quinta-feira, 28 de julho de 2011

SOBRE A TRANSFERÊNCIA


A transferência é um fenômeno que ocorre na relação paciente/terapeuta, onde o desejo do paciente irá se apresentar atualizado, com uma repetição dos modelos infantis, as figuras parentais e seus substitutos serão transpostas para o analista, e assim sentimentos, desejos, impressões dos primeiros vínculos afetivos serão vivenciados e sentidos na atualidade.

O manuseio da transferência é a parte mais importante da técnica de análise. Em Um Estudo Autobiográfico Freud (1925) faz uma explanação geral do mecanismo de transferência. A transferência logo que surge substitui na mente do paciente o desejo de ser curado, e, enquanto for afeiçoada e moderada, torna-se o agente da influência do médico e nem mais nem menos do que a mola mestra do trabalho conjunto de análise.

Posteriormente, quando se tiver tornado arrebatada ou tiver sido convertida em hostilidade, torna-se o principal instrumento da resistência. Poderá então acontecer que paralise os poderes de associação do paciente e ponha em perigo o êxito do tratamento. Não é possível falar em análise sem transferência. Não se deve supor, todavia, que a transferência seja criada pela análise e não ocorra independente dela. A transferência é meramente descoberta e isolada pela análise. Ela é um fenômeno universal da mente humana, decide o êxito de toda influência médica, e de fato domina o todo das relações de cada pessoa com seu ambiente humano.

Em A História do Movimento Psicanalítico (1914) fala que o surgimento da transferência sob forma francamente sexual- seja de afeição ou hostilidade – no tratamento das neuroses, apesar de não ser desejada ou induzida pelo médico nem pelo paciente, sempre lhe pareceu a prova mais irrefutável de que a origem das forças impulsionadoras da neurose está na vida sexual. E ainda que a transferência seja ponto de partida do trabalho da psicanálise.
Se o paciente coloca o analista no lugar do pai (ou da mãe), está também lhe concedendo o poder que o superego exerce sobre o ego, visto que os pais foram, como sabemos , a origem do seu superego. O novo superego dispões agora de uma oportunidade para uma espécie de pós-educação do neurótico. (Freud, 1930, pág. 49)
Na transferência o paciente produz com clareza plástica, uma parte importante da história de sua vida, da qual de outra maneira, ter-nos-ia fornecido apenas um relato insuficiente. Ele a representa diante de nós, por assim dizer, em vez de apenas nos contar. (Freud, 1930).

A transferência permite que o analista se aproprie do saber inconsciente que se insinua na fala do sujeito. A interpretação da transferência é perigosa, pois tal procedimento pode até aliviar a angústia do sujeito, e com isso gratificar o analista, mas pode ser que o analisando esteja apenas substituindo sua associações pelas interpretações do analista, numa tentativa de recuperar a estabilidade que as defesas conferem à neurose.

Em A Questão da Análise Leiga Freud (1927) declara que toda análise digna dessa nome institui uma neurose de transferência, que constitui o sintoma, um sintoma analítico.uma responsabilidade maior do analista na condução da análise reside no manejo da transferência, num manejo analítico da neurose de transferência. Ele dizia que o neurótico não quer curar-se, mais precisamente não quer curar-se dessa neurose de transferência.

A transferência se constitui a partir da realidade psíquica do analisando, por meio dos seus desejos, medos e outros aspectos da sua subjetividade. Em Recordar, Repetir e Elaborar, Freud (1914) esclarece que a transferência cria uma região intermediária entre a doença e a vida real, através da qual a transição de uma para a outra é efetuada. A nova condição assumiu todas as características da doença, mas representa uma doença artificial, que é, em todos os pontos acessível à nossa intervenção. Trata-se de um fragmento que foi tornado possível por condições especialmente favoráveis, e que é de natureza provisória.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

DORES QUE NÃO MELHORAM?


