Vocês já ouviram falar em amor patológico? A definição, à primeira vista, soa estranha. Afinal, como um sentimento tão nobre como o amor pode ter relação com doença e morbidade?!?
Enfim, o amor patológico (AP) tem sido estudado cada vez mais por pesquisadores da área de saúde mental, especialmente psiquiatras e psicólogos. Alguns experts chegam a definir essa atração doentia como um novo transtorno psiquiátrico.
Várias pesquisas atuais se referem ao AP como um comportamento obsessivo-compulsivo em relação ao parceiro. Outros estudos alegam que o problema em questão se caracteriza como dependência de amor – um subtipo do transtorno de personalidade dependente.
Importante frisar que, nos estágios iniciais do AP, da mesma forma como ocorre com o usuário experimental de cocaína ou qualquer outro estimulante, esse padrão de relacionamento proporciona alívio da angústia. Quem é portador do AP dificilmente enxerga (ou prefere ignorar) que o companheiro não o faz bem.
Bom frisar que esse comportamento patológico de se relacionar pode acometer homens e mulheres. Por causa de características culturais facilitadoras, contudo, acredita-se que o AP é particularmente mais comum na população feminina.
Como mostra o estudo Amor patológico: um novo transtorno psiquiátrico?, fruto de uma revisão de literatura feita por especialistas do Ambulatório Integrado dos Transtornos do Impulso (Amiti) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), assim como ocorre com o dependente químico que inicia o uso da “droga de escolha”, o portador de amor patológico acredita que o parceiro trará significado para a sua vida.
“Em termos psicológicos, a essência dessa patologia parece não ser amor, e sim medo de estar só, de não ter valor, de não merecer amor, de vir a ser abandonado”, escrevem os autores do artigo, publicado pela Revista Brasileira de Psiquiatria, em março de 2007.
Como mostram os pesquisadores, o quadro do AP pode estar presente em outros transtornos psiquiátricos, associado a sintomas depressivos e ansiosos, ou pode ocorrer isoladamente, em pessoas com personalidade vulnerável, que inclui baixa autoestima, sentimentos pervasivos de rejeição, de abandono e de raiva.
Para vários especialistas no tema, o AP é a caracterizado pelo comportamento repetitivo e sem controle de prestar cuidados e atenção ao parceiro, com a intenção (nem sempre revelada) de receber afeto e evitar sentimentos pessoais de menos valia. Para que exista o AP, é importante considerar que a relação doentia é mantida pelo indivíduo, mesmo após concretas evidências de que o relacionamento está sendo prejudicial para a vida dele e de membros da família.
Para quem convive com o amor patológico, recomenda-se procurar ajuda de terapeutas, psiquiatras e grupos de autoajuda, como o “Mulheres que amam demais anônimas” (Mada). Trata-se de um programa de recuperação para mulheres que têm como meta a recuperação da dependência de relacionamentos destrutivos, aprendendo a se relacionar de forma saudável consigo mesma e com os outros.
Fonte: Jc - NE10
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