segunda-feira, 10 de outubro de 2011

VER SEMPRE O LADO BOM DAS COISAS TALVEZ NÃO SEJA UMA BOA IDEIA


Se você é daqueles que sempre veem uma luz no fim do túnel, cuidado. Um estudo publicado na última edição da revista "Nature Neuroscience" indica que a propensão de ver a vida com lentes cor de rosa pode ser ruim e inibir alertas de risco acionados no cérebro.

Intrigada com o fato de tantas pessoas se manterem teimosamente, e até mesmo patologicamente, otimistas, a professora Tali Sharot, do University College de Londres, realizou um experimento com 19 voluntários.

Sharot e colegas monitoraram os indivíduos com um scanner de ressonância magnética funcional (fMRI) em situações cotidianas que variavam de catastróficas a desagradáveis.
Entre os 80 cenários evocados, estavam ter o carro roubado, ser demitido do emprego, desenvolver mal de Parkinson ou um câncer.

Após cada desastre hipotético, pediu-se aos voluntários que avaliassem a possibilidade do infortúnio acontecer a eles. Enquanto ainda estavam no scanner foram informados da probabilidade média real do risco.

Algum tempo depois, os voluntários quantificaram mais uma vez a possibilidade de vivenciar pessoalmente cada cenário.

Os cientistas descobriram que os voluntários revisaram suas estimativas iniciais apenas quando os números reais eram menos sombrios.

Se, por exemplo, previam uma probabilidade de 40% de contrair câncer, mas a probabilidade média resultou ser de 30%, eles demonstraram ser mais propensos a ajustar sua estimativa claramente para baixo.

Mas se a probabilidade demonstrava ser pior do que originalmente se pensou, os voluntários simplesmente ignoraram a estatística real.

"Nosso estudo sugere que selecionados e escolhemos a informação que ouvimos", diz Sharot. "Quanto mais otimistas, menos propensos nos sentimos a sermos influenciados por informação negativa sobre o futuro."

POSITIVISMO RUIM
A razão para esse comportamento estaria nas leituras cerebrais. Todos os participantes demonstraram atividade aumentada no lobo frontal --fortemente associado com o controle emocional-- sempre que números reais eram melhores do que o esperado. A atividade indicou que a nova informação era processada e armazenada.

Mas quando as notícias se mostravam mais sombrias do que o previsto, os mais otimistas dos voluntários, em um teste de personalidade feito anteriormente, demonstraram ter menor atividade no lobo frontal.

Sharot explica que o trabalho demonstra que o otimismo desenfreado traz riscos imperceptíveis.

"Ver o copo meio cheio ao invés de meio vazio pode ser algo positivo; pode diminuir o estresse e a ansiedade e ser bom para nossa saúde e bem-estar", afirmou. "Mas também pode significar que estamos menos propensos a tomar ações preventivas, tais como praticar sexo seguro ou economizar para a aposentadoria."

Fonte: Folha.com

ACOMPANHE AS PAUTAS PARA A 3ª CONFERÊNCIA DE POLÍTICAS PÚBLICAS PARA MULHERES

 

O evento acontece em dezembro e ações estão sendo desenvolvidas em todo país

Em celebração ao Dia da Psicologia deste ano, que trabalha como tema Psicologia- profissão de muitas e diferentes mulheres, o Conselho Regional de Psicologia 2ª Região incentiva o acompanhamento da 3ª Conferência Nacional de Políticas Públicas para Mulheres. Acompanhe as pautas estaduais e nacionais pelo site  http://www.conferenciadasmulheres.com.br/ .


Fonte: CRP - 02

CAFÉ FILOSÓFICO COM LUC FERRY E JORGE FORBES

 



http://vimeo.com/29814514As transformações do mundo contemporâneo – Luc Ferry e Jorge Forbes (traduzido) from cpfl cultura on Vimeo.


sexta-feira, 7 de outubro de 2011

DESENHOS HIPERATIVOS PODEM GERAR PROBLEMAS DE APRENDIZAGEM




Um estudo publicado recentemente revelou que o desenho animado “Bob Esponja” pode causar déficit de atenção e problemas de aprendizagem em crianças de 4 anos de idade.

Criado pelo ex-biólogo marinho Stephen Hillenburg, a série animada segue as travessuras de uma esponja do mar amarela, e de seus amigos marinhos, numa cidade no fundo do oceano.
Porém, de todos os programas de televisão que possam prejudicar o desenvolvimento das crianças, “Bob Esponja” não parece ser um culpado principal. Já que a velocidade das imagens que é a verdadeira responsável pela falta de concentração gerada nos espectadores.

