A psicologia dentro do hospital geral
Em meados da década de 1970, a Psicologia iniciou sua história no Hospital Geral. Esta inserção ocorreu na enfermaria de ortopedia do Hospital das Clínicas, em São Paulo. Naquela época, percebia-se a necessidade de pacientes e familiares receberem um suporte psicológico em função das questões relacionadas ao adoecimento, entretanto, não se sabia ao certo o quê e como fazer.
Ao longo deste período, psicólogos de diversas partes do mundo foram aprimorando a prática psicológica no contexto da instituição de saúde, tendo ocorrido uma adequação da simples transposição da clínica até o modelo atual – quando as intervenções passaram a ser mais focadas e adequadas e houve um diálogo com profissionais de outras áreas e com diferentes visões sobre o humano e o adoecimento que nem sempre são uniformes.
Um intenso movimento relacionado à Psico-oncologia (psicólogos que atendem pacientes com câncer e seus familiares) cresceu e ganhou espaço num dos principais centros de oncologia americano, o Memorial Sloan Kattering. No Reino Unido, a Psicologia da saúde conquistou espaço, com psicólogos inseridos nas diferentes unidades hospitalares: pediatria, moléstias infecciosas, renais crônicos, cardiologia, entre outros.
Hoje, no Brasil, temos psicólogos em muitos hospitais gerais, sejam eles públicos ou privados. Sabemos que a rede pública paulistana se destaca na inserção deste profissional. Hospitais de grande porte e de referência contam com equipes de Psicologia inseridos nas diferentes unidades, sejam elas de internação ou ambulatoriais, e desenvolvem junto com médicos, enfermeiros, assistentes sociais, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, entre outros, trabalhos interdisciplinares. Nessas intervenções, cada profissional tem o seu papel, mas juntos e em equipe todos discutem os casos considerando as várias esferas do paciente. Além de São Paulo, Brasília (DF) é uma referência grande em reabilitação, oferecendo atendimento nas diferentes esferas para pacientes em fase de reabilitação física e cognitiva.
Modelo de ligação
Dentre os modelos mais frequentes de inserção do psicólogo, temos o modelo de interconsulta e o modelo de ligação. Em serviços em que o psicólogo atende a partir de pedidos de consulta, ou seja, no modelo de interconsulta, este profissional não pertence a uma equipe específica, mas responde às solicitações que partem das diferentes unidades do hospital – sobretudo das unidades de internação. Nestes casos, as discussões em equipe acontecem entre os profissionais que acionaram este especialista e os demais envolvidos no caso.
Dentre os modelos mais frequentes de inserção do psicólogo, temos o modelo de interconsulta e o modelo de ligação. Em serviços em que o psicólogo atende a partir de pedidos de consulta, ou seja, no modelo de interconsulta, este profissional não pertence a uma equipe específica, mas responde às solicitações que partem das diferentes unidades do hospital – sobretudo das unidades de internação. Nestes casos, as discussões em equipe acontecem entre os profissionais que acionaram este especialista e os demais envolvidos no caso.
O psicólogo que atua em um modelo de ligação trabalha diretamente vinculado a uma equipe multiprofissional, em que geralmente já há um fluxo definido do momento em que os pacientes serão encaminhados, além de existir diversas intervenções preconizadas, como o preparo pré-cirúrgico e acompanhamento pós-cirúrgico. Neste modelo, além do trabalho assistencial, a participação em reuniões clínicas e de discussão de caso em equipe são comuns, além da produção científica de conhecimento.
Nos artigos a seguir, decorremos sobre a prática do psicólogo da saúde em três cenários diferentes: nas unidades pediátricas, na equipe de cuidados paliativos e nos cuidados oferecidos a quem cuida dos pacientes e familiares, o profissional do hospital.
O artigo sobre o paciente pediátrico e sua família discorre sobre as particularidades de atender a criança, as diferentes demandas do paciente adulto e infantil e a necessidade de suporte à família como parte do trabalho.
O texto sobre os Cuidados Paliativos trata da história e da importância da intervenção do grupo de paliativos, com sua característica tão multiprofissional. Mostraremos como essa filosofia vem ganhando espaço nos últimos anos e como é sua inserção no contexto hospitalar.
Por fim, mas não menos importante, há um artigo sobre os cuidados com o cuidador. Estudamos, trabalhamos e nos desenvolvemos para cuidar da melhor forma possível do outro, mas quem cuida de nós? Esse tema tem sido amplamente discutido nos hospitais (públicos e privados) – entidades cada vez mais preocupadas em cuidar e resguardar seus profissionais.
Todos os artigos foram escritos por profissionais que hoje atendem no Hospital Sírio Libanês, um hospital filantrópico em São Paulo. Entre os autores há um psicólogo que se ocupou em nomear e descrever cuidadosamente o papel da Psicologia da Saúde nos diferentes cenários do hospital. Espero que vocês gostem!
Por Fernanda Rizzo di Lione é coordenadora da Unidade de Psicologia Hospitalar e Serviço de Reabilitação do Hospital Sírio Libanês, psicóloga clínica existencial.
Fonte: Portal Ciência e Vida

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