Um estudo publicado recentemente revelou que o desenho animado “Bob Esponja” pode causar déficit de atenção e problemas de aprendizagem em crianças de 4 anos de idade.
Criado pelo ex-biólogo marinho Stephen Hillenburg, a série animada segue as travessuras de uma esponja do mar amarela, e de seus amigos marinhos, numa cidade no fundo do oceano.
Porém, de todos os programas de televisão que possam prejudicar o desenvolvimento das crianças, “Bob Esponja” não parece ser um culpado principal. Já que a velocidade das imagens que é a verdadeira responsável pela falta de concentração gerada nos espectadores.
A pesquisa
Angeline Lillard e Jennifer Peterson, da Universidade da Virgínia, em Charlottesville, recrutaram 60 crianças de 4 anos de idade para o estudo.
Elas foram divididas em três grupos de 20 para fazerem diferentes atividades durante 9 minutos: o primeiro grupo assistiu a “Bob Esponja”, enquanto o segundo viu “Caillou”, um desenho canadense que segue o cotidiano de uma criança de 4 anos de idade, e o terceiro grupo ficou desenhando.
Após assistirem TV ou desenhar, os três grupos realizaram vários testes que avaliaram a função mental, como aprender a tocar os dedos dos pés, quando diziam para tocarem a cabeça e vice-versa, ou recitar uma sequência de dígitos em sentido inverso. Aquelas que tinham visto “Bob Esponja” tiveram, em média, 12 pontos a menos que os outros dois grupos, que obtiveram resultados quase idênticos.
As pesquisadoras queriam comparar com este estudo a influência imediata de programas de televisão em ritmo acelerado e lento nas habilidades das crianças para resolver problemas e na concentração. No desenho “Bob Esponja”, o ângulo da câmera muda a cada 34 segundos, enquanto em “Caillou”, a cada 11 segundos.
Quando as crianças assistem ao primeiro uma grande quantidade de recursos cognitivos são dedicados apenas para acompanhar o que está acontecendo na tela. Enquanto o desenho canadense oferece aos espectadores muito mais tempo para processar eventos da narrativa.
Assim, as crianças que assistiram “Bob Esponja” , provavelmente, não tinham tanta atenção a dedicar aos testes de função mental, como as crianças que assistiram “Caillou”.
Velocidade de imagens versus déficit de atenção
Portanto, não é que assistir ao desenho da esponja marinnha deixe as crianças menos inteligentes. Mas por causa do seu ritmo acelerado, ele acaba desviando a atenção delas. Então, não é aconselhado que elas assistam aos episódios quando irão efetuar atividades de aprendizado, como antes de ir à escola, por exemplo.
Em vez disso, o estudo reforça algo que os psicólogos têm enfatizado nos últimos anos: que todas as nossas capacidades cognitivas – atenção, tomada de decisão, concentração – são recursos que ficam “cansados” durante o dia, tal como os nossos músculos. E, conforme pesquisas anteriores, confirma a ligação entre o hábito de assistir TV e o déficit de atenção em crianças.
“Desenhar exige planejamento, e o ritmo de “Caillou” desafia nossos filhos a esperarem um pouco mais antes de descobrir o que acontece a seguir”, explica Eugene Geist, da Ohio University, em Atenas, que já estudou como a televisão influencia a atenção.
Isso significa que assistir a um programa alegre e veloz, como “Bob Esponja”, antes de um teste de ortografia não é provavelmente a melhor ideia, mas, certamente, não significa que o desenho está prejudicando os cérebros das crianças ou a capacidade delas para pensar com clareza.
A culpa não é só da esponja
A professora de psicologia Universidade da Virgínia, Angeline Lillard, principal autora do estudo, disse que o desenho de aventuras marinhas não deve ser o único. Ela encontrou problemas semelhantes em crianças que assistiram outros cartoons de mais velocidade de imagens. Ou seja, o problema está no ritmo do programa que se assiste, não no “Bob Esponja” em si.
David Bittler, porta-voz da rede de televisão Nickelodeon, que apresenta o desenho, contestou as conclusões da pesquisa. Ele afirmou que a faixa etária destinada do programa é para crianças de 6 a 11 anos. E que um estudo feito com espectadores de 4 anos não poderia ser confiável.
A pesquisadora, no entanto, afirmou que essa idade foi escolhida por ser um momento de alto desenvolvimento em habilidades de autocontrole. Ela disse que esta pesquisa tem algumas limitações. Então, neste caso, não tem como saber se crianças de outras idades poderiam ser afetadas, assim como as de 4 foram.
Fonte: Blog da Saúde

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