A pesquisa
Angeline Lillard e Jennifer Peterson, da Universidade da Virgínia, em Charlottesville, recrutaram 60 crianças de 4 anos de idade para o estudo.

Elas foram divididas em três grupos de 20 para fazerem diferentes atividades durante 9 minutos: o primeiro grupo assistiu a “Bob Esponja”, enquanto o segundo viu “Caillou”, um desenho canadense que segue o cotidiano de uma criança de 4 anos de idade, e o terceiro grupo ficou desenhando.

Após assistirem TV ou desenhar, os três grupos realizaram vários testes que avaliaram a função mental, como aprender a tocar os dedos dos pés, quando diziam para tocarem a cabeça e vice-versa, ou recitar uma sequência de dígitos em sentido inverso. Aquelas que tinham visto “Bob Esponja” tiveram, em média, 12 pontos a menos que os outros dois grupos, que obtiveram resultados quase idênticos.

As pesquisadoras queriam comparar com este estudo a influência imediata de programas de televisão em ritmo acelerado e  lento nas habilidades das crianças para resolver problemas e na concentração. No desenho “Bob Esponja”, o ângulo da câmera muda a cada 34 segundos, enquanto em “Caillou”, a cada 11 segundos.

Quando as crianças assistem ao primeiro uma grande quantidade de recursos cognitivos são dedicados apenas para acompanhar o que está acontecendo na tela. Enquanto o desenho canadense oferece aos espectadores muito mais tempo para processar eventos da narrativa.
Assim, as crianças que assistiram “Bob Esponja” , provavelmente, não tinham tanta atenção a dedicar aos testes de função mental, como as crianças que assistiram “Caillou”.

Velocidade de imagens versus déficit de atenção

Portanto, não é que assistir ao desenho da esponja marinnha deixe as crianças menos inteligentes. Mas por causa do seu ritmo acelerado, ele acaba desviando a atenção delas. Então, não é aconselhado que elas assistam aos episódios quando irão efetuar atividades de aprendizado, como antes de ir à escola, por exemplo.

Em vez disso, o estudo reforça algo que os psicólogos têm enfatizado nos últimos anos: que todas as nossas capacidades cognitivas – atenção, tomada de decisão, concentração – são recursos que ficam “cansados” durante o dia, tal como os nossos músculos. E, conforme pesquisas anteriores, confirma a ligação entre o hábito de assistir TV e o déficit de atenção em crianças.

“Desenhar exige planejamento, e o ritmo de “Caillou” desafia nossos filhos a esperarem um pouco mais antes de descobrir o que acontece a seguir”, explica Eugene Geist, da Ohio University,  em Atenas, que já estudou como a televisão influencia a atenção.

Isso significa que assistir a um programa alegre e veloz, como “Bob Esponja”, antes de um teste de ortografia não é provavelmente a melhor ideia, mas, certamente, não significa que o desenho está prejudicando os cérebros das crianças ou a capacidade delas para pensar com clareza.

A culpa não é só da esponja
A professora de psicologia Universidade da Virgínia, Angeline Lillard, principal autora do estudo, disse que o desenho de aventuras marinhas não deve ser o único. Ela encontrou problemas semelhantes em crianças que assistiram outros cartoons de mais velocidade de imagens. Ou seja, o problema está no ritmo do programa que se assiste, não no “Bob Esponja” em si.

David Bittler, porta-voz da rede de televisão Nickelodeon, que apresenta o desenho, contestou as conclusões da pesquisa. Ele afirmou que a faixa etária destinada do programa é para crianças de 6 a 11 anos. E que um estudo feito com espectadores de 4 anos não poderia ser confiável.

A pesquisadora, no entanto, afirmou que essa idade foi escolhida por ser um momento de alto desenvolvimento em habilidades de autocontrole. Ela disse que esta pesquisa tem algumas limitações. Então, neste caso, não tem como saber se crianças de outras idades poderiam ser afetadas, assim como as de 4 foram.

TERAPIAS COMPLEMENTARES: FUNCIONAM MESMO?


Milhões de brasileiros se utilizam de terapias complementares no tratamento de doenças. E as mais procuradas, na maioria das vezes, são acupuntura, reiki, yoga e meditação.

Estudos mostram que cerca de 70% dos pacientes com câncer optam por algum tipo de terapia adicional juntamente com o tratamento oncológico convencional.

Integrando a medicina ocidental às técnicas orientais
Cada vez mais, essas terapias estão deixando de ser “alternativas” para se tornarem “complementares” aos tratamentos médicos.

No Brasil, a acupuntura, por exemplo, já é reconhecida como especialidade médica e fisioterapêutica com credenciamento e atividades normatizadas pela Associação Médica Brasileira.

