em massa de trabalhadores do processo
produtivo, com consequências negativas diversas para a sociedade, entre elas o
desemprego.
Em tempos passados, um tempo longo de trabalho na empresa era sinônimo
de dedicação, lealdade e compromisso com o trabalho e com a empresa. Essa
lógica não se adequou aos cenários pós-reestruturação, derivados de demissões
coletivas, enxugamentos e cortes. Nesse novo quadro as demissões são mais
freqüentes, integrando um processo de construção da identidade profissional com
maior intensidade do que nas relações de trabalho anteriores. (Machado, 2004 apud Caldas, 2000).
Na medida em que há uma articulação entre trabalho e identidade, o
trabalho se torna um dos elementos importantes na construção de
auto-representações por parte dos indivíduos, definindo suas lógicas de ação. “O
trabalho é um meio para o indivíduo realizar uma tarefa e estabelecer
relacionamentos com outros indivíduos, sendo que a inserção no mundo do
trabalho aparece como resultado de uma vida ‘adaptada’ e ‘normal’ ”.
(Machado, 2004)
Paula e Silva (2010 apud Minarelli, 1995) diferenciam
trabalho de emprego. Para eles, emprego é do empregador, daquele que empreende
um negócio. Em contrapartida, o Trabalho corresponderia a qualquer atividade
humana desenvolvida com propósitos e finalidades e não implicaria necessariamente
qualquer tipo de vínculo empregatício. Partindo desse pressuposto, Paula e
Silva (2010 apud Milkovich, 2000) pensam que, para que ocorra
a demissão, faz-se necessário o estabelecimento de um vínculo empregatício
entre empregado e empregador. “As demissões são o término do emprego de
trabalhadores permanentes ou temporários, por iniciativa do empregador ou do
próprio empregado”.
Segundo Dejours (2007) o trabalhador não chega a
seu local de trabalho como uma máquina nova. Ele possui uma história pessoal
que se concretiza por meio de certa qualidade de suas aspirações, de seus
desejos, de suas motivações, de suas necessidades psicológicas, os quais
integram sua história passada. Isso confere a cada indivíduo características
únicas e pessoais.
Para Machado (2004 apud Schirato, 2000), “além de
uma relação voltada para a produção do trabalho e para o lucro, dentro das
organizações há grupos com relações afetivas, com ligações em torno de
interesses comuns, por vezes até contrários aos interesses da organização”.
Nesse sentido, como salienta Machado (2004 apud Jacques,
1997), há uma articulação indispensável entre trabalho e identidade, tanto no
plano pessoal, quanto social e profissional. Assim, os espaços de trabalho vão
se constituir em oportunidades para aquisição de atributos qualificativos da
identidade de trabalhador.
A auto categorização do indivíduo, enquanto
integrante do grupo em que trabalha, estabelece-se por meio de sentimentos de
vinculação e diferenciação. Desligar-se do trabalho e consequentemente do
grupo, representa uma ruptura desse processo, que pode dar lugar a uma
incerteza subjetiva, a menos que o desligamento tenha sido antecipadamente
planejado. Portanto, a demissão não constitui um fato isolado, senão uma
interrupção nessa construção psicológica decorrente da associação trabalho e
identidade. (Machado, 2004).
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Fonte: Psicologado

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