sexta-feira, 5 de agosto de 2011

FILME MELANCOLIA TRAZ VISÃO DE LARS VON TRIER PARA O FIM DA HUMANIDADE


É muito reducionismo dizer que Lars Von Trier teve êxito ao se aventurar no gênero da ficção-científica neste filme Melancolia, que estreia nesta sexta-feira (5) no Recife, no Cinema da Fundação. Com certeza, o diretor conseguiu fazer um exercício de imaginação que impressiona ao falar de um planeta que ameaça se chocar com a Terra. Mas, como uma espécie de continuação de seu longa anterior, O Anticristo, Trier volta a trabalhar como nenhum outro autor o psicológico dos personagens.

Ele escalou Kirsten Dunst, vencedora da Palma de Ouro de melhor atriz, e Charlotte Gainsbourg, sua espécie de musa da angústia. As duas são irmãs aguardam, cada uma à sua maneira, pelo fim do mundo que se aproxima. Justine (Dunst) é a mais afetada e passa a somatizar a influência que a passagem de um planeta chamado de Melancolia traz ao seu corpo. Ela é uma antítese ao modo tranquilo e apaziguador com que as pessoas tratam o fim da vida humana no planeta. Sua irmã, Claire, se agarra ao que pode para driblar a ansiedade da morte. Num ato de desespero, chega a propor um brinde no momento do apocalipse.

A partir dessas duas personagens, Trier quer abranger os modos muitos particulares de lidar com o fim do mundo. Enquanto Justine vê tudo por uma ótica negativa, depressiva, sua irmã, casada e mãe de um filho pequeno tenta resignificar o que está para acontecer, a ponto de chegar a mentir para si mesma. A perspectiva é perturbadora ao espectador, já que estamos acostumados a esperar por heróis, naves e ideias mirabolantes em filmes cheios de pirotecnia. Não há redenção nem conforto nessa trama que mostra a visão de Von Trier para o fim da humanidade. Com misto de resignação e tristeza, Dunst diz a certa altura: "só há vida na Terra e não por muito tempo".

Toda a história se passa numa casa de campo enorme e com ares aristocráticos. Dunst está se casando com seu noivo, Michael (Alexander Skarsgard), mas já começa a dar pistas de que algo não está bem. Ela pergunta sobre uma estranha estrela vermelha no céu e começa manifestar uma ligação com o planeta, como se preconizasse sua chegada. O diretor começa a soltar pistas numa narrativa aparentemente desconexa. Num segundo momento, o filme foca a atenção em Clair, personagem de Gainsbourg. Ao lado do marido, John (Kiefer Sutherland), e do filho todos viverão os últimos minutos antes da chegada de Melancolia.

O filme guarda semelhanças com O Anticristo, ainda que seja menos violento e experimental. O formato é o mesmo, com um prólogo em câmera lenta e duas partes bem definidas. E a trama volta a focar em personagens femininas que precisam lidar com algo superior que elas não compreendem. Tudo isso pontuado por partes de Tristão e Isolda, de Richard Wagner.

Melancolia é um dos filmes mais interessantes de Lars Von Trier, que se especializou em maltratar seus personagens, e por tabela, os atores que os interpretam. Com a decisão de dar cabo da humanidade neste novo filme, o diretor mostrou que não nutre compaixão também por seus espectadores.

Assista aqui ao trailer do filme:


Fonte: JC

Nenhum comentário:

Postar um comentário