Os métodos milenares trazem bem-estar aos praticantes e agora estão sendo estudados para averiguar quais benefícios podem oferecer aos pacientes que lutam contra o câncer.

Aspectos psicológicos como estresse e depressão podem interferir na doença. Então, essas técnicas estão ganhando grande aceitação por aliviar os sintomas dolorosos e melhorar a efetividade do tratamento de tumores.

As terapias adicionais têm uma visão holística, ou seja, avaliam e tratam o paciente como um todo, não apenas se preocupam em destruir o câncer, mas em não prejudicar o indivíduo. Isto significa que o bem-estar do paciente depende de situações que incluem os estados físico, emocional, espiritual e psicológico. E dessa forma mente e corpo trabalham juntos.

A terapia complementar é uma assistência para otimizar o processo de cura da doença, elas servem para controlar os sintomas e ajudar aos pacientes a se sentirem melhor. Ou seja, não devem ser usadas como substitutivas ao tratamento médico convencional do câncer, mas, sim, de maneira a integrá-lo.

Benefícios
  • As terapias complementares fazem com que o tratamento oncológico, que é tão agressivo, seja mais tolerável;
  • Pois elas reforçam o sistema imunológico;
  • Reduzem sintomas e efeitos colaterais da quimioterapia e da radioterapia; Promovem a sensação de bem-estar e trazem conforto;
  • Melhoram a qualidade de vida e a resposta do organismo ao tratamento;
  • Diminuem o medo, o estresse, a depressão e a ansiedade;
  • Acupuntura diminui náusea e dor;
  • Yoga fortalece o sistema imunológico e reduz o estresse;
  • A meditação ajuda a poupar o organismo, pois gera um alto nível de relaxamento, superior ao do sono, e diminui a produção de cortisol, hormônio relacionado também ao estresse;
  • Musicoterapia trabalha as funções cognitivas, fisiológicas e psicológicas;
  • Reiki canaliza as energias e proporciona equilíbrio vital.
Antes de escolher uma terapia complementar, o paciente deve conversar com o seu médico para que o melhor caminho possa ser seguido e a nova prática não interfira no tratamento.

Princípios Básicos de Medicina Integrativa

- Uma parceria entre o paciente e o médico no processo de cura;
- O uso adequado de métodos convencionais e complementares para facilitar a resposta do corpo a cura inata;
- Concentra-se na pessoa como um todo, não apenas no tumor;
-  Consideração de todos os fatores que influenciam o bem-estar, saúde e doença, incluindo a mente, espírito e social às dimensões físicas de saúde;
- Uma filosofia que nem rejeita a medicina convencional nem aceita acriticamente a medicina alternativa, mas é informado por evidências;
- Reconhecimento de que a boa medicina deve ser baseada na boa ciência, a investigação dirigida e aberta a novos paradigmas;
- Os conceitos mais amplos de promoção da saúde e prevenção da doença, bem como o tratamento da doença;

TOC - TRANSTORNO OBSESSIVO-COMPULSIVO




Para ler o artigo completo, clique aqui.

Fonte: Psiqweb
As características essenciais do Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) são obsessões ou compulsões recorrentes e suficientemente graves para consumirem tempo ou causar sofrimento acentuado à pessoa.  Leigamente, diz-se que a pessoa tem várias manias esquisitas ou estranhas mas, normalmente, o próprio portador de TOC sabe que suas manias, obsessões e/ou compulsões são excessivas ou irracionais.
 
Para entender melhor, vamos começar definindo melhor o que são as obsessões e as compulsões, as primeiras, alterações do pensamento (veremos também na seção Psicopatologia), as segundas, do controle dos impulsos. 
Obsessões são pensamentos ou idéias (p. ex. dúvidas), impulsos, imagens, cenas, enfim, são atitudes mentais que invadem a consciência de forma involuntária, repetitiva, persistente e normalmente absurdas. Essas idéias obsessivas são ou não seguidas de rituais destinados a neutralizá-los, as compulsões.
Os pesamentos obsessivos são experimentados como intrusivos, inapropriados ou estranhos pelo próprio paciente, o que acaba causando mais ansiedade e desconforto emocional. A pessoa tenta resistir a esses pensamentos, ignorá-los ou suprimi-los com ações ou com outros pensamentos, mas sempre, o próprio paciente reconhece tudo isso como produto de sua mente e não como se fossem originados de fora (como ocorre na esquizofrenia). 
Compulsões são comportamentos repetitivos (p.ex.lavar as mãos, fazer verificações, fechar portas 4 vezes), ou atos mentais (rezar,contar, repetir palavras ou frases) que a pessoa é levada a executar em resposta a uma obsessão ou em virtude de regras (auto impostas) que devem ser seguidas rigidamente.
Os comportamentos ou attudes mentais compulsivas são destinadas a prevenir ou reduzir o desconforto gerado pela obsessão, ou prevenir alguma situação ou evento temidos.
Como dissemos, o próprio paciente percebe que essas atitudes não possuem uma conexão realística ou direta com o que pretendem evitar, ou que são claramente excessivas, mas essa crítica não é suficiente para inibir a compulsão.
A intromissão indesejável de um pensamento no campo da consciência de maneira insistente e repetitiva, reconhecido pelo indivíduo como um fenômeno incômodo e absurdo, é denominado de Pensamento Obsessivo. Portanto, para que um pensamento seja considerado Obsessão é necessário o aspecto involuntário, bem como o reconhecimento de sua conotação ilógica e absurda pelo próprio paciente, ou seja, ele deve ter crítica sobre o aspecto irreal e esdrúxulo desta idéia indesejável.

