Evitar um erro da adolescência; viver de novo um grande amor: a viagem no tempo tem sido um anseio da humanidade desde que ela se permitiu sonhar. A Física 2T, teoria de Itzhak Bars, dá mais uma dimensão a este mistério e tem pontos de intersecção com as ideias há tempos formuladas por Platão e Agostinho.
“Há na verdade quatro dimensões, três das quais nós chamamos de os três planos do Espaço, e uma quarta, o Tempo.” Com estas palavras, o Viajante do Tempo, icônico personagem de H. G. Wells, explica a seus incrédulos amigos a estrutura do Universo. O Viajante é o protagonista de A máquina do tempo, clássico de 1895. Exatamente cem anos depois, um físico da Universidade do Sul da Califórnia faria uma correção ao que a‹ rma o personagem de Wells.
O físico é Itzhak Bars, e sua teoria, cujas noções começou a elaborar em 1995, é chamada por ele de “Física de Dois Tempos” (ou, simplesmente, “Física 2T”). Bars propõe que o Universo teria, além das três dimensões espaciais e uma temporal, a que estamos habituados (3+1 dimensões), mais uma de cada (4+2).
O tempo já é considerado há muito pela Ciência como uma dimensão, que experimentamos como duração, uma espécie de “ž uir”. Uma de‹ nição prática de “dimensão”, em Física, é dada pelo físico teórico americano Brian Greene. Ele explica, em seu livro O Universo elegante, que podemos marcar de nos encontrarmos com alguém “no 9.º andar do edifício na esquina da Rua 53 com a 7ª Avenida”. Mas, além dessas três dimensões, é necessária mais uma, tão importante quanto as primeiras, para assegurar o sucesso do nosso encontro: “às 3 da tarde”. Portanto, são necessárias quatro dimensões para localizar precisamente um evento no espaço-tempo.
“Por uma enfermidade natural da carne”, para usar o vocabulário rebuscado do Viajante do Tempo, nós somente conseguimos perceber a realidade física como tetradimensional, com as três dimensões do espaço (para cima e para baixo; para frente e para trás; para os lados) e uma dimensão do tempo (do passado para o futuro). Por isso, é natural que a Física também tenha se desenvolvido levando em conta apenas estas quatro dimensões. Mas, para os físicos modernos, isso parece ter se tornado pouco para entender o Universo. Cientistas como o dr. Bars acreditam que 3+1 dimensões são insuficientes para descrever adequadamente o nosso mundo, da mesma forma como sombras nas paredes são insuficientes para capturar a verdadeira essência de um objeto.
Fonte: Portal Ciência e Vida

Nenhum comentário:
Postar um comentário