Desde a década de 40, epidemiologicamente tem sido constatado o aumento da incidência de patologias somáticas entre indivíduos que apresentam estados depressivos. O que aumentou a busca em compreender as relações entre as emoções e o sistema imunológico e detectar estruturas e mecanismos de natureza celular, fisiológica e anatômica que poderiam mediatizar a percepção de eventos internos e externos, sua elaboração e as reações do organismo. As pesquisas reforçaram a hipótese de que fatores psicológicos podem intervir na gênese de doenças graves como o câncer (Volich, 1998).
Bécache (2006) fala da dificuldade em circunscrever o campo psicossomático, seja pela contradição existente entre as acepções do termo, seja por ser ampliado até a medicina por inteiro, ou ficando restrito a certos transtornos. “Admitir a existência de um grupo de doenças psicossomáticas não equivaleria a reintroduzir o dualismo corpo-espírito, rejeitando a concepção unitária para o resto da medicina?”. (Bécache, 2006, pág.201). A causalidade da doença não é linear, unívoca, mas é multifatorial.
Bécache (2006) fala ainda da dificuldade e delicadeza de se situar a fronteira entre as doenças psicossomáticas e as outras doenças; quer se trate de organogênese ou de psicogênese prevalente, seria preciso, entretanto, “não perder de vista a unidade psicossomática do homem doente”. Ele fala que se trata de conflitos do indivíduo, primeiro com o mundo exterior, e depois com o intrapsíquico. Esses conflitos provocam manifestações somáticas, ou de ambos os tipos, em proporção variável.
Se quisermos compreender os sintomas em sua etiologia, isto é, em sua causa, e sua patogenia, ou seja, seu modo de formação, é preciso renunciar ao esquema clássico – que fazia os transtornos funcionais decorrerem de uma lesão tissular, mas considerar a lesão como conseqüência dos transtornos funcionais (...) A situação que precipita o sujeito na doença se reveste, para esse doente, de uma situação afetiva particular, porque ela está ligada a seu passado ou a uma problemática conflitual não resolvida. È em função desses vínculos que ela tem, para ele, um efeito de estresse. (Bécache, 2006, pág. 202).
Dejours (1998) diz não acreditar em previsibilidade em psicanálise, nem no mundo humano. “Mesmo existindo regularidades, por um lado, eu recuso a previsibilidade e, por outro, reconheço que o que domina a clínica é a surpresa.” Ele diz que mesmo a surpresa só é possível se existe ainda um mínimo de predicação que faz com que esperemos outra coisa em vez daquilo que surpreende. Ele diz então que é necessário, em psicossomática e em psicanálise formular uma predição, mas visando se preparar para uma surpresa e estando pronto para acolhê-la. “Não partimos às cegas num trabalho psicanalítico, mas devemos esperar que as coisas não se passem como prevíamos”. (Dejours, 1998, pág.41).
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Fonte: Psicologado
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