As Obsessões estão tão enraizadas na consciência que não podem ser removidas simplesmente por um aconselhamento razoável, nem por livre decisão do paciente. Elas parecem ter existência emancipada da vontade e, por não comprometerem o juízo crítico, os próprios pacientes têm a exata noção do absurdo de seu conteúdo mental. Em maior ou menor grau, as Idéias Obsessivas ocorrem em todas as pessoas, notadamente quando crianças. Com o amadurecimento do Sistema Nervoso Central as pessoas normais vão deixando a maioria das Idéias Obsessivas.

As Idéias Obsessivas que normalmente as pessoas costumam ter, sem que sejam consideradas pacientes de TOC, podem aparecer, por exemplo, como uma musiquinha conhecida que não sai da cabeça, ou a idéia de que pode haver um bicho debaixo da cama, ou que o gás pode estar aberto apesar da lógica sugerir estar fechado. Em crianças aparecem como um certo impedimento em pisar nos riscos da calçada, uma obrigatoriedade em contar as árvores da rua ou os carros que passam, etc. Estas idéias obrigatórias, quando exageradas e causadoras de significativa ansiedade ou sofrimento, constituem quadro patológico.

Os temas das Idéias Obsessivas nos pacientes com TOC pode ser extremamente variável, entretanto, em grande número de vezes diz respeito à higiene, contaminação, transmissão de doenças, bactérias, vírus, organização ou coisas assim. É muito freqüente também a existência de Idéias Obsessivas sobre um eventual impulso suicida, como por exemplo, a idéia de ter um impulso incontrolável e saltar da janela de edifícios altos, ou ser acometido subitamente por impulsos de agressão e ferir pessoas, principalmente os filhos.
Neste último caso, a obsessão está justamente em acreditar que, diante de um mal estar súbito, a pessoa venha a perder o controle e executar, impulsivamente, aquilo que sugere tais idéias mas, ao contrário do que podem pensar algumas pessoas, o paciente com TOC não realiza esses atos, apenas tem medo de vir a fazer.

São muitos os exemplos de pessoas que adotam uma conduta excêntrica motivadas pela obsessão da contaminação ou pelo medo continuado de contágio diante de qualquer coisa que lhes pareça suspeita. Há ainda, casos de pessoas que se sentem extremamente desconfortáveis quando próximas de objetos pontiagudos, facas, foices, etc, devido a idéia indesejável de que podem, repentinamente e misteriosamente, perder o controle e matar uma pessoa querida.

Desta feita, a Obsessão é um processo mental que tem caráter forçado, uma idéia associada a um sentimento penoso que se apresenta ao espírito de modo repetido e incoercível. São idéias impostas ao psiquismo, incômodas e sentidas como involuntárias, as quais entram na mente contra uma resistência consciente.

A similaridade entre Obsessões e Fobias foi observada já em 1878 por Westphal, criador do termo Fobias Obsessivas. Seriam medos que dominam a consciência, e que embora sejam reconhecidos como anormais, o paciente que não consegue suprimi-los. Aliás, vê-se muito bem, nos exemplos práticos, o componente de medo que normalmente acompanha as idéias Obsessivas.

A Obsessão com déias de doença e contaminação pode ser entendida como uma Fobia de doença, uma ruminação mental sem fim em torno da possibilidade de sofrer qualquer tipo de doença. Ainda que o fenômeno obsessivo seja distinto do fenômeno fóbico, é sempre bom ter em mente que ambos podem ser faces distintas de uma mesma moeda ou, o que mais provavelmente poderia ser, a fobia pode estar originando uma obsessão e vice-versa.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

CONHEÇA AS IDEIAS BÁSICAS DA TERAPIA CRIADA POR FREUD



Entenda as características das principais correntes psicanalíticas e em que situações são mais indicadas, as evoluções desse método terapêutico e também os seus conceitos básicos.


