A angústia tanto fenomenologicamente quanto em termos de teoria vem a fazer articular todo o discurso psicanalítico, o discurso do sujeito e o acesso ao real – aquilo que não engana. Se em Freud a angústia é caracterizada pela ausência do objeto, ou pela perda de um objeto, em Lacan ela se relaciona à presença do objeto. Contudo, a um objeto particular, o objeto da psicanálise, o objeto a.
Aqui será feita uma reflexão sobre o conceito de angustia e sua importância na construção da teoria e prática psicanalítica e na constituição do sujeito em sua individualidade e subjetividade frente ao mundo.
Angústia vem do latim – angor, que quer dizer ‘angustura, estreitamento, apertamento’.
Desde seus primeiros trabalhos Freud vinha se preocupando com a questão da angústia. “Como se origina a angústia? Tudo o que sei a respeito é o seguinte: logo se tornou claro que a angústia de meus pacientes neuróticos tinha muito a ver com a sexualidade” (Freud, 1894, p. 229).
No Manuscrito E (1894) a abstinência sexual é apontada como causa de angústia. Ela ocorreria devido ao acúmulo de tensão sexual. Então, a angústia aqui também (1893), surgiria como uma transformação direta dessa tensão. No Manuscrito B ele também relaciona a neurose de angústia com a excitação sexual retida.
Em seu ‘Projeto para uma Psicologia Científica’, 1895 Freud fala que a neurose de angústia teria sua etiologia na má ou não utilização da libido, que assim, se transformaria em angústia de uma forma direta. Nesse trabalho, Freud aborda a angústia procurando nela uma explicação para o recalcamento; e afeto (affect) aí é a reprodução da vivência desagradável.
Os estados traumáticos –estimulação excessiva e desamparo – se inscrevem de tal forma que deixam uma tendência a serem revividos, a reprodução da dor que então levaria a uma repulsa do objeto, o que levaria ao que Freud chama de defesa primária ou recalcamento.
O que temos então é uma angustia que leva ao recalcamento. Desde o início do seu trabalho Freud tenta entender essa relação tão importante e tão primaria que é angustia e recalcamento. Em "O Homem dos Lobos” (1915) pode-se ver esse recalcamento se definindo de forma bem mais clara.
Fonte: Psicologado
Nenhum comentário:
Postar um comentário