terça-feira, 9 de agosto de 2011

NIETZSCHE, SPINOZA E JUNG: REFLEXÕES SOBRE A CLÍNICA DE PSICOTERAPIA


Nosso objetivo é correlacionar as atividades na Clínica de Psicoterapia e as teorias dos filósofos Nietzsche e Spinoza, a fim de enriquecer o trabalho na Clínica de Psicoterapia. Nosso modo de compreender o processo terapêutico não exclui o corpo físico, aliás, a percepção sensorial (senso-percepção) deve ser ativada, conscientizada e “educada” no processo terapêutico. Enquanto Nietzsche enfatiza o corpo como “uma superfície de inscrição dos acontecimentos, um lugar de dissociação do "eu", marcado de história”, Espinosa considera o corpo e a “alma” (ou psique) como uma mesma essência. Incentivar a consciência corporal nos seus múltiplos atravessamentos – historicidade e alma – ajuda o paciente a conectar partes de si mesmo e de sua constituição cultural, de modo a ampliar sua rede de possibilidades psíquicas, de modo a construir novas possibilidades da subjetividade coletiva e pessoal.

A sociedade ocidental foi formada com base no pensamento platônico, segundo o qual existem dois mundos: um concreto e habitado pelo homem cotidiano e outro mundo Ideal e inatingível. Deleuze (2006), diz que Platão, em seu mundo ideal, coloca a Idéia antes da experiência direta, como se existisse um pensamento de qualidade universal. Para Platão, o Mundo das Idéias deveria nos orientar em nossas práticas e buscas no mundo sensível, pois este último era considerado imperfeito. O mundo concreto e “defeituoso”, para Platão, era desprovido de meios para nos ajudar a alcançar o Ideal.

Baruch Spinoza foi um filósofo holandês do séc. XVIII, para o qual seria impossível o homem não fazer parte da natureza. Ao estruturar sua filosofia, ele elaborou importantes questões, tais como: 1. Por que as coisas existem? 2. Como se compõe o mundo? 3. O que somos nós no esquema das coisas? 4. Somos livres? Como devemos viver?  Roger Scruton (1998), diz que na atualidade há uma relutância em enfrentarmos estas perguntas, o que explicaria nossa profunda desorientação. O citado autor acredita que nomear e descrever a atualidade como uma “condição pós moderna” é uma forma do ser humano se render e disfarçar suas ansiedades fundamentais. Segundo Scruton, Spinoza fez estas perguntas e empenhou-se em encontrar respostas para elas. Para isso, aprofundou-se em seu raciocínio e suas elaborações o levaram a perceber que a natureza seria tudo o que existiria e que o ser humano seria uma espécie de escravo desta mesma natureza.

Para Spinoza, corpo e alma têm uma relação de identidade: o corpo seria um modo finito da alma, e esta última seria uma substância infinita. Este filósofo da imanência acreditava que, se o mundo fosse visto pelo prisma da transcendência, esta negaria a própria essência humana, tornando-a impotente. Desta forma, corpo e alma devem ser vistos como imanência e não como transcendência. Spinoza acreditava que a emoção seria uma condição corporal e, ao mesmo tempo, uma ideia desta condição. Cada ideia na mente corresponderia a uma modificação corporal, portanto, a adequação das ideias, para Spinoza, seria um estado humano de potência (SCRUTON, 1998).

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