O DEPRESSIVO NA CONTRAMÃO



Em seu último livro, “O Tempo e o Cão – a atualidade das depressões” (Boitempo, 2009), a psicanalista Maria Rita Kehl nos provoca com uma hipótese sobre a qual vale a pena pensar: a depressão, que vem se tornando uma epidemia mundial desde os anos 70, pode ser a versão contemporânea do mal-estar na civilização. Ela teria algo a dizer sobre a forma como estamos vivendo e sobre os valores da nossa época. Para além da patologia, a depressão pode ser vista também como um sintoma social.

O que nossa época nos exige? Euforia, confiança, velocidade. Temos de ser pró-ativos. O que ela nos promete? Se soubermos traçar nossas metas e construir nossa estratégia, atingiremos o sucesso. Se produzirmos e consumirmos, alcançaremos a felicidade. Ser feliz deixou de ser uma possibilidade esporádica para se tornar uma obrigação permanente. Para nós, seres desta época, nada menos que o gozo pleno. Fora disso, só o fracasso. E o fracasso, este é sempre pessoal. Se não alcançamos o que nos prometeram no final do arco-íris é porque cometemos algum erro no caminho. E fracassar, como sabemos, passou a ser não um fato inerente à vida, mas uma vergonha.

O depressivo, neste contexto, é a voz dissonante. É o cara na contramão atrapalhando o tráfego, como na letra de Chico Buarque. Como diz Maria Rita, é aquele “que desafina o coro dos contentes”. Ela afirma, logo no início do livro: “Analisar as depressões como uma das expressões do sintoma social contemporâneo significa supor que os depressivos constituam, em seu silêncio e em seu recolhimento, um grupo tão ruidoso quanto foram as histéricas no século XIX. A depressão é a expressão do mal-estar que faz água e ameaça afundar a nau dos bem-adaptados ao século da velocidade, da euforia prêt-à-porter, da saúde, do exibicionismo e, como já se tornou chavão, do consumo desenfreado”.

Neste sentido, a mera existência do depressivo aponta, nas palavras da psicanalista, a má notícia que ninguém quer saber. Se basta ser pró-ativo, bem-sucedido e saudável, por que tantos e cada vez mais, como mostram as estatísticas, são classificados como depressivos?
“A depressão”, diz Maria Rita, “é sintoma social porque desfaz, lenta e silenciosamente, a teia de sentidos e de crenças que sustenta e ordena a vida social desta primeira década do século XXI. Por isso mesmo, os depressivos, além de se sentirem na contramão do seu tempo, vêem sua solidão agravar-se em função do desprestígio social da sua tristeza”.

Cada época cria seus proscritos. Na época da euforia e da velocidade, nada mais desafinado do que um depressivo. Se, em vez de hoje, o depressivo, então chamado de melancólico, vivesse no romantismo do final do século XVIII, “estaria tão adequado à cultura e aos valores de sua época quanto um perverso hospedado no castelo do marquês de Sade”.  

Hoje, porém, os depressivos parecem ser não só o portador de uma má notícia, mas de uma doença contagiosa. Quem quer ter por perto alguém que sofre em um mundo cuja existência só se justifica pelo sucesso e pela felicidade plena? Num mundo em que todos têm de estar “de bem com a vida” para merecer companhia?

O depressivo não apenas sofre, mas silencia num mundo em que as pessoas preenchem todos os espaços com sua voz. E não apenas silencia, mas em vez de preencher seu tempo com dezenas de tarefas, uma agenda cheia, se amontoa no sofá da sala e nada quer fazer. Não só é lento, como chega a ser imóvel. Sua mera existência nega todos os valores propagandeados dia após dia ao redor de nós – e também pelo nosso próprio discurso afirmativo e de auto-convencimento.

Ao existir, o depressivo faz uma resistência política passiva ao establishment. Obviamente, ele não é um ativista nem tem consciência disso e preferiria não sofrer tanto. O que Maria Rita nos propõe é enxergar a depressão para além dos aspectos clínicos. Enxergar também como sintoma da sociedade em que vivemos. Como a ótima psicanalista que é, o que ela nos propõe é ouvir. Neste caso, ouvir o que a depressão tem a nos dizer quando escutada como sintoma social, como expressão de um mal-estar no mundo.

Os medicamentos podem fazer enorme diferença nas depressões graves num primeiro momento, para arrancar da apatia e possibilitar uma elaboração dessa dor que permita lidar com a vida de uma forma menos paralisante. Inclusive para romper com o imobilismo e buscar uma escuta pela psicoterapia ou pela psicanálise. Os medicamentos antidepressivos têm sua hora, seu lugar e sua importância. Mas acreditar que a medicação resolve tudo é calar a dor de quem a vive. E, no âmbito social, é ignorar o que ela diz sobre o que há de torto em nosso mundo.