Você provavelmente conhece alguém que tem enxaqueca, aquela dor de cabeça forte que parece não melhorar com remédio algum, ou já deve ter ouvido falar em fibromialgia ?
No caso da dor de cabeça é necessário fazer uma avaliação com um neurologista e se necessário fazer exames complementares para afastar causas mais graves. Mas e quando os exames não mostram nenhuma alteração estrutural?

Existem dores chamadas psicogênicas, ou seja, que têm a sua origem em alterações emocionais geralmente ligadas a ansiedade, depressão ou até mesmo outros transtornos psiquiátricos como a personalidade histriônica.

O uso de antidepressivos ansiolíticos costuma amenizar consideravelmente o sofrimento gerado por estes sintomas. Além disto outras estratégias de tratamento associadas ao uso dos medicamentos têm sido responsável por grandes melhoras: A psicoterapia com psicólogos e a terapia ocupacional se possível 2 vezes por semana. A terapia de grupo também costuma ter bons resultados.

A tensão acumulada com os problemas do cotidiano ou até mesmo a ociosidade de quem tem excesso de tempo para “procurar problemas”, pensar demais e se preocupar em demasia, gera um stress que por vezes passa desapercebido e quando chega a um nível alarmante para o organismo, surgem dores que podem aparentemente ser inexplicáveis, mas na verdade é o corpo dando sinais de esgotamento.

Nas mulheres as alterações hormonais relacionadas ao ciclo menstrual ou a menopausa também são forte colaboradoras para estas oscilações emocionais e o aparecimento das dores psicogênicas.

Fazer psicoterapia e terapia ocupacional nem sempre é bem aceito pelos pacientes, que costumam alegar “não gostarem” ou simplesmente “não quererem”, ou justificam que “é caro” e “não têm tempo”. No entanto o uso indiscriminado de analgésicos, opióides, anti-inflamatórios e outros medicamentos potentes deve ser cauteloso e acompanhado com proximidade pelo médico com consultas periódicas, mesmo sabendo que isto sozinho pode não resolver o problema.

Portanto é de suma importância determinar o que é mais importante na sua vida: É o fato de não gostar de terapia ou a necessidade de se livrar de sua dor? Você faria qualquer coisa para se livrar de sua dor? Então faça ! Este é um caminho eficiente, não-doloroso e nada danoso !

Você conhece alguém com uma dor que não melhora com nada?

Equipe Médica Dr. Paulo André Issa

Fonte: PNAP

TRANSTORNO DO PÂNICO E A TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL


Conceito - O Transtorno do Pânico é caracterizado essencialmente pela presença de manifestações gravemente ansiosas que não tenham sido desencadeadas, inicialmente, pela exposição a uma situação específica. Com a recorrência dos sintomas de grande ansiedade, surge o medo de sofrer novos episódios e a pessoa começa, então, a evitar locais e situações. Frequentemente, o Transtorno do Pânico fica associado a sintomas de outros transtornos ansiosos, como os de Agorafobia (ansiedade acerca de estar em locais ou situações das quais escapar poderia ser difícil) e Fobias Específicas (medos específicos, como de elevador, de escuridão, de andar de avião).
Ansiedade é uma manifestação natural do ser humano, que tem o intuito de nos ajudar a reagir a situações ameaçadoras, com a atitude de luta e fuga. Imagine que você está atravessando a rua quando de repente um carro, à toda velocidade, vem em sua direção, buzinando freneticamente. Se você não experimentasse absolutamente nenhuma ansiedade, teria mais chances de ser atropelado.

