quarta-feira, 13 de julho de 2011

EU-TU: UMA FENOMENOLOGIA DO AMOR


A fenomenologia é uma postura ou atitude que reformula o entendimento a respeito das coisas mais básicas, tais como, compreensão do homem e do mundo, abrangendo a totalidade de ambos e da inter-relação entre eles. Entretanto, o entendimento fenomenológico do mundo mostra-se de maneira mais complexa, já que a visão vigente deste se restringe a uma única forma, o modo metafísico - fundamentado pela cientificidade do pensamento – o qual pressupõe uma verdade estável e absoluta.

Vê-se, porém, que essa cientificidade também atrapalha na conceituação do amor, visto que o mesmo é integrante da inter-relação homem-mundo e, por muitas vezes, considerado insignificante na formulação de estudos. A partir dessa constatação as referidas alunas se viram impulsionadas a buscar a inserção do amor e sua real significância no contexto fenomenológico, dentro das limitações possíveis.

1. O que é Fenomenologia?

A fenomenologia nasce a partir das análises de Brentano sobre a intencionalidade da consciência humana, tratando de descrever, compreender e interpretar os fenômenos que se apresentam à percepção. Para Brentano a consciência é intencional, isto é, ao invés de dirigir-se para si mesma, tende sempre para alguma coisa. Assim sendo, a consciência não é uma substância, mas uma atividade constituída por algo (percepção, imaginação, especulação, volição, paixão, etc.), com os quais visa algo.

A fenomenologia procura abordar o fenômeno, aquilo que se manifesta por si mesmo, de modo que não o parcializa ou o explica a partir de conceitos prévios, de crenças ou de afirmações sobre o mesmo, enfim, de um referencial teórico. Entretanto, ela tem intenção de abordá-lo diretamente, interrogando-o, tentando descrevê-lo e procurando captar sua essência.

Uma psicologia que adote a atitude fenomenológica para suas investigações, passará ter uma definição mais abrangente que deverá ser “o estudo das relações do homem com/ou no mundo.” Por esta razão, não se restringindo somente ao estudo de comportamentos observáveis e controláveis, poderá examinar as experiências vividas e as significações atribuídas pelo experenciador.

Para tudo isso, faz-se necessário um método próprio que focalize a experiência vivida e sua significação. Esse método, denominado método fenomenológico se define como uma “volta às coisas mesmas”, isto é, aos fenômenos, aquilo que aparece à consciência, que se dá como objeto intencional, não só o “agora”, mas a inter-relação de pessoa, objeto, experiência, passado, presente ou futuro.

A fim de que a investigação se ocupe apenas das operações realizadas pela consciência, é necessário que se faça uma redução fenomenológica ou Epoché – colocar “entre parênteses” a atitude natural, suspendendo todo e qualquer juízo sobre o mundo natural, ou seja, retirar o que se vê no outro que não é necessariamente do outro. Ressaltando que não se pode separar o sujeito que questiona e aquele que é questionado; sujeito e objeto constituem uma mesma relação dialética, sendo a mesma, um diálogo entre o Eu e o Tu.

O Eu-Tu é o instante no qual o indivíduo está mais próximo dos sentimentos do outro, fazendo deste o momento onde um Eu se mostra para seu Tu, só podendo ocorrer diante de uma atitude fenomenológica (Epoché ou redução fenomenológica), de autenticidade, isto é, ser o que realmente se é, deixando fluir as potencialidades do outro através de um processo onde esse Eu se coloca no lugar desse Tu, num contínuo devir. Diferentemente, o Eu-Isso é uma relação unidirecional onde não existe uma atitude dialética.

2. Amor

De acordo com a visão psicanalítica freudiana, o amor surge das pulsões sexuais, ou seja, é conseqüência do fato de uma pessoa ser responsável pela satisfação sexual do seu parceiro, uma transferência do amor edipiano, no qual a menina tem como primeiro objeto de amor o pai e o menino, a mãe.
Para Melanie Klein e demais discípulos de Freud, o amor faz parte da teoria das relações objetais, diferindo pela não utilização do Complexo de Édipo para explicar a transferência de afeição ao pai do sexo oposto, mas sempre pela mãe. Assim, o amor adulto baseia-se no amor materno com probabilidade antagônica de ser imitativo ou oposto.
Conforme Skinner e o behaviorismo, o amor é construído pelo reforçamento que nem sempre é contínuo, podendo elucidar-se de forma intermitente. Sendo a relação, um impulso primário, inato, associado com a necessidade biológica e diretamente envolvido com a sobrevivência do organismo.

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