Afirmar que a indústria farmacêutica resolve tudo é silenciar o impossível de ser silenciado, como prova a escalada das estatísticas da depressão. Na esfera social, significa dizer que é uma ótima vida correr desde que acorda até a hora de dormir, sem ter um minuto sequer para elaborar o que de bom e de ruim viveu naquele dia. Sem tempo para viver a experiência. Ou, como diz Maria Rita, vivendo no tempo do Outro.

Acreditar que a epidemia mundial de depressão pode ser erradicada com pílulas é afirmar que no nosso mundo nada falta. E um pouco mais grave que isso: é acreditar não apenas que é possível atingir uma vida em que nada falte, como atingi-la é uma mera questão de adaptação, pró-atividade e saúde.

No âmbito do indivíduo, tratar a depressão apenas com medicamentos é tornar ilegítima a sua dor. É dizer ao depressivo que o que ele sente não merece ser ouvido porque é produto apenas de uma disfunção bioquímica. É reforçar a crença de que o depressivo não tem nada a dizer sequer sobre ele mesmo. É cristalizar o estigma. Sem contar que tentar calar os sintomas da depressão à custa de remédios leva ao embotamento da experiência, ao esvaziamento da subjetividade. O que se sente é silenciado – e não elaborado. E, ainda que alguém achasse que vale a pena se anestesiar da condição humana, o efeito do remédio, como bem sabemos, é temporário.

Para algumas pessoas, encontrar médicos que resolvem tudo apenas com pílulas vai ao encontro de suas próprias crenças – e de sua necessidade de proteção. É mais fácil acreditar ser vítimas de uma doença, uma disfunção que está fora deles, a pensar que é um pouco mais complexo e mais difícil de lidar do que isso. É mais fácil do que aceitar que ele, como sujeito psíquico, está implicado neste mal-estar. Eu tomo remédio e não preciso pensar que algo me incomoda. Eu engulo uma pílula e não preciso lidar com a inadequação que me faz sofrer.

É possível compreender que, para quem já está na contramão do mundo e é visto muitas vezes como um estorvo, ajuda não ter ainda mais essa “culpa”. Tranqüiliza pensar que aquela dor que está sempre ali foi causada por uma disfunção involuntária dos neurotransmissores. E que pode ser resolvida com um comprimido.

O problema é que a realidade mostra que não é tão simples assim. Quem já fez tratamento com antidepressivos sabe que “curar” uma depressão não é o mesmo que tratar de uma micose ou mesmo de uma pneumonia. Não basta tomar remédio: é preciso expressar a dor, é necessário elaborar o sofrimento e, em geral, mudar a vida ou a forma de olhar para a vida e para si mesmo.

Ao conversar com minha filha, também psicanalista, sobre esse tema, ela fez um comentário que cabe neste contexto. “É curioso como os filmes de ficção científica sempre usaram aquela imagem terrorífica de seres humanos levando uma injeção na nuca e se tornando embotados. Isso era assustador e nos assustava”, disse. “Agora, o que assustava passou a ser a vontade das pessoas. Elas querem tomar uma pílula, ou uma injeção na nuca, e ficar embotadas.”

Maria Rita sugere que vale a pena para todos – e não apenas para os depressivos – pensar o que a depressão está nos dizendo sobre nosso mundo. É isto ou continuar assistindo, impotentes, ao crescimento da epidemia, que atinge não apenas adultos, mas adolescentes e crianças, cada vez mais cedo. É preciso prestar atenção nesse mal-estar no mundo, escutá-lo, de verdade e com verdade, sem cair nos contos de fadas contemporâneos que transformam todos os monstros em déficits bioquímicos. Ao contrário de todas as profecias, a indústria farmacêutica não vai nos salvar de uma vida sem vida.

O livro de Maria Rita Kehl é complexo e vai muito além destas minhas primeiras interpretações. Uma das questões mais originais é a relação entre a depressão e o tempo. O depressivo seria também aquele que se recusa a se inserir no tempo do Outro. O nome do livro – O Tempo e o Cão – vem da experiência pessoal da psicanalista, ao atropelar um cachorro na estrada. Ela viu o cachorro, mas a velocidade em que estava a impedia de parar ou desviar completamente dele. Conseguiu apenas não matá-lo. Logo, o animal, cambaleando rumo ao acostamento, ficou para trás no espelho retrovisor.