Quando a ansiedade se torna problema

O problema se estabelece quando a nossa ansiedade passa a surgir em situações inofensivas.
Somos tendenciados a não aceitar o fato de não encontrarmos uma explicação para alguma coisa. Devido a isso, em muitos casos, quando as pessoas não conseguem explicar seus sentimentos, elas começam a achar que o “erro” está nelas. Ou seja, “se nada exterior está me deixando ansioso, então deve ter algo de errado comigo mesmo”. Nesse caso, o cérebro pode inventar uma explicação como “eu devo estar tendo um ataque cardíaco, convulsão, posso estar morrendo, perdendo controle ou ficando louco”.
Um ataque de pânico inicial representa um "alarme falso " em que demasiada ansiedade é vivenciada. Então, após o primeiro ataque, algumas pessoas ficam apreensivas e hipervigilantes quanto a manifestações físicas da ansiedade. Temendo novos ataques, desenvolvem interpretações distorcidas e catastróficas em torno dessa possibilidade. Na medida em que a pessoa detecta a ansiedade e a entende como ameaçadora em si, a ansiedade aumenta.
Em indivíduos com Transtorno de Pânico crônico (que se estende ao longo de bastante tempo), que não foi tratado, a crença de terem uma doença ameaçadora à vida pode levar a uma ansiedade debilitante e a excessivas consultas médicas.
Abaixo citamos alguns sintomas físicos característicos do ataque de pânico:
  • Palpitações ou ritmo cardíaco acelerado;
  • Suor excessivo;
  • Tremores;
  • Sensações de falta de ar;
  • Dor no peito;
  • Náusea ou dor abdominal;
  • Sentimentos de estar destacado de si mesmo;
  • Dormência ou formigamento.
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terça-feira, 26 de julho de 2011

ALCOOLISMO

 

 O uso de substâncias que modificam o estado psicológico tem ocorrido em todas as culturas conhecidas desde a Antigüidade mais remota. Costumavam ser associadas a rituais tradicionais nas várias culturas. Um remanescente desse aspecto ritualístico do uso de substâncias mantém-se na igreja católica que segue usando vinho durante sua celebração. O alcoolismo é uma doença que afeta a saúde física, o bem estar emocional e o comportamento do indivíduo. Segundo estatísticas americanas, atinge 14% de sua população e no Brasil estima-se que entre 10 a 20% da população sofra deste mal. O álcool é classificado como um depressor do sistema nervoso central.    

EFEITOS FÍSICOS  
Os efeitos físicos ocasionados pelo álcool são muito amplos no ser humano. Diminuição dos reflexos e sedação são comuns. O uso a longo prazo aumenta o risco de doenças como o câncer na língua, boca, esôfago, laringe, fígado e vesícula biliar. Pode ocasionar hepatite, cirrose, gastrite e úlcera. Quando usado em grande quantidade pode ocasionar danos cerebrais irreversíveis. Pode levar à desnutrição. Pode causar problemas cardíacos e de pressão arterial. É uma causa conhecida de malformação congênita quando usado durante a gestação.  

EFEITOS EMOCIONAIS  
Os efeitos emocionais e comportamentais são muito frequentes e variáveis conforme a tolerância do indivíduo e a dose ingerida. Perda da inibição, sendo que pessoa intoxicada com álcool pode fazer coisas que normalmente não faria, como, por exemplo, dirigir um carro em alta velocidade. Alteração do humor, ocasionando raiva, comportamento violento, depressão e até mesmo suicídio. Pode resultar em perda de memória. Prejuízo na vida familiar do alcoolista, ocasionando desentendimento entre o casal, e problemas emocionais a longo prazo nas crianças. Diminuição da produtividade no trabalho.   

COMO A PESSOA DESENVOLVE ALCOOLISMO  
Um indivíduo pode tornar-se alcoolista devido a um conjunto de fatores, incluindo predisposição genética, estrutura psíquica, influências familiares e culturais. Sabe-se que homens e mulheres têm 4 vezes mais probabilidade de ter problemas com álcool se seus pais foram alcoolistas.   

EFEITOS DO ÁLCOOL  
Geralmente está associado a outras condições psiquiátricas como transtornos de personalidade, depressão, transtorno afetivo bipolar (ou psicose maníaco depressiva), transtornos de ansiedade e suicídio.   

INTOXICAÇÃO POR ÁLCOOL  
Os sintomas dependem da concentração de álcool no sangue. No início do quadro a pessoa pode tornar-se séria e retraída, ou falante e alegre. Podem ocorrer crises de riso ou choro. Em geral ocorre sonolência. Gradativamente o indivíduo começa a perder a coordenação motora, apresentando dificuldade para falar e caminhar. Os reflexos tornam-se mais lentos. Intoxicações graves com concentrações maiores de álcool no sangue podem levar ao coma, depressão respiratória e morte.    

