O Narcisismo, em psicanálise, representa um modo particular de relação com a sexualidade. É um conceito crucial no seu desenvolvimento teórico. O narcisismo é um protetor do psiquismo e um integrador da imagem corporal, ele investe o corpo e lhe dá dimensões, proporções e a possibilidade de uma identidade, de um Eu. O narcisismo ultrapassa o auto-erotismo e fornece a integração de uma figura positiva e diferenciada do outro.
Provavelmente a primeira menção pública de Freud do termo “narcisismo” se encontra na nota de rodapé acrescida à segunda edição de Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade (o prefácio traz a data de dezembro de 1909). Ernest Jones relata que em uma reunião da Sociedade Psicanalítica de Viena, a 10 de novembro de 1909, Freud havia declarado que o narcisismo era uma fase intermediaria necessária entre o auto-erotismo e o amor objetal.
Em maio de 1910 no livro “Leonardo” Freud fez uma referencia consideravelmente mais extensa ao narcisismo. Depois se seguiram à análise do Caso Schreber (1911) e Totem e Tabu (1912-1913).
Em 1914 Freud lança seu artigo “Sobre a Introdução do Conceito de Narcisismo”. Esse artigo é um de seus trabalhos mais importantes, podendo ser considerado como um dos fatores centrais na evolução de seus conceitos. Nesse texto é traçada uma nova distinção entre “libido do ego” e “libido objetal”; e é introduzido os conceitos de ‘ideal do ego’ e do agente auto-observador (que constitui a base do que veio a ser descrito como superego em o Eu e o Isso em 1923).
Elia (1992) diz que do ponto de vista da impelência clínica da produção teórica freudiana, foram as psicoses que produziram a teoria do sujeito implicada na teoria do narcisismo.
Freud (1914) diz que a necessidade de discutir sobre um narcisismo primário normal surgiu quando se fez a tentativa de incluir o que era conhecido como demência precoce (Kraepelin) ou da esquizofrenia (Bleuler) na hipótese da teoria da libido – denominados por Freud de parafrênicos.
Freud acreditava que na esquizofrenia a libido afastada do mundo externo é dirigida para o ego e assim dá margem a atitude que pode ser denominada de narcisismo, mas esse seria um narcisismo secundário, superposto a um narcisismo primário. Freud propõe que há uma catexia libidinal original do ego, parte da qual é posteriormente transmitida aos objetos, mas que fundamentalmente persiste e está relacionada com as catexias objetais.
Jung, junto a Eugen Bleuler em Zurique vinha se dedicando às psicoses; e suas pesquisas o levaram a produzir uma teorização enfraquecedora da teoria freudiana da sexualidade. Jung propunha retirar o caráter sexual da libido, que passaria a significar a energia psíquica geral.
Houser (2006) diz que a saga de Narciso (um herói devorado de amor por um objeto que não é outro senão ele próprio) leva a pensar no narcisismo como uma relação imatura, auto-centrada, erotizada, mais que sexualizada, detida em uma contemplação especular do idêntico ao “Si-mesmo” do sujeito. Mais o narcisismo também promove a constituição de uma imagem de si unificada, perfeita, cumprida e inteira, que ultrapassa o auto-erotismo primitivo para favorecer a integração de uma figuração positiva e diferenciada do outro, e, sobretudo, do outro em seu estatuto sexuado.
Luciano Elia (1995) define o narcisismo como o processo pelo qual o sujeito assume a imagem do seu corpo próprio como sua, e se identifica com ela (eu sou essa imagem). Implica o reconhecimento do eu a partir da imagem do corpo próprio investida pelo outro.
O narcisismo primário
Narcisismo não é igual a auto-erotismo, pois uma unidade comparável ao ego não existe desde o início, ele tem que ser desenvolvido; os instintos auto-eróticos se encontram desde o início.
Freud postula que um ser humano tem originalmente dois objetos sexuais – ele próprio e a mulher que cuida dele – o que leva a considerações de um narcisismo primário em todos, o qual, em alguns casos, pode manifestar-se de forma dominante em sua escolha objetal.
Freud (1914) diz que o grande encanto de uma criança reside em grande medida em seu narcisismo, seu auto-contentamento e inacessibilidade.
Para Freud o desenvolvimento do ego consiste em um afastamento do narcisismo primário e dá margem a uma vigorosa tentativa de recuperação desse estado. Esse afastamento é ocasionado pelo deslocamento da libido em direção a um ideal do ego imposta de fora, sendo a satisfação provocada pela realização desse ideal.
Le Poulichet (1997) diz que o que vem a perturbar o narcisismo primário é o Complexo de Castração. É através dele que se opera o reconhecimento de uma incompletude que desperta o desejo de recuperar a perfeição narcisista. O narcisismo secundário se define como o investimento libidinal da imagem do eu, sendo essa imagem constituída pelas identificações do eu com as imagens dos objetos.
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Fonte: Psicologado
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