É isso o que acontece com as nossas experiências na velocidade ditada pela nossa época. Diz Maria Rita: “Mal nos damos conta dela, a banal velocidade da vida, até que algum mau encontro venha revelar a sua face mortífera. Mortífera não apenas contra a vida do corpo, em casos extremos, mas também contra a delicadeza inegociável da vida psíquica. (…) Seu esquecimento (do cão) se somaria ao apagamento de milhares de outras percepções instantâneas às quais nos limitamos a reagir rapidamente para em seguida, com igual rapidez, esquecê-las. (…) Do mau encontro que poderia ter acabado com a vida daquele cão, resultou uma ligeira mancha escura no meu pára-choque. (…) O acidente da estrada me fez refletir a respeito da relação entre as depressões e a experiência do tempo, que na contemporaneidade praticamente se resume à experiência da velocidade”.

Por coincidência, estava zapeando na TV ontem à noite (domingo), quando encontrei a psicanalista no Café Filosófico da TV Cultura, um dos melhores programas da TV aberta. Lá, ela fez algumas considerações muito interessantes. Anotei duas delas para acrescentar a esta coluna. “Nos dizem que ‘tempo é dinheiro’. Ora, tempo não é dinheiro. Dizer que tempo é dinheiro é uma violência”, afirmou Maria Rita. “Tempo é o tecido de nossas vidas”. E um pouco mais adiante: “Em qualquer sociedade, o poder se instaura por alguma forma de controle do tempo”.

Quem quiser ler o livro de Maria Rita Kehl precisa saber que é um livro difícil. Não se lê fácil como uma daquelas obras de auto-ajuda. Exige tempo, parada, reflexão. Para quem é leigo, é preciso ler e reler alguns trechos, voltar. Talvez até pular algumas partes que, depois de ler e voltar e reler, ainda assim não alcançamos. Mas vale todo o esforço.

Aprendi algo sobre isso, na semana passada, ao ouvir Benjamin Moser, autor da recém-lançada (e excelente!) Clarice, (CosacNaify, 2009), uma biografia de Clarice Lispector. Ele contou que os livros que mais gosta da escritora são os mais difíceis, aqueles que teve de ler para escrever a biografia, e não os primeiros que leu e compreendeu de imediato. Então, disse algo mais ou menos assim: “Os escritores têm de nos alcançar, mas nós também temos de alcançar os escritores”.

Achei genial. E acho que é isso. Vale a pena essa busca para alcançar alguns escritores e suas vozes a princípio obscuras. Alcançar alguém é sempre uma experiência rica – e intransferível. O livro de Maria Rita Kehl, assim como os livros mais estranhos de Clarice Lispector, vale porque ao final deste esforço há uma voz original, dissonante de todas as mesmices que ouvimos – e eventualmente repetimos.

Para mim, que acordo todos os dias – e especialmente na segunda-feira – pensando em como não sentir mal-estar em um mundo tão brutal, que exige uma velocidade que me rouba a vida, fez todo o sentido. Só consigo viver por que a cada dia minha questão crucial não é me adaptar a um tempo que não é o meu. Mas encontrar formas de me recusar a viver segundo valores que para mim não fazem sentido. É esta busca – e esta insubordinação – que me mantém em pé, ainda que cambaleando, às vezes, como o cachorro atropelado por Maria Rita, e até caindo, de tempos em tempos.

Dias atrás, ao conversar com meu amigo Toco Lenzi, um homem que como poucos recusa os valores e a velocidade desta época, ele me contou uma história de sua última passagem pelo Saara, na Mauritânia, que cabe aqui. Toco atravessa o Saara a pé, da Mauritânia a Tunísia, em etapas e sem nenhuma pressa, com nenhum outro objetivo além de viver a experiência de atravessar o Saara a pé. Eu o acompanhei na primeira parte desta jornada para escrever um livro que ainda está no começo.

Toco conheceu um tuaregue que havia deixado o Saara e vivido – muito bem – na Europa. Apesar do que teria sido considerado um sucesso pela maioria de nós, ele resolveu voltar ao deserto e ao antigo modo de vida. Toco perguntou a razão. Ele respondeu: “Vocês têm relógio, nós temos tempo”.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