INTOXICAÇÃO PATOLÓGICA  
Caracteriza-se por intensas mudanças de comportamento e agressividade após a ingestão de uma pequena quantidade de álcool. A duração é limitada, sendo comum o black out (amnésia). Pela violência das manifestações pode ser necessário até internar o paciente além de medicá-lo. 

SÍNDROME DE ABSTINÊNCIA AO ÁLCOOL  
Ocorre em pacientes que fazem uso de álcool em grande quantidade e por tempo prolongado, e que param de consumir a bebida. Os primeiros sintomas de abstinência iniciam 12 horas após parar de beber. Os sintomas mais comum são os tremores, acompanhados de irritabilidade, náuseas, vômitos, ansiedade, sudorese, pupilas dilatadas e taquicardia. Pode evoluir para uma condição clínica mais grave chamada Delirium por abstinência de álcool (Delirium Tremens).

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A LINGUAGEM DO AMOR


Casais apaixonados ou que mantêm um relacionamento de longo prazo não raro se atribuem apelidos carinhosos ou mudam o tom de voz quando falam um com o outro. Segundo pesquisadores da Universidade do Texas em Austin, a identidade afetiva por meio das palavras não para por aí. Um estudo conduzido pelo psicólogo James Pennebaker mostra que pares “bem-sucedidos” ou com mais chances de sê-lo costumam usar o mesmo tipo de palavras funcionais – preposições, pronomes, artigos e conjunções – e com frequência equivalente. Usados em vários contextos, esses termos são, em geral, processados de forma rápida e inconsciente.

Para chegar a essa conclusão, o psicólogo reuniu 80 homens e mulheres e solicitou que cada um conversasse com alguém do sexo oposto por alguns minutos. Em seguida, questionou-os sobre a possibilidade de saírem juntos. Curiosamente, os pares que usaram tipos similares de palavras funcionais se mostraram mais inclinados a marcar outro encontro – mesmo aqueles que declararam não ter muitos pontos em comum.

Em outro estudo, Pennebaker analisou o conteúdo de mensagens de celular enviadas por 86 casais e perguntou aos voluntários quão felizes eles se sentiam com o compromisso assumido. Três meses depois, o pesquisador verificou se os pares ainda estavam juntos. Ele observou que os pares estáveis eram os que trocavam torpedos com mais palavras funcionais em comum. O curioso é que isso se aplicou também a quem declarou estar insatisfeito com o companheiro, na primeira fase da pesquisa.

Agora os pesquisadores querem entender se o vocabulário em comum provoca atração ou se na verdade as pessoas adaptam sua forma de falar, ficando parecidas com o outro. Os dois processos são possíveis, mas Pennebaker acredita que o último seja mais provável: “A linguagem prediz o sucesso dos relacionamentos porque reflete a forma como os casais ouvem um ao outro e se entendem”, reforça o psicólogo.

BRASIL TEM MAIOR INCIDÊNCIA DE DEPRESSÃO ENTRE PAÍSES EM DESENVOLVIMENTO


A doença não deixa marcas aparentes, é impossível de ser diagnosticada por exames de imagem e, confundidos com uma tristeza normal, os sintomas podem passar despercebidos. Mesmo assim, a depressão é a quarta principal causa de incapacitação em todo o mundo e, de acordo com projeções da Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2030 ela será o mal mais prevalente do planeta, à frente de câncer e de algumas doenças infecciosas. Hoje, segundo um estudo epidemiológico publicado na revista especializada BMC Medicine, 121 milhões de pessoas estão deprimidas. Para se ter uma ideia, é um número quase quatro vezes maior do que o de portadores de HIV/Aids (33 milhões).

