quarta-feira, 14 de março de 2012

UM RETRATO DA ADOLESCÊNCIA: EU, CRISTIANE F., 13 ANOS, DROGADA E PROSTITUÍDA


Na década de 70, a Alemanha Ocidental era um país de primeiro mundo, superindustrializada e considerada o espelho do Capitalismo. Não existiam mendigos nem famintos, mas o número absurdo de crianças e adolescentes que dormiam na rua, se drogavam e se prostituíam tornou-se um fenômeno ao qual a sociedade estava cética e pouco interessada. Por que tantos menores eram por ela ignorados? O que os levou a se tornarem um “lixo social”? Seria a família de pais violentos, alcoólatras, “trapaceiros” e abandonadores? O lar sujo, sombrio, desumano, sem nenhuma higiene, conforto e lazer? Enfim, o preço do crescimento capitalista era deixar que o futuro dessa sociedade em “evolução” morresse antes mesmo dos 20 anos.

Que motivos tem a sociedade para não modificar as suas rígidas estruturas, para empenhar-se em mantê-las tal qual, mesmo quando o indivíduo muda? Que conflitos conscientes e inconscientes levam os pais a ignorar ou a não compreender a evolução do filho? O problema mostra assim o outro lado, escondido até hoje debaixo do disfarce da adolescência difícil: é o de uma sociedade, às vezes, frente à onda do crescimento, lúcida e ativa, que lhe impõe a evidência de alguém que quer atuar sobre o mundo e modifica-lo sob a ação de suas próprias transformações. (ABERASTURY, 1981, p.16).

A Adolescência

O adolescente é um ser social e individual, que possui suas dúvidas, angústias e desejos. Quer ter a liberdade de sentir amor e ódio, dependência e independência. Quer mostrar que sabe das coisas e busca aprender mais e mais. Quer construir sua própria família um dia, sem deixar de ter seus pais ou simplesmente quer aproveitar a vida da forma mais normal e naturalmente possível.

Para Erikson “a adolescência é um período fundamental no desenvolvimento do eu, já que as mudanças físicas, psíquicas e sociais levarão o adolescente a uma crise de identidade cuja resolução contribuirá para a consolidação da personalidade adulta” (ERIKSON apud CALL, 2004 p.313). Com relação a estas crises, Erikson dirá que elas se originam do contato social, primeiro com a família, que é a mais próxima e a que mais facilmente terá influências na conduta do adolescente e, em seguida, a sociedade em si, que intervém muito na sua conflitiva.
A sociedade, mesmo manejada de diferentes maneiras e com diferentes critérios sócio-econômicos, impõe restrições à vida do adolescente. O adolescente, com a sua força, com a sua atividade, com a força reestruturadora da sua personalidade, tenta modificar a sociedade que, por outra parte, está vivendo constantemente modificações intensas. Tendo consciência da alteração que significa o que afirmo, é possível dizer que se cria um mal-estar de caráter paranóide no mundo adulto, que se sente ameaçado pelos jovens que vão ocupar esse lugar e que, portanto, são reativamente deslocados. O adulto projeta no jovem a sua própria incapacidade em controlar o que está acontecendo sócio-politicamente ao seu redor e tenta, então, deslocalizar o adolescente. (ABERASTURY, 1981, p.53).

O mundo adulto hostiliza o adolescente em virtude de todas essas situações conflitivas que ele passa, transferindo para àquele uma atitude paranóide e moralista. Assim, se para nós, adultos “construídos” já é difícil manter a moratória imposta sobre nossos desejos, que dirá para um adolescente em formação, que quer liberar toda sua energia e seus desejos.

Peter Bloss nos mostra que a adolescência é uma fase na qual ocorrerá um segundo processo de individuação, ou seja, em vez de os pais se aproximarem emocionalmente dos seus filhos, eles irão se distanciar, dando espaço para que possam se aproximar aos iguais e criar seus vínculos afetivos. Se as figuras parentais estão internalizadas e incorporadas à personalidade do sujeito, então este pode começar seu processo de individuação.

Com base no desenvolvimento do eu e a crise de identidade de Erikson e a individuação e o processo de construção da identidade de Bloss, tentaremos trazer a luz o fenômeno punk da Alemanha dos anos 70, retratado no filme Eu, Cristiane F. -13 anos- Drogada e Prostituída.

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