CFP PARTICIPA DE AUDIÊNCIA PÚBLICA NO SENADO QUE DEBATE ATO MÉDICO

 
Uma audiência pública na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) debateu, nesta quinta-feira (29), com representantes de diversas profissões da saúde o chamado PL do Ato Médico (PLS nº 268/2002 – PLC 7.703/2006).
O presidente do Conselho Federal de Psicologia, Humberto Verona, defendeu, em sua fala, a manutenção do trabalho multiprofissional na saúde. “Para nós a preocupação com o projeto é que ele traz em sua essência o vírus que mata o que tem sido construído ao longo da história da saúde no Brasil, ele acaba com a solidariedade que é tão necessária entre os profissionais da saúde”, disse.
Ele destacou ainda a importância de haver troca entre os diversos profissionais da saúde em prol do melhor atendimento ao cidadão. “O problema central que nos faz estar unidos nesta luta, é que o projeto ainda não tirou do seu conteúdo os pontos que ferem a possibilidade de atendimento integral ao cidadão”, pontuou.
O relator do projeto, senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE), adiantou durante a audiência, que o projeto que veio da Câmara não será o final. “Não irei apresentar nenhum relatório enquanto não conseguir convencer a todos de que seja a melhor solução”, disse. E completou “Eu, como cidadão, preciso do psicólogo, do farmacêutico, do médico, enfim, de todos os profissionais. Vamos fazer o máximo para que trilhemos o caminho da harmonia”, comprometeu-se.
Os farmacêuticos disseram ser a favor da regulamentação da medicina, mas defenderam o direito da sociedade ter uma saúde integral.
O retrocesso trazido pelo projeto do Ato Médico, bem como a necessidade de diálogo para que todos os lados sejam ouvidos e coloquem suas posições, foram pontos tratados nas falas dos representantes de diferentes áreas da saúde.
O senador José Pimentel (PT-CE) dirigiu os trabalhos da audiência. O tema foi proposto por requerimento dos senadores Randolpe Rodrigues (PSOL-AP) e Inácio Arruda (PCdoB-CE).
De acordo com a agência Senado foram convidados para a audiência: Roberto Luiz D'Avila, do Conselho Federal de Medicina (CFM); Roberto Mattar Cepeda, do Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional; Manoel Carlos Neri da Silva, do Conselho Federal de Enfermagem; Jaldo de Souza Santos, do Conselho Federal de Farmácia; Rosane Maria Nascimento da Silva, do Conselho Federal de Nutricionistas; José Lião de Almeida, da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde; Ivan Rogério Freitas Sciessere, Presidente do Sindicato Nacional dos Optometristas; Humberto Verona, presidente do Conselho Federal de Psicologia; José Luiz Gomes do Amaral, da Associação Médica Brasileira; e Cid Célio Jayme Carvalhaes, da Federação Nacional dos Médicos.
Fonte: CFP

IMPACTO DA PSICOTERAPIA NO CÉREBRO



Há diferenças entre como as pessoas traumatizadas e não traumatizadas processam e categorizam as suas experiências?

Em contraponto ao que o filósofo Friedrich Nietzsche afirmou, "o que não mata, fortalece", o trauma, quando não tratado, pode adoecer severamente grande número de pessoas, em vez de fortalecê-las. Há uma relação significativa entre trauma psicológico e o desenvolvimento do transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), que contempla o aparecimento de três grupos de sintomas: revivescência do trauma (memórias traumáticas, pesadelos); evitação/entorpecimento (distância afetiva, anestesia emocional) e hiperestimulação autonômica (estado de alerta, irritabilidade, insônia). Na população em geral, a prevalência de eventos traumáticos pode alcançar 90% (perdas de entes queridos, acidentes, hospitalizações, violências, etc.). A prevalência do TEPT é em torno de 8%, enquanto o TEPT parcial (TEPTp) pode chegar a aproximadamente 30%.

O impacto do crime tem se tornado um problema de saúde pública, particularmente nas áreas urbanas, e é agora uma das mais frequentes causas de morte na população em diversos países. A incidência de eventos estressores ligados à violência urbana é crescente. Atualmente, as principais ocorrências potencialmente traumáticas notificadas nas capitais brasileiras são: tentativa de homicídio, lesão corporal, estupro, atentado violento ao pudor, sequestro, roubo e furto.
Nas duas últimas décadas, centenas de estudos mostraram que intensas e esmagadoras experiências podem disparar diferentes respostas, enfraquecendo o conceito de uma "reação universal ao trauma". A caracterização de um evento como traumático também depende do processamento perceptual de cada indivíduo. Conforme o dramaturgo e estudioso da religião John Milton nos ensina, a mente é ágil e em si "pode fazer do céu um inferno e do inferno um céu", e, por isso, precisa de orientação para que esta agilidade esteja a favor do bem-estar. É o que também observamos nos recentes achados neurocientíficos: as memórias carregadas de emoção não são estáticas e lembrar compreende a reconstrução de informações coerentes por meio de fragmentos disponíveis de modo que o conjunto faça sentido. Assim, o passado é flexível e modifica-se com novas interpretações das recordações e reexplicações do que aconteceu. A integração dos traços sensoriais das memórias traumáticas em narrativas terapêuticas estruturadas é um dos principais desafios para as Psicoterapias aplicadas às vítimas de trauma e os indivíduos com TEPTp exigem o mesmo nível de cuidados terapêuticos.