Quando considerado um período de 12 meses seguidos, o Brasil lidera, entre os países em desenvolvimento, o ranking mundial de prevalência da depressão: 18% da população que participou da pesquisa estava deprimida há pelo menos um ano. Os dados brasileiros foram retirados do São Paulo Megacity, um estudo do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo que avaliou a prevalência de distúrbios psiquiátricos na região metropolitana da cidade, baseado em 5.037 entrevistas.

“O episódio depressivo maior é uma preocupação significativa para a saúde pública em todas as regiões do mundo. Esse é um distúrbio sério e recorrente, ligado a morbidades médicas, à mortalidade e à diminuição da qualidade de vida”, alertam, no estudo, os autores, todos eles colaboradores das pesquisas mundiais da OMS. “A organização projeta que, em 2020, a depressão será a segunda maior causa de incapacitação no mundo.”

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CURSO DE EXTENSÃO DA FAFIRE


A Fafire ainda está com iscrições abertas para os cursos de extensão.

  •  Aspectos Teóricos e Práticos nas Abordagens Fenomenológica Existencial e Psicanalítica: discussão de casos clínicos.

  • Elaboração de Laudos e Outros Documento Decorrentes de Processo de Avaliação Psicológica

  • Estruturas Clinicas: Psicose
Interessados podem fazer as inscrições até a véspera do curso desejado, se ainda houver vaga.

Com carga horária variada, esses cursos conferem certificado. Confira a tabela para saber valores, duração e número de vagas.

Outras informações pelo 2122-3568.
Site: Fafire

NEUROSE OBSESSIVA


A neurose obsessiva se configura como a mais interessante e mais rica de simbolizações dentre as neuroses e apresenta-se como a mais regressiva das estruturas neuróticas no plano libidinal.

Tem com base o complexo de Édipo; o indivíduo com esta neurose apresenta fixação da libido no estágio anal de maturação.

Ocorre com mais freqüência em homens, o indivíduo não se sente castrado porque abandona a mãe e se identifica com o pai, essa identificação decorre da necessidade que tem de encontrar uma outra mulher já que a “relação” com a mãe é proibida.

Na neurose obsessiva a libido do indivíduo não está totalmente envolvida no conflito entre o ego e o superego, grande parte das relações objetais do indivíduo está conservada, circunstância esta que o protege da ruína.

O ego dos neuróticos obsessivos apresenta-se dividido em uma parte lógica (que sabe o que é verdade e o que é falso) e outra mágica (que repudia partes da realidade); o mecanismo defensivo do isolamento possibilita a manutenção dessa divisão; além deste mecanismo, o obsessivo se serve também do deslocamento e da anulação.

Uma característica fundamental na neurose obsessiva é sua ligação com o sentimento de culpa; os neuróticos obsessivos tentam usar objetos para resolver ou aliviar seus conflitos internos.

O neurótico obsessivo tem medo de suas emoções e tem medo das coisas que as sugerem, fugindo do macrocosmo das coisas para o microcosmo das palavras. O pensamento e a fala tornam-se substitutos das emoções, ligados à realidade, recuperam as qualidades originais, “sexualizam-se” e perdem o seu valor para o uso prático.

O neurótico obsessivo tende a crer na onipotência de seus pensamentos, e teme essa onipotência, isso faz com que ele dependa daquilo que pensa. O pensamento do obsessivo é um pensamento abstrato, isolado do mundo real das coisas concretas, sendo a dúvida o conflito instintivo deslocado para a esfera intelectual. Os obsessivos se preparam incessantemente para o futuro e nunca experimentam o presente.

A sintomatologia das neuroses obsessivas é cheia de superstições mágicas; as idéias, sentimentos ou condutas são vividos como forçadas, como se impondo ao sujeito, por mais que ele lute contra elas e as ache absurdas; apresentam pensamento obsessivo (que podem aumentar de tal forma na mente do indivíduo, que este pode ficar preso por uma cadeia infindável de pensamentos, que podem paralisar ações práticas, fazendo com que a dúvida seja a regra geral do comportamento obsessivo), a atividade compulsiva, os rituais obsessivos (rituais envolvendo a verificação; rituais envolvendo a limpeza; pensamentos obsessivos sem compulsões; lentidões obsessivas e rituais mistos).

