O fenômeno do ‘bullying’ chegou à SBPC. Em mesa-redonda no encontro em Goiânia, pesquisadores debatem a questão e chegam à conclusão de que não se deve buscar um culpado, mas tratar o problema de forma integrada entre escola e família.
Quando veio a público que Wellington Menezes de Oliveira, autor do episódio conhecido como “massacre de Realengo”, havia sofrido bullying na escola onde matou 12 estudantes e atingiu mais de 30, não se falou em outra coisa. Teria sido esse o motivo que levou Wellington a agir daquela forma? Qual o peso da violência que alegou ter sofrido nas decisões que tomou?
Bullying está na moda e é um termo recente, com cerca de 30 anos de idade. Não que violência e agressão entre pares na escola não existisse antes disso – apenas não tinha esse nome. Mas muito do que se fala sobre o assunto é superficial e não dá conta de sua dimensão, limitando-se à classificação de vítima, agressor e punição.
O alerta foi feito em mesa-redonda realizada ontem à tarde (11/7), na 63ª Reunião Anual da SBPC em Goiânia. No debate, falaram o psicólogo Josafá Moreira da Cunha, da Universidade Estadual do Centro-Oeste, e a educadora e psicóloga Ana Carina Stelko-Pereira, do Laboratório de Análise e Prevenção da Violência da Universidade Federal de São Carlos (Labprev/Ufscar).
Ambos destacaram a complexidade do assunto e ressaltaram que o bullying envolve muito mais fatores e pessoas do que apenas o agressor e o agredido e que a punição ao agressor não é, necessariamente, a melhor abordagem. Assim como também não o são a medicalização, prisão ou tratamento.
“O bullying é um problema contextual, de relações sociais. Devemos entender como estas se dão em determinados contextos”, afirmou Cunha.
Bullying está na moda e é um termo recente, com cerca de 30 anos de idade. Não que violência e agressão entre pares na escola não existisse antes disso – apenas não tinha esse nome. Mas muito do que se fala sobre o assunto é superficial e não dá conta de sua dimensão, limitando-se à classificação de vítima, agressor e punição.
O alerta foi feito em mesa-redonda realizada ontem à tarde (11/7), na 63ª Reunião Anual da SBPC em Goiânia. No debate, falaram o psicólogo Josafá Moreira da Cunha, da Universidade Estadual do Centro-Oeste, e a educadora e psicóloga Ana Carina Stelko-Pereira, do Laboratório de Análise e Prevenção da Violência da Universidade Federal de São Carlos (Labprev/Ufscar).
Ambos destacaram a complexidade do assunto e ressaltaram que o bullying envolve muito mais fatores e pessoas do que apenas o agressor e o agredido e que a punição ao agressor não é, necessariamente, a melhor abordagem. Assim como também não o são a medicalização, prisão ou tratamento.
“O bullying é um problema contextual, de relações sociais. Devemos entender como estas se dão em determinados contextos”, afirmou Cunha.
Percepção de violência
Segundo estudo do IBGE de 2009, 30,8% dos estudantes brasileiros relatam ter sofrido algum tipo de agressão em suas escolas nos 30 dias anteriores. Mas os números variam entre as pesquisas por um simples motivo: a definição de bullying está longe de ser consenso.
Normalmente, entende-se o fenômeno como comportamento agressivo e negativo – do ponto de vista da vítima –, repetido e com uma relação de poder desigual entre agressor e agredido.
Mas a percepção de violência pode levar a resultados distorcidos. Stelko-Pereira falou sobre um estudo do Labprev que analisou a percepção de violência de 400 alunos de duas escolas públicas no interior de São Paulo.
Quando perguntados se haviam sofrido violência física ou recebido xingamentos nos últimos seis meses, sete ou mais vezes por semana, 70% dos alunos responderam que sim. Em outras pesquisas, no entanto, o valor fica entre 10 e 15%.
Segundo Stelko-Pereira, essa diferença revela a subjetividade tanto do conceito de violência quanto de bullying. No entanto, para ela, independentemente de uma definição específica, a agressão entre colegas existe e é um problema – principalmente pelas possíveis consequências na vida da vítima.
Peso da família
Normalmente, entende-se o fenômeno como comportamento agressivo e negativo – do ponto de vista da vítima –, repetido e com uma relação de poder desigual entre agressor e agredido.
Mas a percepção de violência pode levar a resultados distorcidos. Stelko-Pereira falou sobre um estudo do Labprev que analisou a percepção de violência de 400 alunos de duas escolas públicas no interior de São Paulo.
Quando perguntados se haviam sofrido violência física ou recebido xingamentos nos últimos seis meses, sete ou mais vezes por semana, 70% dos alunos responderam que sim. Em outras pesquisas, no entanto, o valor fica entre 10 e 15%.
Segundo Stelko-Pereira, essa diferença revela a subjetividade tanto do conceito de violência quanto de bullying. No entanto, para ela, independentemente de uma definição específica, a agressão entre colegas existe e é um problema – principalmente pelas possíveis consequências na vida da vítima.
Peso da família
Em outro estudo do Labprev mencionado pela educadora, 239 alunos foram entrevistados a respeito de conflitos na escola, entre os pais e entre os pais e as crianças. Constatou-se que se o aluno tivesse sido vítima de agressão física pela mãe, ele tinha 2,6 vezes mais chances de sofrer bullying – e 3,2 vezes mais chances de ser tanto alvo quanto autor da prática. Se o agressor fosse o pai, o número de vezes subia para três na probabilidade de sofrer bullying e 4,3 vezes mais chances de sofrer e praticar esse tipo de violência.
Esse e outros estudos evidenciam um argumento bastante presente nas falas também de Cunha: “a criança faz parte de um contexto de relações, e um caso de bullying não é diferente”, explica o psicólogo. Daí a sugestão de se entender o problema também fora da escola – e explicá-lo às próprias crianças.
Iniciativas nesse sentido incluem, por exemplo, programas de prevenção da violência escolar e a utilização de cartilhas em sala de aula que focam o problema do bullying.
“O importante não é buscar um culpado, mas parcerias: trabalhar com as famílias, educadores, profissionais de saúde, amigos, profissionais de segurança e quem mais fizer parte da vida social das crianças envolvidas”, resume Stelko-Pereira.
Esse e outros estudos evidenciam um argumento bastante presente nas falas também de Cunha: “a criança faz parte de um contexto de relações, e um caso de bullying não é diferente”, explica o psicólogo. Daí a sugestão de se entender o problema também fora da escola – e explicá-lo às próprias crianças.
Iniciativas nesse sentido incluem, por exemplo, programas de prevenção da violência escolar e a utilização de cartilhas em sala de aula que focam o problema do bullying.
“O importante não é buscar um culpado, mas parcerias: trabalhar com as famílias, educadores, profissionais de saúde, amigos, profissionais de segurança e quem mais fizer parte da vida social das crianças envolvidas”, resume Stelko-Pereira.
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