A neurose obsessiva se instala no indivíduo mais tardiamente do que a histérica, afetando a personalidade total do indivíduo em extensão muito maior do que na histeria. No tratamento há mais dificuldade devido ao fato desse indivíduo ter dificuldade de associar livremente, internalizar o conflito e apresentar um ego dividido, estes fatores geram resistência.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

ABORDAGEM CENTRADA NA PESSOA - ACP



Carl Rogers acreditava que todos os seres humanos são motivados fundamentalmente por um processo voltado para o crescimento, que ele denominava tendência para a realização.

A tendência para a realização

Rogers teorizou que todas as motivações estão incluídas num processo fundamental, a tendência para a realização, que consiste na tendência do ser humano expressar toda sua capacidade tanto orgânica ou do eu.

A tendência ampla e geral da natureza para o desenvolvimento é chamada de tendência formativa. O aspecto especificamente humano da tendência formativa é a tendência para a realização.

Não nos comportamos de maneira irracional, como afirmava a psicanálise. “Nosso comportamento é primorosamente racional, avançado com uma complexidade sutil e ordenada rumo aos objetivos que o organismo está empenhado em alcançar” (Rogers, 1983).

O processo organísmico de valoração

A pessoa que se auto-realiza (ou funciona plenamente) está em contato com a experiênciainterna que é inerentemente produtora de crescimento, o processo organísmico de valoração. Ele viria a ser um guia subconsciente que avalia e orienta a pessoa para experiência que promova o seu crescimento e afasta daquelas que possa inibi-lo. Porém com o desenvolvimento, as pessoas deixam de se guiar por suas experiências internas e as substituem pelas regras exteriores, que para Rogers isso interfere no desenvolvimento psicológico.

Mas o que acontece com pessoas que são emocionalmente perturbadas e com os criminosos? Rogers acusava que as forças sociais fazem com que as pessoas percam contato com suas experiências internas que a levariam para o crescimento. Isto ocorre devido a uma desconsideração dos sentimentos internos, pois ouvem dizer que esses sentimentos são ruins. É o medo e a atitude defensiva das pessoas, e não forças internas más, que as levam a se tornarem destrutivas.

A pessoa que funciona plenamente



Uma pessoa que presta atenção ao processo organísmico de valoração é auto-realizada, ou funciona plenamente. Esta pessoa não perde o uso de algumas das funções humanas mesmo sendo “corrompida” pela sociedade.

Uma pessoa que funciona plenamente apresenta algumas características. Essas características podem ser interpretadas como sinal de saúde mental:

Abertura para experiência – a pessoa que funciona plenamente ela é receptiva para os acontecimentos subjetivos e objetivos da vida. Elas também toleram uma ambigüidade na experiência, ou seja, uma situação que se mostra de determinada maneira e um determinado momento pode se mostrar alterada em outro momento.

Vida existencial – é uma tendência crescente para viver cada momento. A experiência muda, e cada momento permite que o eu se manifeste de forma alterada pela nova experiência.

Confiança organísmica – a pessoa confia sempre na sua experiência interna para guiar o seu comportamento. Essa experiência é precisa.

Liberdade de experiência – é a liberdade de escolha. Essa escolha é subjetiva e não nega que haja determinismo no mundo.

Criatividade – a pessoa encontra novas maneiras de viver cada momento, em vez de estar preso a padrões antigos e rígidos que não são adaptativos.

O Self 
Rogers empregou dois termos, o self ideal e o self real, porém esses termos são originários da teoria psicanalítica.
Self ideal seria aquilo que você gostaria de ser, como você se imagina ser, já o self real é quem você realmente é, e é onde contém a tendência para a realização.

Terapia centrada no cliente
Rogers acreditava que a terapia poderia ajudar as pessoas a se unir novamente com o processo organísmico de valoração. Pelo fato de orientar-se pelos insights do cliente e não do terapeuta, essa abordagem foi denominada de terapia centra no cliente. O foco é na experiência do cliente e principalmente nos sentimentos, para que se possa mobilizar a força geradora de crescimento da tendência para a realização.

Rogers desenvolveu sua técnica terapêutica longe da academia. O que o guiou foi, “o que funcionava” e não qualquer consideração teórica.

Ele se convenceu de que os preconceitos teóricos interferiam no progresso terapêutico. Acabou deixando as teorias de lado e começou a ouvir o que os seus clientes diziam e descobriu que as experiências dos clientes forneciam direções muito mais valiosas para o crescimento. Por dar ênfase na experiência e direção do cliente, Rogers chamou esse método de terapia centrada no cliente.

Também foram desenvolvidas seis condições para que haja um progresso terapêutico, mas as principais são três: compreensão empática, congruência e consideração positiva incondicional.
Em linhas gerais, a consideração positiva incondicional (também pode ser chamada de apreço) é você aceitar a pessoa como ela é e demonstrar uma consideração positiva por ela. É aceitá-la sem ser preciso que se faça ou seja algo diferente do que realmente é. Empatia, ou compreensão empática, é se colocar no lugar da outra pessoa, ver o mundo com olhos dela e sentir o que ela sente, ou pelo menos procurar isso. Congruência, seria a coerência interna do terapeuta, ou seja, ele demonstrar o que ele realmente está sentindo.

Na abordagem rogeriana, para se aplicar o seu método na psicoterapia, não existe uma “técnica”, mas sim o amadurecimento do psicoterapeuta, já que as condições desenhadas por Rogers tem que surgir de forma natural e espontânea. Por exemplo, não se tem como simular a afetividade, ou seja, não se pode ter a consideração positiva incondicional se a mesma não surgir com sinceridade do próprio terapeuta. O mesmo acontece com a empatia e a congruência. Por isso se diz que não existe uma “técnica rogeriana”, mas sim psicólogos cuja conduta pessoal e profissional mais se aproximam da perspectiva de Carl Rogers.

Segundo Rogers, quando se cria um clima terapêutico com as três características acima descritas (consideração positiva incondicional, congruência e compreensão empática), haverá um resultado terapêutico positivo. Nesse caso, o cliente desenvolverá uma quantidade maior das características saudáveis das pessoas auto-realizadas, incluindo abertura para a experiência, auto-aceitação e confiança na experiência organísmica.


BRINCADEIRA DE MAU GOSTO



Quando os estudantes Eric Harris, de 18 anos, e Dylan Klebold, de 17, assassinaram, em 1999, 12 colegas de escola e um professor, deixando mais de 20 pessoas feridas e se suicidando em seguida, foi como se um véu fosse tirado do rosto da população mundial, indignada com o ato gratuito de violência. A cena, de guerra, chocou milhões de pessoas que, em suas vidas rotineiras, atribuiriam o ato a figuras marginais, possivelmente de origem humilde, moradores da periferia de um país subdesenvolvido. Nunca, sob hipótese alguma, imaginariam, em seus piores pesadelos, tratar-se de um acontecimento em uma das escolas de maior destaque dos Estados Unidos, a Columbine High School. O que teria motivado aqueles dois adolescentes a agir com tamanha hostilidade?

O episódio, até hoje, não foi totalmente esclarecido. Desconfia-se que Harris e Klebold teriam tomado tal atitude como forma de se vingar dos colegas pela exclusão escolar que ambos teriam sofrido durante muito tempo. No entanto, o acontecimento gerou uma série de discussões sobre maus-tratos aos adolescentes nas escolas, entre eles o Bullying. E Columbine se transformou em referência quando o assunto é violência escolar.

No Brasil, casos semelhantes ao da escola norte-americana já foram retratados pela mídia e chamaram a atenção das autoridades para o problema. Um exemplo aconteceu em 2003, quando o estudante Edmar Aparecido Freitas, de 18 anos, invadiu o colégio onde estudava, no interior de São Paulo e, armado, atirou em nove pessoas e depois se matou. O motivo para tal ato foi que Edmar era gordinho durante a infância e boa parte da adolescência e, por isso, tornou-se alvo de chacotas por parte dos colegas. Mesmo quando conseguiu emagrecer, os outros alunos não o deixaram em paz - o que teria sido o suficiente para deflagrar a tragédia.

"É possível classificar como Bullying agressões verbais e físicas, assédios, ações desrespeitosas, realizadas de maneira recorrente e intencional"

Sem nenhum termo correspondente em português, o Bullying é uma palavra inglesa utilizada para descrever atos de violência física ou psicológica provocados pelo Bully (valentão) contra alguém em desvantagem de poder, sem qualquer motivação aparente. O fenômeno, evidentemente, não é novo. Mas só virou tema de estudo no início dos anos 1980, quando o professor Dan Olweus, da Universidade de Bergen (Noruega), iniciou investigações sobre o problema dos agressores e suas vítimas nas escolas. O genocídio em Columbine foi o divisor de águas que trouxe o debate para a mídia e para outras esferas sociais.

É possível enquadrar como Bullying desde agressões (verbais e físicas), assédios até outras ações desrespeitosas realizadas de maneira recorrente e intencional por parte dos agressores, seja por uma questão circunstancial ou por uma desigualdade subjetiva de poder. Já é apontado pelos especialistas em violência como uma das formas de abuso que mais cresce no mundo, uma vez que pode acontecer em qualquer contexto social, como escolas, universidades, famílias, entre vizinhos e em locais de trabalho. "O Bullying é um fenômeno complexo e de difícil identificação.

Por isso, é  importante que os diversos profissionais tenham pleno entendimento de sua existência e seu funcionamento para que não haja equívocos nos  encaminhamentos, atendimentos e procedimentos aos envolvidos", explica Cléo Fante, pedagoga pioneira no estudo do tema no Brasil e autora de Bullying Escolar (Artmed).

"No entanto, por ser um tema de extrema relevância social, que conquista cada vez mais visibilidade nos debates públicos, vários  equívocos vem ocorrendo em relação à  aplicabilidade  do termo. É por essa razão que, entre os estudiosos brasileiros, convencionou-se empregá-lo somente quando ocorre na relação entre estudantes, seja no ambiente escolar ou virtual."

O motivo de restringir o Bullying ao ambiente escolar, segundo Cléo Fante, é que a escola teria a chave para o sucesso das ações de prevenção e controle do fenômeno. "Além disso, seu poder propagador de envolver crianças em tenra idade traz consequências graves de aspectos físicos e emocionais à vítima, ao agressor e às testemunhas, o que precisa ser combatido de maneira rápida e eficaz", diz. Não é difícil entender o porquê.

Programa de intervenção
Os primeiros resultados sobre o diagnóstico do Bullying de que se tem notícia foi registrado pelo professor norueguês Dan Olweus, em 1989. Numa pesquisa feita com cerca de 84 mil estudantes, 300 a 400 professores e mil pais verificou-se que 1 em cada 7 alunos estava envolvido nesta prática.

Com a publicação de seu livro Bullying at School, em 1993, Olweus apresentou ao mundo os resultados de seu trabalho de pesquisa, além de sugerir projetos de intervenção e uma relação de sinais ou sintomas que poderiam ajudar a identificar possíveis agressores e vítimas. Essa obra deu origem a uma campanha nacional anti-bullying, que contou com o apoio do governo norueguês e que ajudou a reduzir em cerca de 50% os casos de Bullying nas escolas locais.

Além de desenvolver regras claras contra o Bullying, o programa de intervenção proposto por Olweus tinha como características principais alcançar um envolvimento ativo por parte de professores e pais, aumentar a conscientização do problema, eliminando alguns mitos sobre o tema e provendo apoio psicológico e proteção para as vítimas. Sua repercussão em outros países, como o Reino Unido, Canadá e Portugal, incentivou essas nações a desenvolverem as suas próprias ações.

Fonte: Portal Ciência e Vida